Crónicas e Produções
Biópsias Líquidas para Rastreio de Mutações Tumorais em Amostras de Sangue
Crónicas de Verão
Durante décadas, a medicina habituou-nos a olhar para o diagnóstico de um cancro como um ato severo e profundamente invasivo. Enfrentar uma biópsia tradicional de tecido significava, quase inevitavelmente, submeter o doente a uma intervenção cirúrgica desconfortável, muitas vezes dolorosa e acompanhada por riscos não negligenciáveis, como hemorragias, infeções ou a formação de fístulas.
Durante décadas, a medicina habituou-nos a olhar para o diagnóstico de um cancro como um ato severo e profundamente invasivo. Enfrentar uma biópsia tradicional de tecido significava, quase inevitavelmente, submeter o doente a uma intervenção cirúrgica desconfortável, muitas vezes dolorosa e acompanhada por riscos não negligenciáveis, como hemorragias, infeções ou a formação de fístulas. Tratar-se-ia sempre da busca por um fragmento de massa tumoral escondida no organismo, uma tentativa nobre, mas que frequentemente oferecia uma fotografia estática e incompleta da doença. Por ser circunscrita a um único ponto, a biópsia de tecido nem sempre conseguia retratar a verdadeira heterogeneidade do tumor primário ou a presença de doença metastática, sem contar com as situações em que o tumor se encontrava num local de acesso praticamente impossível. [1, 2]
Hoje, contudo, a ciência médica começa a decifrar uma linguagem mais subtil. Instituições como o Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa e oncologistas de referência têm vindo a demonstrar que o próprio corpo humano carrega, no fluxo contínuo da sua corrente sanguínea, as características genéticas e moleculares da doença. À medida que as células tumorais se multiplicam e renovam, libertam pequenos vestígios do seu material genético, o chamado ADN tumoral circulante (ctDNA ou ccfDNA). É na leitura desta torrente invisível que surge a biópsia líquida, uma abordagem complementar e revolucionária que permite aceder ao perfil genético do tumor de forma inteiramente não invasiva, necessitando apenas de uma simples colheita de sangue, urina ou saliva. [3, 4]
Como referiu o oncologista Rodrigo Dienstmann, diretor do Laboratório OC Precision Medicine, “ O rastreamento do cancro no futuro envolverá uma combinação integrada de procedimentos. A deteção de lesões por exames de imagem ao longo do tempo será combinada com abordagens minimamente invasivas, sendo a biópsia líquida o caminho mais promissor para diferenciar o que é ou não cancro com elevada acurácia clínica”. [4]
O fascínio desta técnica reside no contraste entre a simplicidade da sua execução e a enorme sofisticação dos seus resultados. Uma vez extraído o material genético do sangue, o laboratório analisa-o em busca de mutações, amplificações e anomalias moleculares. Estes dados não servem apenas para apurar a presença da doença, mas funcionam como um mapa de navegação para a medicina personalizada. A deteção de variantes genéticas específicas ajuda os médicos a selecionar imunoterapias ou terapias dirigidas com maior probabilidade de êxito, além de permitir uma monitorização da resposta ao tratamento em tempo real, detetando possíveis resistências muito antes de estas se manifestarem em exames de imagem convencionais. [1]
Face à biópsia de tecido, a alternativa líquida oferece vantagens evidentes como o facto de ser infinitamente mais conveniente e menos dolorosa para o doente, por possuir um tempo de resposta laboratorial significativamente mais rápido e apresenta uma elevada concordância genómica, captando uma visão holística do cancro que previne erros de amostragem. Ainda, por ser minimamente invasiva, permite realizar colheitas repetidas ao longo de todo o percurso terapêutico. Atualmente, devido ao facto de ser uma tecnologia recente e de elevado rigor, o seu uso centra-se sobretudo em fases mais avançadas da doença, em cenários metastáticos, quando os tratamentos convencionais deixam de responder ou quando a biópsia de tecido é inviável.
Ainda assim, a interpretação destes testes exige uma criteriosa ponderação clínica. Se um resultado positivo valida com clareza a presença de ADN tumoral e aponta o caminho para alvos terapêuticos específicos, um resultado negativo não exclui categoricamente a existência de doença, uma vez que níveis muito reduzidos de ADN circulante podem escapar à deteção em fases muito precoces. Longe de substituir cegamente os métodos tradicionais, a biópsia líquida afirma-se como um complemento indispensável na oncologia moderna. Ao converter uma simples análise de sangue num perfil genómico detalhado do tumor, a medicina de precisão otimiza o tempo de resposta, aumenta a precisão diagnóstica e melhora a personalização do cuidado ao doente. [2]
Referências Bibliográficas:
[1] Biópsia Líquida – Objetivo, Resultados, Faixa Normal e mais. (n.d.). Retrieved August 15, 2026, from https://www.apollohospitals.com/pt/diagnostics-investigations/liquid-biopsy
[2] O que é uma biópsia líquida e quais as possíveis aplicações desse recurso no diagnóstico do câncer? – Dra. Brenda Delgado | Mastologista. (n.d.). Retrieved August 15, 2026, from https://mastologistaemsaopaulo.com.br/biopsia-liquida/
[3] Áreas Clínicas Laboratório de Genética – Grupo Germano de Sousa. (n.d.). Retrieved August 15, 2026, from https://genetica.germanodesousa.com/areas-clinicas/biopsia-liquida/
[4] Biópsias líquidas são utilizadas para distinguir nódulos pulmonares malignos ou benignos | Oncoclínicas. (n.d.). Retrieved August 15, 2026, from https://grupooncoclinicas.com/ocjournal/biopsias-liquidas-sao-utilizadas-para-distinguir-nodulos-pulmonares-malignos-ou-benignos-2
Telemedicina e a Prestação de Cuidados em Locais Remotos
Crónicas de Verão
A telemedicina assume um papel cada vez mais relevante na prestação de cuidados de saúde em locais remotos, onde a distância geográfica condiciona o acesso da população a hospitais, centros de saúde e profissionais especializados. Em regiões rurais, comunidades isoladas, zonas montanhosas ou territórios insulares, os serviços de saúde podem encontrar-se a várias horas de distância, tornando o acompanhamento médico mais difícil.
A telemedicina assume um papel cada vez mais relevante na prestação de cuidados de saúde em locais remotos, onde a distância geográfica condiciona o acesso da população a hospitais, centros de saúde e profissionais especializados. Em regiões rurais, comunidades isoladas, zonas montanhosas ou territórios insulares, os serviços de saúde podem encontrar-se a várias horas de distância, tornando o acompanhamento médico mais difícil. Neste contexto, a utilização de tecnologias de comunicação permite criar uma ligação entre os doentes e os profissionais de saúde, independentemente da sua localização física.
Em locais remotos, a telemedicina pode ser utilizada através de consultas por videoconferência, sistemas de comunicação entre profissionais de saúde e plataformas digitais de acompanhamento. Um exemplo é a teleconsulta, na qual o doente, através de um centro de saúde local ou do seu próprio dispositivo, pode contactar com um médico que se encontra num hospital ou centro especializado distante. Desta forma, o profissional consegue recolher informação clínica, avaliar sintomas e orientar o doente, podendo determinar se é necessária uma deslocação presencial. Este modelo é particularmente importante quando os serviços especializados estão concentrados nos grandes centros urbanos. [1]
Esta tecnologia estende-se ainda à ligação entre profissionais de saúde que trabalham em regiões remotas e especialistas localizados noutros centros. Através da chamada telemedicina entre profissionais, um médico ou enfermeiro presente numa comunidade isolada pode discutir um caso clínico com um especialista, partilhar exames e obter apoio na tomada de decisões. Esta aplicação é utilizada, por exemplo, em áreas como cardiologia, dermatologia, neurologia e radiologia, permitindo que conhecimentos especializados cheguem a regiões onde não existe uma equipa médica diferenciada permanente. [2,3]
Outro elemento importante é a monitorização à distância. Dispositivos médicos e sensores podem recolher parâmetros fisiológicos e transmitir os dados para uma equipa de saúde localizada remotamente. Em doentes com doenças crónicas, esta monitorização permite acompanhar a evolução do estado de saúde ao longo do tempo e identificar alterações que possam exigir intervenção. A integração destes dispositivos com sistemas de telemedicina aproxima o acompanhamento clínico do local onde o doente vive, reduzindo a necessidade de deslocações frequentes. [2]
Foi durante a pandemia do COVID-19 que esta utilização se tornou particularmente evidente, quando a necessidade de reduzir contactos presenciais acelerou a implementação de soluções digitais em diferentes sistemas de saúde. Desde então, estas tecnologias continuam a ser exploradas como parte da organização dos cuidados de saúde, sobretudo em regiões onde a distribuição de profissionais permanece desigual. [1]
Assim, a telemedicina permite criar uma extensão dos serviços de saúde para além das instituições físicas, aproximando profissionais, especialistas e doentes que se encontram separados por grandes distâncias. Em locais remotos, a sua utilização representa uma transformação na forma como os cuidados podem ser organizados, permitindo que a localização geográfica deixe de ser o único fator determinante para o acesso a determinados serviços de saúde.
Referências bibliográficas
[1] Perez, K., Wisniewski, D., Ari, A., Lee, K., Lieneck, C., & Ramamonjiarivelo, Z. (2025). Investigation into Application of AI and Telemedicine in Rural Communities: A Systematic Literature Review. Healthcare (Basel, Switzerland), 13. https://doi.org/10.3390/healthcare13030324
[2] Dones, V., Velasquez, A. A. G., Dacuya, M. G., Ignacio, K. E. T., Cavite, E. T. M., Ibuna, R. S., & Rimando, C. R. D. (2025). The Effectiveness of Telemedicine in Hypertension Management of Adults in Rural Communities: A Systematic Review and Meta-Analysis. In Physiotherapy Research International (Vol. 30). John Wiley and Sons Ltd. https://doi.org/10.1002/pri.70014
[3] Totten, A. M., Womack, D. M., Griffin, J. C., McDonagh, M. S., Davis-O’Reilly, C., Blazina, I., Grusing, S., & Elder, N. (2024). Telehealth-guided provider-to-provider communication to improve rural health: A systematic review. Journal of Telemedicine and Telecare, 30, 1209–1229. https://doi.org/10.1177/1357633X221139892
Expansão do Mercado de Dispositivos Médicos Vestíveis
Crónicas de Verão
Há poucos anos, acompanhar continuamente o ritmo cardíaco, os níveis de glicose ou outros parâmetros fisiológicos exigia, na maioria dos casos, equipamentos próprios de um contexto clínico. Hoje, parte dessa monitorização pode acompanhar o utilizador ao longo do dia, integrada num relógio, num adesivo colocado sobre a pele ou noutros dispositivos discretos e cada vez mais adaptados ao corpo humano.
Há poucos anos, acompanhar continuamente o ritmo cardíaco, os níveis de glicose ou outros parâmetros fisiológicos exigia, na maioria dos casos, equipamentos próprios de um contexto clínico. Hoje, parte dessa monitorização pode acompanhar o utilizador ao longo do dia, integrada num relógio, num adesivo colocado sobre a pele ou noutros dispositivos discretos e cada vez mais adaptados ao corpo humano. Esta evolução dos dispositivos médicos vestíveis, ou wearable medical devices, está a contribuir para uma mudança progressiva na forma como a saúde pode ser monitorizada.
Os avanços na eletrónica, nos materiais flexíveis e biocompatíveis, nas tecnologias de sensores e na comunicação sem fios permitiram desenvolver dispositivos capazes de recolher continuamente sinais fisiológicos e bioquímicos, como ECG, temperatura, movimento ou concentrações de determinados biomarcadores [1,2]. Mais recentemente, a integração de inteligência artificial e machine learning acrescentou uma nova dimensão a estes sistemas: além de recolher dados, alguns wearables conseguem ajudar a identificar padrões, reconhecer alterações relevantes e apoiar uma monitorização mais personalizada [2]. Esta evolução está a favorecer a passagem de avaliações pontuais para uma monitorização mais contínua e remota, com aplicações que vão da cardiologia e diabetes à reabilitação e acompanhamento de doenças crónicas [1,2].
Esta evolução tecnológica tem sido acompanhada por um crescimento expressivo do mercado. Embora diferentes estudos de mercado apresentem estimativas distintas, todos apontam para uma expansão acentuada ao longo da próxima década [(3),(4)]. Entre os principais fatores estão o aumento da prevalência de doenças crónicas, o envelhecimento da população e a crescente procura por soluções de monitorização remota e cuidados de saúde no domicílio. Em 2025, os cuidados domiciliários representavam já mais de metade das aplicações deste mercado segundo a Grand View Research [(3)].
A expansão destes dispositivos explica-se também pela diversidade crescente das suas aplicações. Na cardiologia, por exemplo, existem patches de ECG e outros dispositivos vestíveis capazes de acompanhar o ritmo cardíaco durante períodos prolongados, facilitando a deteção de alterações que podem não surgir numa avaliação pontual. Na diabetes, os sistemas de monitorização contínua da glicose permitem acompanhar a evolução dos níveis de glicose ao longo do dia e apoiar uma gestão mais personalizada da doença [2]. Os wearables têm ainda vindo a ganhar importância na monitorização remota de doentes, permitindo recolher informação fora do hospital e acompanhar pessoas com doenças crónicas no seu ambiente habitual. Esta possibilidade de obter dados de forma contínua e à distância, aproxima os cuidados de saúde do quotidiano do doente e poderá contribuir para uma deteção mais precoce de alterações clínicas e para intervenções mais atempadas [1,2].
Apesar deste crescimento, a utilização de dispositivos médicos vestíveis continua a enfrentar limitações importantes. A recolha contínua de dados de saúde levanta questões de privacidade, cibersegurança e proteção de informação sensível, sobretudo quando os dados são transmitidos para aplicações ou plataformas na cloud [2]. Além disso, a qualidade dos sinais pode ser afetada por movimento, posicionamento do sensor, diferenças entre utilizadores e condições de utilização, o que pode comprometer a fiabilidade dos resultados [1,2]. Muitos sistemas apresentam ainda bons resultados em estudos controlados, mas necessitam de validação mais robusta em populações diversificadas e em condições reais antes de uma adoção clínica generalizada. A estes desafios juntam-se os requisitos regulamentares, a integração nos sistemas de saúde e a necessidade de demonstrar, de forma consistente, segurança e desempenho [1,2].
Os dispositivos médicos vestíveis estão, assim, a transformar-se de soluções pontuais de monitorização em ferramentas cada vez mais integradas nos cuidados de saúde. O crescimento do mercado acompanha essa evolução tecnológica e clínica, impulsionada pela monitorização contínua, pelos cuidados domiciliários e pela integração de inteligência artificial [1,2,3]. No entanto, a expansão futura deste setor dependerá não apenas da inovação dos dispositivos, mas também da sua fiabilidade, segurança, validação clínica e integração responsável nos sistemas de saúde [1,2]. É precisamente nesta ligação entre tecnologia, dados e aplicação clínica que a Engenharia Biomédica continuará a ter um papel central.
Referências Bibliográficas
[1] Zhou, J., Zhang, Q., Zhang, M., Aikebaier, S., Zhu, X., & Zhou, X. (2026). Flexible wearable medical devices: From material innovations and data processing to intelligent healthcare applications. Journal of Advanced Research, 83, 1195–1218. https://doi.org/10.1016/j.jare.2025.08.036
[2] Kim, D., Ahmed, S. S., Amjad, A., Won, K., & Xian, X. (2026). Integrating artificial intelligence with wearable sensors for advanced health monitoring and diagnosis. Biosensors, 16, 344. https://doi.org/10.3390/bios16060344.
[3] Grand View Research. (2026). Wearable medical device market size, share & trends analysis report, 2026–2033. Grand View Research. https://www.grandviewresearch.com/industry-analysis/wearable-medical-devices-market#:~:text=By%20application%3A%20Home%20healthcare%20segment%20led%20the,market%3A%20North%20America%20(35.2%25%20revenue%20share%2C%202025)%3B
[4] Fortune Business Insights. (2026). Wearable medical devices market size, share & industry analysis and regional forecast, 2026–2034. Fortune Business Insights. https://www.fortunebusinessinsights.com/industry-reports/wearable-medical-devices-market-101070
Impressão 3D de Tecidos Biológicos com Recursos a Biotintas Celulares
Crónicas de Verão
Dependendo do tipo de impressora, do método de impressão, e do material usado, a impressão 3D permite criar diversos tipos de estruturas e geometrias complexas, através da sua característica deposição de matéria em camadas. Esta versatilidade contribui para um leque de aplicações diversificado, desde componentes espaciais, a casas e aplicações biomédicas [1].
Dependendo do tipo de impressora, do método de impressão, e do material usado, a impressão 3D permite criar diversos tipos de estruturas e geometrias complexas, através da sua característica deposição de matéria em camadas. Esta versatilidade contribui para um leque de aplicações diversificado, desde componentes espaciais, a casas e aplicações biomédicas [1]. Por exemplo, a bioimpressão 3D de tecidos e órgãos, para recriar estruturas humanas reais, é uma das principais aplicações da impressão 3D na área da saúde.
Claro que o processo de bioimpressão 3D, apesar de semelhante, distingue-se do processo de impressão 3D em diversos fatores, afetados por uma diferença substancial: o tipo de material usado. A impressão 3D foi desenhada para imprimir polímeros, metais, ou materiais cerâmicos, que solidificam mal saem a ponta da impressora, criando o objeto desejado. Já a bioimpressão 3D foi desenhada para imprimir materiais biológicos, com células vivas nas suas composições. Este detalhe requer uma adaptação ao processo de impressão do material:
O processo de bioimpressão consiste em 3 etapas: a pré-bioimpressão, a bioimpressão, e a pós-bioimpressão.
- A pré-bioimpressão consiste no desenho da peça, através de imagem médica e processos digitais, e na escolha do material. Finalizado o design e escolhido o material, passa-se para a máquina de impressão, no processo de bioimpressão.
- Dependendo das características escolhidas na etapa anterior, é usada uma técnica diferente de impressão. As três mais utilizadas para a bioimpressão de tecidos e órgãos são a impressão a jato de tinta (a mais comum em diversas indústrias, pela facilidade de utilização e baixo custo), a impressão por extrusão (usada quase exclusivamente para soluções 3D), e a impressão assistida por laser (tem maior precisão, mas também é mais cara) [2].
- Por fim, no processo de pós-bioimpressão, o objeto é estimulado mecanicamente e biologicamente, criando ligações entre células, sendo uma estrutura realmente capaz de ser utilizada no corpo humano, ou de recriar uma parte dele [3].
Esta tecnologia já foi aplicada na recriação de orelhas e maxilares, para uso direto no paciente, mas também na criação de fígados e rins, como apoio para a cirurgia e apoio ao ensino. E com apenas 28 anos de existência, ainda há muito para explorar no que toca às suas aplicações, sendo que o objetivo final é a criação de órgãos funcionais, prontos para a utilização, através de transplante, em pacientes [4].
Referências Bibliográficas
[1] T. D. Ngo, A. Kashani, G. Imbalzano, K. T. Q. Nguyen, and D. Hui, “Additive manufacturing (3D printing): A review of materials, methods, applications and challenges,” Jun. 15, 2018, Elsevier Ltd. doi: 10.1016/j.compositesb.2018.02.012.
[2] A. Shafiee and A. Atala, “Printing Technologies for Medical Applications,” Mar. 01, 2016, Elsevier Ltd. doi: 10.1016/j.molmed.2016.01.003.
[3] P. Datta, A. Barui, Y. Wu, V. Ozbolat, K. K. Moncal, and I. T. Ozbolat, “Essential steps in bioprinting: From pre- to post-bioprinting,” Sep. 01, 2018, Elsevier Inc. doi: 10.1016/j.biotechadv.2018.06.003.
[4] L. Mendoza-Cerezo, J. M. Rodríguez-Rego, A. Macías-García, A. C. Marcos-Romero, and A. Díaz-Parralejo, “Evolution of bioprinting and current applications,” Int. J. Bioprint., vol. 9, no. 4, 2023, doi: 10.18063/ijb.742.
Exoesqueletos Robóticos Ativos no Processo de Reabilitação Motora Hospitalar
Crónicas de Verão
Há poucos anos, recuperar a capacidade de caminhar depois de um AVC ou de uma lesão medular dependia quase exclusivamente do esforço manual de um fisioterapeuta, que erguia, sustentava e guiava o corpo do doente passo a passo. Hoje, parte desse trabalho pode ser realizada por uma estrutura robótica vestida sobre as pernas do paciente, capaz de reproduzir o padrão fisiológico da marcha e de sustentar a intensidade e a repetição que a reaprendizagem motora exige.
Há poucos anos, recuperar a capacidade de caminhar depois de um AVC ou de uma lesão medular dependia quase exclusivamente do esforço manual de um fisioterapeuta, que erguia, sustentava e guiava o corpo do doente passo a passo. Hoje, parte desse trabalho pode ser realizada por uma estrutura robótica vestida sobre as pernas do paciente, capaz de reproduzir o padrão fisiológico da marcha e de sustentar a intensidade e a repetição que a reaprendizagem motora exige. Esta evolução dos exoesqueletos robóticos ativos está a contribuir para uma mudança progressiva na forma como a reabilitação motora hospitalar é conduzida.
Os exoesqueletos ativos distinguem-se dos dispositivos passivos por integrarem motores, sensores e sistemas de controlo que fornecem assistência dinâmica ao movimento, ajustando o nível de suporte às capacidades residuais de cada doente. Este tipo de tecnologia representa hoje o segmento com maior peso no mercado global de exoesqueletos, com o setor da saúde a corresponder a cerca de metade da receita gerada em 2025 – impulsionado sobretudo pela adoção destes dispositivos em contextos de reabilitação [1]. A capacidade de personalizar a assistência de potência a doentes com fraqueza ou paralisia dos membros inferiores é, precisamente, o que distingue os sistemas ativos das ortóteses convencionais.
Este crescimento tecnológico tem sido acompanhado por uma expansão comercial expressiva. O mercado global de exoesqueletos foi avaliado em 590 milhões de dólares em 2025, com uma projeção de crescimento até 1.790 milhões de dólares até 2033 – uma taxa composta anual de 14,5%. A América do Norte lidera este mercado, com uma quota de 44,1% [1]. Especificamente no segmento médico, o mercado de exoesqueletos foi estimado em 99,5 milhões de dólares em 2025, com previsão de alcançar 239,3 milhões de dólares até 2034, um crescimento sustentado pela expansão de parcerias entre fabricantes de dispositivos e redes de reabilitação [2]. Entre os fatores que impulsionam esta procura contam-se o envelhecimento da população, o aumento da incidência de AVC e a crescente adoção de dispositivos médicos robóticos em hospitais e centros de reabilitação [1].
A justificação clínica para este investimento assenta numa premissa neurocientífica relativamente consensual: a recuperação motora após lesões neurológicas depende da repetição intensiva e orientada de tarefas, algo que os exoesqueletos permitem sustentar com uma consistência que a fisioterapia manual dificilmente replica. Uma revisão sistemática de dez ensaios clínicos aleatorizados de elevada qualidade, publicados até 2023, verificou que seis desses estudos demonstraram maior eficácia do treino de marcha com exoesqueleto face à terapia convencional, ainda que os restantes tenham reportado efeitos equivalentes ou insuficientes; a revisão concluiu, mesmo assim, que este tipo de treino pode constituir uma intervenção útil para a função de marcha e equilíbrio em doentes com AVC crónico, sem registo de eventos adversos significativos [3]. Resultados semelhantes emergem de uma revisão-guarda-chuva mais recente, que combinou dados de 396 ensaios clínicos aleatorizados distribuídos por dezasseis meta-análises: a terapia assistida por robô demonstrou uma melhoria estatisticamente significativa da função motora do membro superior, embora a magnitude do efeito tenha variado consoante a fase de recuperação, a gravidade do AVC e as características do dispositivo utilizado [4].
Apesar destes resultados encorajadores, a integração dos exoesqueletos ativos na prática clínica hospitalar continua a enfrentar limitações relevantes. A elevada heterogeneidade entre estudos — em termos de população, protocolo de intervenção e tipo de robô — compromete a generalização dos resultados e exige ensaios de maior qualidade metodológica antes de se poder recomendar de forma uniforme o uso destes dispositivos [4]. A isto somam-se barreiras de ordem prática: os equipamentos continuam a ser dispendiosos, exigem formação especializada dos profissionais de saúde e implicam protocolos de utilização estandardizados que nem todos os serviços de reabilitação têm capacidade de implementar [2]. A validação clínica robusta, a par da integração regulamentar e da comparticipação destes dispositivos pelos sistemas de saúde, continuará a condicionar o ritmo da sua adoção generalizada.
Os exoesqueletos robóticos ativos estão, assim, a transformar-se de tecnologias experimentais em ferramentas cada vez mais presentes na reabilitação motora hospitalar. O crescimento do mercado acompanha a evolução da evidência clínica, sustentada pela procura por terapias de maior intensidade e pela necessidade de otimizar os recursos humanos disponíveis em fisioterapia [1,2]. A expansão futura deste setor dependerá, contudo, não apenas da inovação dos dispositivos, mas também da produção de evidência científica mais consistente sobre a sua eficácia e da sua integração responsável nos sistemas de saúde [3,4].
Referências Bibliográficas
[1] Grand View Research. (2026). Exoskeleton market size, share & trends analysis report, 2026–2033. Grand View Research. https://www.grandviewresearch.com/industry-analysis/exoskeleton-market
[2] Fortune Business Insights. (2026). Medical exoskeleton market size, share & industry analysis, 2026–2034. Fortune Business Insights. https://www.fortunebusinessinsights.com/medical-exoskeleton-market-115112
[3] Yang, J., Gong, Y., Yu, L., Peng, L., Cui, Y., & Huang, H. (2023). Effect of exoskeleton robot-assisted training on gait function in chronic stroke survivors: A systematic review of randomised controlled trials. BMJ Open, 13(9), e074481. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2023-074481
[4] Park, J. M., Park, H. J., Yoon, S. Y., Kim, Y. W., Shin, J. I., & Lee, S. C. (2025). Effects of robot-assisted therapy for upper limb rehabilitation after stroke: An umbrella review of systematic reviews. Stroke, 56(5), 1243–1252. https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.124.048183
A Pegada Ecológica da Medicina de Alta Tecnologia
Crónicas de Verão
A medicina contemporânea vive uma era sem precedentes de inovação e precisão. Equipamentos de ressonância magnética de última geração, robôs cirúrgicos, inteligência artificial, centros de processamento de dados clínicos e dispositivos biomédicos de uso único revolucionaram o diagnóstico e o tratamento de doenças graves, prolongando e salvando vidas.
A medicina contemporânea vive uma era sem precedentes de inovação e precisão. Equipamentos de ressonância magnética de última geração, robôs cirúrgicos, inteligência artificial, centros de processamento de dados clínicos e dispositivos biomédicos de uso único revolucionaram o diagnóstico e o tratamento de doenças graves, prolongando e salvando vidas. No entanto, por trás da promessa de uma saúde cada vez mais eficiente e tecnológica, esconde-se um impacto ambiental silencioso, mas substancial: a pegada ecológica do setor da saúde e, em particular, da medicina de alta tecnologia [1].
O setor da saúde global é responsável por cerca de 4,4% a 5% das emissões globais de gases de efeito de estufa, uma pegada de carbono equivalente à gerada pôr centenas de centrais elétricas a carvão ou superior à de toda a indústria da aviação comercial. Os grandes hospitais modernos figuram entre os edifícios comerciais mais intensivos no consumo de energia e água, operando sem interrupções e exigindo sistemas avançados de AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado), filtragem HEPA e refrigeração contínua. Equipamentos de imagiologia avançada, como os scanners de ressonância magnética, consomem quantidades massivas de eletricidade mesmo em modo de espera, ao mesmo tempo que dependem de recursos escassos e não renováveis, como o hélio líquido para o arrefecimento dos seus ímanes supercondutores [2].
Além do consumo energético intensivo, a transição para a medicina moderna impulsionou uma cultura de descartabilidade. Com o objetivo legítimo de prevenir infeções associadas aos cuidados de saúde, generalizou-se a utilização de dispositivos médicos, componentes e embalagens plásticas de uso único. Instrumentos cirúrgicos complexos, sensores, cateteres e kits de diagnóstico acabam frequentemente no tratamento e queima de resíduos hospitalares perigosos ou em aterros, gerando toneladas de lixo plástico e eletrónico (e-waste). Este material contém frequentemente metais pesados e materiais sintéticos de difícil degradação, cuja queima e tratamento libertam compostos tóxicos para a atmosfera [3].
Outra dimensão crítica reside na cadeia de abastecimento e na pegada digital da medicina personalizada. O processamento de grandes volumes de dados genómicos, a modelação de gémeos digitais e o treino de algoritmos de inteligência artificial aplicados à prática clínica dependem de supercomputadores e data centers com um consumo energético exponencial. Da extração de terras raras para a produção de microchips e componentes robóticos até ao fim de vida do equipamento, toda a cadeia de valor da tecnologia médica ostenta uma pegada ecológica significativa [1, 4].
Perante este desafio, em que a tecnologia que cura as pessoas contribui para a degradação da saúde do planeta, ganha força o conceito de “Cuidados de Saúde Verdes” e sustentabilidade em saúde. Vários centros hospitalares e investigadores mundiais começam a implementar estratégias de descarbonização, otimização do consumo energético em equipamentos de diagnóstico, reciclagem segura de plásticos médicos e transição para fontes de energia renovável. Redefinir protocolos clínicos para evitar exames desnecessários e promover a economia circular na engenharia biomédica (como o redesenho de dispositivos reutilizáveis e biodegradáveis) surgem como passos cruciais para atenuar este impacto [2, 5].
Em suma, a medicina de alta tecnologia não precisa de estagnar para ser ecológica, mas exige uma mudança paradigmática. Proteger a saúde humana sem comprometer a saúde do planeta é o maior desafio ético e tecnológico das próximas décadas. Afinal, uma população verdadeiramente saudável só pode prosperar num ecossistema sustentável.
Referências Bibliográficas:
[1] Karliner, J., Slotterback, S., Boyd, R., Ashby, B., & Steele, K. (2019). Health care’s climate footprint: How the health sector contributes to the global climate crisis and opportunities for action. Health Care Without Harm & Climate Impact Partners.
[2] Sherman, J. D., Thiel, C., MacNeill, A., Eckelman, M. J., Dubrow, R., & Hopf, H. (2020). The green print: Advancement of environmental sustainability in healthcare. Resources, Conservation and Recycling, 161, 104882.
[3] Thiel, C. L., Woods, N. C., & Bilec, M. M. (2018). Strategies to reduce greenhouse gas emissions from laparoscopic surgery. American Journal of Public Health, 108(S2), S158-S164.
[4] Wu, R. et al. (2023). Environmental footprints of digital health interventions and artificial intelligence in clinical medicine. The Lancet Digital Health, 5(8), e520-e528.
[5] World Health Organization. (2020). Climate resilient and environmentally sustainable health care facilities. Geneva: World Health Organization.
Cirurgiões no Metaverso: O Treino Médico através da Realidade Virtual
Crónicas de Verão
Um interno de ortopedia acaba de ajustar o capacete de realidade virtual, pega nos dois controladores e prepara-se para o primeiro corte. À sua frente, uma mesa operatória que não existe. É a vigésima vez que vai repetir a mesma artroplastia da anca, e, mais uma vez, nenhum doente real corre qualquer risco. Este tipo de cenário está a tornar-se rotina em hospitais universitários e faculdades de medicina um pouco por todo o mundo.
Um interno de ortopedia acaba de ajustar o capacete de realidade virtual, pega nos dois controladores e prepara-se para o primeiro corte. À sua frente, uma mesa operatória que não existe. É a vigésima vez que vai repetir a mesma artroplastia da anca, e, mais uma vez, nenhum doente real corre qualquer risco. Este tipo de cenário está a tornar-se rotina em hospitais universitários e faculdades de medicina um pouco por todo o mundo. Chama-se treino cirúrgico no metaverso: ambientes tridimensionais e imersivos onde competências técnicas – e, cada vez mais, competências não técnicas – podem ser ensaiadas antes de qualquer contacto com um doente verdadeiro.
Os números confirmam o entusiasmo. Estima-se que o mercado global do metaverso aplicado ao treino médico valia perto de 4 mil milhões de dólares em 2025, com previsões a apontar para quase 39 mil milhões em 2035 – uma taxa de crescimento anual acima de 25%. As escolas médicas continuam a ser o maior cliente deste tipo de tecnologia, embora sejam os hospitais que mais rapidamente a estão a adotar [1]. Por trás dos números está uma razão bastante prática: os métodos clássicos de formação cirúrgica (observar, praticar em cadáveres, usar simuladores mecânicos) são caros, difíceis de escalar e produzem experiências muito desiguais consoante o formando tem, ou não, sorte no calendário do bloco operatório.
E a evidência científica, ao contrário do que por vezes acontece com modas tecnológicas em medicina, parece dar razão a este investimento, com as devidas reservas. Uma meta-análise publicada em 2025, que juntou dezoito ensaios clínicos aleatorizados sobre simuladores de realidade virtual em cirurgia robótica, concluiu que este tipo de treino melhora de forma significativa o desempenho objetivo dos cirurgiões e reduz o tempo necessário para completar as tarefas, quando comparado com a ausência de treino adicional, sendo tão eficaz quanto o treino tradicional em bancada seca [2]. No ensino da ortopedia, uma revisão sistemática com 23 ensaios e mais de mil participantes chegou a resultados parecidos: quem treina em realidade virtual sai-se melhor tanto no conhecimento teórico como no desempenho clínico prático [3]. Já no campo da cirurgia laparoscópica, uma revisão de 2025 dedicada especificamente a simuladores com retorno háptico sugere que juntar o sentido do tato à imersão visual pode aproximar bastante a curva de aprendizagem virtual da que se consegue com treinadores físicos, ainda que os autores admitam que há poucos ensaios de boa qualidade para tirar conclusões mais firmes [4].
Mas o que torna este “metaverso” cirúrgico verdadeiramente diferente de um simulador de realidade virtual comum não é a tecnologia em si, é a possibilidade de o partilhar com outras pessoas. Plataformas multiutilizador, como a VORTeX, desenvolvida por uma equipa de engenheiros e cirurgiões nos Estados Unidos, permitem que um cirurgião, um enfermeiro e um anestesista, cada um em sua casa ou hospital, entrem ao mesmo tempo na mesma sala de operações virtual para gerir uma emergência: um pneumotórax súbito, uma hemorragia intra-abdominal a piorar durante uma colecistectomia laparoscópica. Num estudo-piloto realizado em 2024 com doze profissionais durante um congresso científico, a ferramenta foi bem recebida, e os investigadores foram ainda mais longe, usando um modelo de linguagem para analisar automaticamente as trocas verbais da equipa e construir mapas de comunicação que, surpreendentemente, refletiam com bastante fidelidade as hierarquias reais de uma sala de operações [5]. É um sinal de que o foco do treino está a deslocar-se da pura destreza manual para aquilo que a literatura sobre segurança do doente há muito aponta como igualmente decisivo: saber comunicar, liderar e decidir sob pressão.
Nem tudo está resolvido, no entanto. Os estudos disponíveis continuam a ser muito heterogéneos entre si – diferem no desenho, na população estudada, no tipo de dispositivo usado – o que dificulta comparações diretas e conclusões definitivas [2,3]. O custo do equipamento, a manutenção das plataformas e a necessidade de formar os próprios formadores continuam a pesar mais nos centros com menos recursos [1]. E há ainda questões por afinar, como o desconforto visual ao fim de sessões longas ou a forma como estas ferramentas devem, de facto, ser integradas nos currículos médicos formais.
Ainda assim, a direção parece traçada. Tal como os simuladores de voo se tornaram indispensáveis à formação de pilotos muito antes de qualquer avião comercial descolar, os “gémeos digitais” da sala de operações caminham para deixar de ser um extra e passar a ser uma etapa obrigatória na formação do cirurgião. Entre o capacete e o bisturi, resta à engenharia biomédica continuar a apertar essa distância, com rigor científico, não apenas com entusiasmo tecnológico.
Referências Bibliográficas
- Barker, J., Demirel, D., Jackson, C., Johansson, A., Miraglia, R., Hoagland, D., Jones, S. B., Mitchell, J., Jones, D. B., & De, S. (2026). Integrating virtual reality and large language models for team-based non-technical skills training and evaluation in the operating room. arXiv. https://arxiv.org/abs/2601.13406
- Kawashima, K., Nader, F., Collins, J. W., & Esmaeili, A. (2025). Virtual reality simulations in robotic surgery training: A systematic review and meta-analysis. Journal of Robotic Surgery, 19, Article 29. https://doi.org/10.1007/s11701-024-02187-z
- Li, T., Yan, J., Gao, X., Liu, H., Li, J., Shang, Y., & Tang, X. (2025). Using virtual reality to enhance surgical skills and engagement in orthopedic education: Systematic review and meta-analysis. Journal of Medical Internet Research, 27, e70266. https://doi.org/10.2196/70266
- Precedence Research. (2026). Metaverse in medical training market size, share, and trends analysis report, 2026–2035. https://www.precedenceresearch.com/metaverse-in-medical-training-market
- Tan, J., Karim, M. R., Tamanna, R., Kim, S., & Patel, B. (2025). Comparing learning outcomes of virtual reality (VR) simulators using haptic feedback versus box trainer (BT) in laparoscopic training: A systematic review and meta-analysis. Cureus, 17(2), e78910. https://doi.org/10.7759/cureus.78910
Interfaces Cérebro-Computador e a Recuperação da Mobilidade em Pacientes
Crónicas de Verão
Um pouco por todo o mundo começa-se a notar um padrão cada vez mais frequente em laboratórios de neurorreabilitação: alguém que não movia um braço há anos volta a fechar a mão. Não pela força do músculo, mas pela intenção captada diretamente do cérebro.
Um pouco por todo o mundo começa-se a notar um padrão cada vez mais frequente em laboratórios de neurorreabilitação: alguém que não movia um braço há anos volta a fechar a mão. Não pela força do músculo, mas pela intenção captada diretamente do cérebro. É esse o território fascinante, embora ainda profundamente incerto, das interfaces cérebro-computador (BCI, do inglês brain-computer interface), uma das fronteiras mais promissoras da engenharia biomédica atual.
Uma BCI funciona como um tradutor. Capta a atividade elétrica de neurónios através de elétrodos implantados no córtex motor ou colocados sobre o couro cabeludo, e converte essa atividade em comandos que um computador, um exoesqueleto ou um braço robótico consegue executar. Para uma pessoa com lesão medular ou sequelas de AVC, isto significa que a intenção de mover um membro, mesmo quando a via nervosa entre o cérebro e o músculo está interrompida, pode ainda assim ser traduzida em movimento real.
Existem duas grandes famílias: as invasivas, com elétrodos implantados cirurgicamente diretamente no tecido cerebral ou junto a ele; e as não invasivas, habitualmente baseadas em EEG. As primeiras oferecem sinais mais nítidos e de maior resolução espacial, mas implicam cirurgia e risco associado; a passo que as segundas são mais seguras e acessíveis, à custa de sinais mais ruidosos e de um controlo menos preciso.
A investigação dos últimos anos tem sido particularmente fértil. Uma revisão sistemática publicada em 2025 sobre reabilitação motora pós-AVC confirma que o treino com BCI produz melhorias consistentes e significativas na função do membro superior. Embora os autores sublinhem que a evidência sobre benefícios a longo prazo continua limitada, sugerindo a realização de estudos multicêntricos com seguimento padronizado para reforçar a fiabilidade clínica e a adoção desta tecnologia [1]. Uma meta-análise de 2024, que reuniu 25 ensaios clínicos randomizados, chegou a uma conclusão semelhante: os ganhos motores existem, mas tendem a estabilizar sem reforço contínuo, sugerindo que protocolos mais curtos e intensivos, com sessões de manutenção, podem ser a chave para benefícios duradouros [2].
No campo da lesão medular crónica, os resultados são talvez ainda mais notáveis. Ensaios que combinam BCI com estimulação elétrica funcional têm demonstrado melhorias reais na marcha e, mais surpreendente ainda, alguns desses benefícios mantêm-se mesmo depois do dispositivo ser desligado, um sinal de que a tecnologia pode estar a induzir verdadeira plasticidade neuronal, e não apenas a substituir temporariamente uma função perdida [3,4]. Um estudo publicado em 2025 sobre esclerose múltipla revelou também ganhos duradouros na resistência da marcha, avaliados pelo teste dos seis minutos, com melhorias que persistiram até seis meses após a intervenção [5].
Se em 2020 falar de BCI era sobretudo falar de protótipos, em 2026 a paisagem é outra. Empresas como a Synchron têm avançado com abordagens minimamente invasivas, apresentando um dispositivo já testado em mais de cinquenta doentes com paralisia [6,7]. A Neuralink, por seu lado, conta com cerca de uma dezena de participantes em ensaio clínico internacional, com uma submissão regulatória prevista para 2027 [8]. Outras, como a Precision Neuroscience, a Paradromics e a Blackrock Neurotech, seguem caminhos paralelos, cada uma com um compromisso próprio entre invasividade, resolução do sinal e risco cirúrgico.
Nenhuma destas soluções está, ainda, disponível comercialmente. Todas operam sob protocolos de investigação ou programas de acesso alargado, mas o investimento no setor já superou o milhão de dólares nos últimos dois anos, e o número de grupos de investigação a publicar resultados clínicos cresce a um ritmo que era impensável há uma década [6,7].
Estamos, portanto, perante uma tecnologia que já funciona o suficiente para mudar vidas concretas, mas ainda não o suficiente para se tornar rotina clínica. Entre o sinal elétrico captado num laboratório e o gesto recuperado por um doente, há ainda muito caminho. É precisamente aí que a engenharia biomédica, com a sua capacidade de traduzir ciência em cuidado, tem um papel que só está a começar.
Referências Bibliográficas:
[1] Liu et al. (2025). Overview of systematic reviews on brain–computer interfaces for stroke rehabilitation. Citado em: Brain-Computer Interfaces for Stroke Motor Rehabilitation. Bioengineering, 12(8), 820. https://doi.org/10.3390/bioengineering12080820
[2] Zhang et al. (2024). Systematic review and meta-analysis de 25 ensaios clínicos randomizados sobre BCI e função do membro superior. Citado em: idem.
[3] Review of Recent Advances in Implantable Brain-Computer Interfaces for the Restoration of Motor Function in Patients With Paralysis (2026). Medical Science Monitor / PMC. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13091483/
[4] Ali, U., Khan, J. A., Ahsan, M. T., et al. (2025). Brain-Computer Interfaces in the Rehabilitation of Stroke and Spinal Cord Injury: A Systematic Review and Meta-Analysis of Clinical Efficacy. Cureus. https://doi.org/10.7759/cureus.94833
[5] Toward Brain-Computer Interface motor rehabilitation for people with Multiple Sclerosis (2025). Frontiers in Medicine. https://doi.org/10.3389/fmed.2025.1661972
[6] Synchron Brain Implant Targets 2026 Pivotal Trial for First FDA-Approved BCI (2026). Tech Times. https://www.techtimes.com/articles/317929/20260606/synchron-brain-implant-targets-2026-pivotal-trial-first-fda-approved-bci.htm
[7] BCI Clinical Trials 2026: Neuralink, Synchron, Precision — panorama do estado clínico e regulatório do setor (2026). https://nextwavesinsight.com/bci-neuralink-synchron-clinical-trials-2026/
[8] Neuralink Robot Reaches Any Brain Region: Parkinson’s, Epilepsy, Depression Now Within Surgical Scope (2026). Tech Times. https://www.techtimes.com/articles/316912/20260520/neuralink-robot-reaches-any-brain-region-parkinsons-epilepsy-depression-now-within-surgical.htm
Cientistas identificam circuito único de ATP no cérebro ligado ao stress
Produções de Inverno
Um estudo recente demonstrou que a redução da sinalização de ATP no hipocampo dorsal contribui diretamente para o desenvolvimento de comportamentos semelhantes à depressão e à ansiedade. Em modelos murinos masculinos expostos a stress crónico, observou-se diminuição dos níveis de ATP e da expressão da conexina 43 (Cx43), proteína essencial para a libertação de ATP.
Um estudo recente demonstrou que a redução da sinalização de ATP no hipocampo dorsal contribui diretamente para o desenvolvimento de comportamentos semelhantes à depressão e à ansiedade. Em modelos murinos masculinos expostos a stress crónico, observou-se diminuição dos níveis de ATP e da expressão da conexina 43 (Cx43), proteína essencial para a libertação de ATP.
A redução seletiva ou eliminação da Cx43 no hipocampo dorsal foi suficiente para induzir esses comportamentos, mesmo na ausência de stress. Por outro lado, a restauração do Cx43, ou a suplementação com ATP, normalizou os níveis de ATP e melhorou os sintomas. Estes resultados sugerem a existência de um mecanismo molecular comum, identificando o Cx43 como um potencial alvo terapêutico para a comorbilidade entre depressão e ansiedade.
Descobre mais em: https://neurosciencenews.com/stress-depression-atp-29972/
Nova abordagem híbrida de IA revoluciona a deteção de tumores cerebrais
Produções de Inverno
Investigadores desenvolveram um modelo híbrido de inteligência artificial que combina redes neurais convolucionais (CNN) com Vision Transformers (ViT) para melhorar significativamente a classificação de tumores cerebrais em imagens médicas. Esta abordagem tira partido da capacidade de extração de padrões das CNN e da atenção global dos ViT, reforçada com técnicas de fusão cross-attention e aumento de dados, para distinguir com maior precisão diferentes tipos de tumor em exames de ressonância magnética.
Investigadores desenvolveram um modelo híbrido de inteligência artificial que combina redes neurais convolucionais (CNN) com Vision Transformers (ViT) para melhorar significativamente a classificação de tumores cerebrais em imagens médicas. Esta abordagem tira partido da capacidade de extração de padrões das CNN e da atenção global dos ViT, reforçada com técnicas de fusão cross-attention e aumento de dados, para distinguir com maior precisão diferentes tipos de tumor em exames de ressonância magnética.
O novo sistema mostrou-se mais robusto e preciso do que métodos convencionais de análise de imagem, ajudando a reduzir erros de classificação que podem afetar decisões clínicas. Além disso, o uso de mecanismos de atenção melhora a interpretabilidade dos resultados, facilitando a confiança de profissionais de saúde em diagnósticos assistidos por IA.
Descobre mais em: https://bioengineer.org/advanced-hybrid-model-boosts-brain-tumor-classification/
Tecnologia de MRI Torna Tecido Canceroso Visível nas Imagens
Produções de Inverno
Investigadores da University of Waterloo criaram uma inovação em ressonância magnética (MRI) que faz o tecido canceroso “iluminar-se” nas imagens, facilitando a sua visualização em comparação com o tecido saudável. A técnica, chamada synthetic correlated diffusion imaging, explora as diferenças no movimento das moléculas de água entre tecidos normais e cancerosos, captando e analisando sinais de MRI de forma avançada para destacar áreas suspeitas.
Investigadores da University of Waterloo criaram uma inovação em ressonância magnética (MRI) que faz o tecido canceroso “iluminar-se” nas imagens, facilitando a sua visualização em comparação com o tecido saudável. A técnica, chamada synthetic correlated diffusion imaging, explora as diferenças no movimento das moléculas de água entre tecidos normais e cancerosos, captando e analisando sinais de MRI de forma avançada para destacar áreas suspeitas.
Os primeiros estudos aplicaram esta tecnologia a pacientes com cancro da próstata, revelando melhor capacidade de delinear o tecido afetado do que métodos tradicionais de MRI. Os investigadores afirmam que esta abordagem pode melhorar não só a deteção e o rastreio, mas também o planeamento do tratamento, tendo também mostrado resultados promissores para outros tipos de cancro.
Descobre mais em: https://uwaterloo.ca/news/media/mri-innovation-makes-cancerous-tissue-light-and-easier-see
Nanomateriais: a revolucionar o tratamento das doenças neurológicas
Produções de Inverno
Nos últimos anos, a neurologia tem beneficiado de avanços significativos impulsionados pela nanotecnologia, que surge como uma ferramenta promissora para transformar o diagnóstico e o tratamento das doenças neurológicas. Os nanomateriais, graças às suas propriedades únicas à escala nanométrica, permitem desenvolver abordagens mais eficazes e direcionadas, sobretudo na administração de fármacos. Uma das principais vantagens é a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, um dos maiores obstáculos da terapêutica neurológica, o que possibilita que os medicamentos cheguem de forma mais precisa às zonas afetadas do cérebro e reduz os efeitos adversos.
Nos últimos anos, a neurologia tem beneficiado de avanços significativos impulsionados pela nanotecnologia, que surge como uma ferramenta promissora para transformar o diagnóstico e o tratamento das doenças neurológicas. Os nanomateriais, graças às suas propriedades únicas à escala nanométrica, permitem desenvolver abordagens mais eficazes e direcionadas, sobretudo na administração de fármacos. Uma das principais vantagens é a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, um dos maiores obstáculos da terapêutica neurológica, o que possibilita que os medicamentos cheguem de forma mais precisa às zonas afetadas do cérebro e reduz os efeitos adversos.
Para além da libertação controlada de fármacos, os nanomateriais têm também aplicações relevantes no diagnóstico e na monitorização das doenças neurológicas, nomeadamente através do desenvolvimento de agentes de imagem mais sensíveis para técnicas como a ressonância magnética. Estes materiais também estão a ser explorados como veículos para terapias génicas e como agentes neuroprotetores com propriedades anti-inflamatórias, abrindo novas perspetivas no tratamento de patologias como a doença de Alzheimer, epilepsia e outras doenças neurodegenerativas.
Apesar do enorme potencial, permanecem desafios importantes relacionados com a segurança, toxicidade e regulamentação destas tecnologias. A investigação futura deverá focar-se não só na eficácia clínica, mas também na criação de normas rigorosas que garantam a utilização segura dos nanomateriais. Ainda assim, a integração da nanotecnologia na neurologia representa um passo decisivo rumo a uma medicina mais personalizada e eficaz, com impacto positivo na qualidade de vida dos doentes.
Descobre mais em: https://bioengineer.org/nanomaterials-revolutionizing-neurological-disorder-treatments/
#Nanotecnologia #DoençasNeurológicas #Nanomateriais #InovaçãoEmSaúde
Adesivo de ultrassons que é capaz de medir o volume da bexiga
Produções de Inverno
Milhões de pessoas sofrem de disfunção miccional e doenças relacionadas, e a monitorização do volume da bexiga é uma forma eficaz de avaliar a saúde e o bem-estar dos rins. Atualmente, a única forma de medir o volume da bexiga é através de ultrassonografia tradicional, que requer a visita a um centro médico.
Milhões de pessoas sofrem de disfunção miccional e doenças relacionadas, e a monitorização do volume da bexiga é uma forma eficaz de avaliar a saúde e o bem-estar dos rins. Atualmente, a única forma de medir o volume da bexiga é através de ultrassonografia tradicional, que requer a visita a um centro médico.
Tendo isto em conta, investigadores do MIT e da Universidade de Tecnologia de Xi’an desenvolveram um monitor de ultrassons vestível (wearable), em formato de adesivo, que é capaz de gerar imagens de órgãos internos, sem a necessidade de um operador de ultrassons ou da aplicação de gel. Quando testado na bexiga, demonstrou-se que as imagens são comparáveis àquelas tiradas a partir de métodos tradicionais, abrindo caminho para uma monitorização mais fácil e acessível para pacientes com perturbações na bexiga ou nos rins.
Descobre mais em: https://news.mit.edu/2023/ultrasound-patch-can-measure-how-full-your-bladder-is-1116
#Wearable #Imagiologia
Desbloquear o potencial da inteligência artificial na saúde
Produções de Inverno
A inteligência artificial tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante na área da saúde. Segundo um artigo publicado no Link to Leaders, esta tecnologia oferece oportunidades para melhorar a investigação clínica, o diagnóstico e a tomada de decisão médica. Nos últimos anos, têm sido desenvolvidos e financiados vários projetos, sobretudo em áreas como a saúde mental e as doenças neurológicas.
A inteligência artificial tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante na área da saúde. Segundo um artigo publicado no Link to Leaders, esta tecnologia oferece oportunidades para melhorar a investigação clínica, o diagnóstico e a tomada de decisão médica. Nos últimos anos, têm sido desenvolvidos e financiados vários projetos, sobretudo em áreas como a saúde mental e as doenças neurológicas.
No entanto, o artigo destaca que, para tirar o máximo partido desta ferramenta, é essencial o envolvimento ativo dos líderes em saúde. Estes devem garantir a qualidade dos dados, a integração da IA nos sistemas clínicos existentes e o cumprimento de normas éticas. Assim, a inteligência artificial poderá contribuir para a melhoria dos cuidados de saúde.
Descobre mais em: https://linktoleaders.com/desbloquear-o-potencial-da-inteligencia-artificial-oportunidades-para-lideres-em-saude/
Fibra inovadora desenvolvida para combater a doença de Alzheimer
Produções de Inverno
Uma equipa de investigação da Virginia Tech está a desenvolver uma fibra neural minimamente invasiva para avançar o estudo e o tratamento da doença de Alzheimer. Financiado pelos NIH, o projecto visa criar um dispositivo ultrafino, com acesso profundo ao cérebro, que combine estimulação eléctrica, administração de fármacos e imagiologia de dupla modalidade numa única fibra.
Uma equipa de investigação da Virginia Tech está a desenvolver uma fibra neural minimamente invasiva para avançar o estudo e o tratamento da doença de Alzheimer. Financiado pelos NIH, o projecto visa criar um dispositivo ultrafino, com acesso profundo ao cérebro, que combine estimulação eléctrica, administração de fármacos e imagiologia de dupla modalidade numa única fibra.
A tecnologia tem como alvo o hipocampo, permitindo o estudo dos depósitos de amiloide associados à perda de memória. Liderada por Xiaoting Jia e colaboradores, a equipa dispõe de 12 meses para desenvolver dois protótipos. Se for bem-sucedido, o projeto poderá transformar a investigação sobre o Alzheimer e contribuir para o desenvolvimento de terapias mais eficazes.
Descobre mais em:
https://neurosciencenews.com/alzheimers-fiber-neurotech-25279/
A medicina de precisão está a revolucionar o tratamento do cancro em Portugal
Produções de Inverno
A Medicina de Precisão, centralizada no IPO do Porto, representa uma mudança de paradigma na oncologia nacional. Através da sequenciação genómica, tornou-se possível identificar biomarcadores e mutações específicas, como as proteínas de fusão TRK, que atuam como motores do crescimento tumoral.
A Medicina de Precisão, centralizada no IPO do Porto, representa uma mudança de paradigma na oncologia nacional. Através da sequenciação genómica, tornou-se possível identificar biomarcadores e mutações específicas, como as proteínas de fusão TRK, que atuam como motores do crescimento tumoral.
Esta abordagem permite desenhar ensaios clínicos direcionados, beneficiando doentes com tumores raros que carecem de tratamentos convencionais. Ao contrário das terapias genéticas, os testes genómicos personalizam o diagnóstico e antecipam tratamentos eficazes, reduzindo intervenções desnecessárias. Assim, a ciência evolui de um modelo reativo para uma estratégia preditiva, focada na especificidade genética de cada indivíduo para combater a origem da sua doença.
Descobre mais em: https://www.dn.pt/arquivo/diario-de-noticias/-como-a-medicina-de-precisao-esta-a-revolucionar-o-tratamento-do-cancro-em-portugal–14557488.html
Scaffolds de PRP e fibrina podem impulsionar a regeneração nervosa
Produções de Inverno
As lesões na medula espinhal representam um dos maiores desafios na medicina moderna, frequentemente aliadas à paralisia irreversível e à perda das funções sensoriais. Face à escassez de terapias eficazes, um estudo inovador demonstrou o notável potencial de scaffolds de fibrina e Plasma Rico em Plaquetas (PRP) como uma estratégia promissora para revolucionar os protocolos de tratamento destas lesões.
As lesões na medula espinhal representam um dos maiores desafios na medicina moderna, frequentemente aliadas à paralisia irreversível e à perda das funções sensoriais. Face à escassez de terapias eficazes, um estudo inovador demonstrou o notável potencial de scaffolds de fibrina e Plasma Rico em Plaquetas (PRP) como uma estratégia promissora para revolucionar os protocolos de tratamento destas lesões.
O PRP, obtido a partir do sangue autólogo, quando ativado, liberta fatores de crescimento e citocinas fundamentais para a reparação dos tecidos neuronais danificados. Os investigadores relataram que os scaffolds de fibrina e PRP criaram uma matriz tridimensional que mimetiza o ambiente extracelular, favorecendo a adesão celular e o crescimento axonal. Os resultados evidenciaram que este ambiente regenerativo estabelecido, com potencial para aumentar as conexões sinápticas e restaurar vias funcionais, pode melhorar significativamente a função motora e a recuperação sensorial.
Para além de avaliarem a extensão da regeneração axonal, a eficiência da integração celular e a restauração da função neurológica ao longo do tempo, os investigadores demonstraram que os scaffolds apresentam propriedades mecânicas adequadas para resistir ao ambiente dinâmico da medula espinhal sem comprometer a integridade estrutural. Apesar dos resultados promissores, a transição do sucesso pré-clínico para a aplicação clínica exigirá ensaios adicionais para validar a segurança e eficácia. A colaboração entre bioengenheiros e clínicos será essencial para dar continuidade a esta estratégia promissora na medicina regenerativa, com potencial aplicação noutras condições neurodegenerativas.
Descobre mais em: https://bioengineer.org/boosting-nerve-healing-with-prp-fibrin-scaffolds/
VoxeLite: tecnologia háptica que aproxima o toque humano das experiências virtuais com precisão sem precedentes
Produções de Inverno
O VoxeLite, desenvolvido por engenheiros da Northwestern University, constitui um dispositivo háptico vestível ultrafino, notável pela sua capacidade de replicar sensações táteis com a precisão do toque humano. Este patch flexível, de peso comparável ao de um curativo, emprega uma matriz de “pontos de toque” eletroadesivos para simular texturas finas e a direção da textura de forma detalhada e em alta velocidade. Ao alcançar resoluções espaciais e temporais equiparáveis às da pele, o VoxeLite supera a limitação histórica da baixa resolução no toque digital, assinalando um avanço significativo que aproxima as sensações táteis naturais das interações digitais.
O VoxeLite, desenvolvido por engenheiros da Northwestern University, constitui um dispositivo háptico vestível ultrafino, notável pela sua capacidade de replicar sensações táteis com a precisão do toque humano. Este patch flexível, de peso comparável ao de um curativo, emprega uma matriz de “pontos de toque” eletroadesivos para simular texturas finas e a direção da textura de forma detalhada e em alta velocidade. Ao alcançar resoluções espaciais e temporais equiparáveis às da pele, o VoxeLite supera a limitação histórica da baixa resolução no toque digital, assinalando um avanço significativo que aproxima as sensações táteis naturais das interações digitais.
Com menos de um grama de peso, o dispositivo adapta-se confortavelmente ao dedo sem interferir no toque natural, fomentando diversas aplicações. Entre elas, destacam-se a realidade virtual mais imersiva, interfaces homem-máquina mais intuitivas e tecnologias assistivas, como interfaces táteis para indivíduos com deficiência visual. Testes efetuados com participantes demonstraram a elevada precisão na identificação de texturas virtuais e materiais reais. Estes resultados sublinham o potencial do VoxeLite tanto para o entretenimento digital quanto para contextos práticos de comunicação tátil e interação avançada com máquinas.
Descobre mais em: https://neurosciencenews.com/haptic-sensory-neurotech-29957/
Modelo de Machine Learning para Prever Sarcopenia em Idosos
Produções de Inverno
Investigadores desenvolveram um modelo de machine learning capaz de prever a presença de sarcopenia em idosos que vivem em comunidade, utilizando informações detalhadas sobre saúde, hábitos de vida, composição corporal e histórico médico de participantes do Korean Frailty and Aging Cohort Study. A sarcopenia é uma condição associada ao envelhecimento e caracteriza-se pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico, estando diretamente relacionada com fragilidade, quedas frequentes e perda de autonomia. A identificação precoce continua a ser um desafio clínico, uma vez que muitos métodos tradicionais apenas detetam a doença em fases avançadas.
Investigadores desenvolveram um modelo de machine learning capaz de prever a presença de sarcopenia em idosos que vivem em comunidade, utilizando informações detalhadas sobre saúde, hábitos de vida, composição corporal e histórico médico de participantes do Korean Frailty and Aging Cohort Study. A sarcopenia é uma condição associada ao envelhecimento e caracteriza-se pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico, estando diretamente relacionada com fragilidade, quedas frequentes e perda de autonomia. A identificação precoce continua a ser um desafio clínico, uma vez que muitos métodos tradicionais apenas detetam a doença em fases avançadas.
O modelo proposto baseou-se na análise de múltiplas variáveis clínicas e comportamentais, alcançando um elevado nível de precisão na previsão do risco de sarcopenia. Entre os principais fatores identificados destacam-se baixos níveis de atividade física, doenças crónicas, alterações metabólicas e défices nutricionais. Estes resultados demonstram como a inteligência artificial pode apoiar decisões médicas, permitindo intervenções preventivas mais direcionadas e personalizadas.
Segundo os autores, a aplicação deste tipo de modelo poderá facilitar a implementação de estratégias de prevenção em larga escala, promovendo programas de exercício físico, acompanhamento nutricional e monitorização contínua da saúde muscular em populações envelhecidas. Esta abordagem representa um passo importante para a integração de tecnologias baseadas em dados no cuidado geriátrico, com potencial para melhorar a qualidade de vida dos idosos e reduzir a pressão sobre os sistemas de saúde.
Descobre mais em: https://bioengineer.org/machine-learning-model-to-predict-sarcopenia-in-seniors/
Terapias orientadas por biomarcadores revolucionam o carcinoma urotelial
Produções de Inverno
Nos últimos anos, o tratamento do carcinoma urotelial avançado tem evoluído de forma significativa graças ao desenvolvimento de terapias alvo-dirigidas e à imunoterapia, em particular, os inibidores dos checkpoints imunitários. Estas abordagens trouxeram novas perspetivas para uma doença tradicionalmente associada a um prognóstico reservado, mas cujos resultados clínicos continuam a variar entre doentes. Esta variabilidade evidencia a complexidade biológica do tumor e reforça a importância da identificação de biomarcadores fiáveis que permitam selecionar melhor os doentes e aumentar a eficácia dos tratamentos.
Nos últimos anos, o tratamento do carcinoma urotelial avançado tem evoluído de forma significativa graças ao desenvolvimento de terapias alvo-dirigidas e à imunoterapia, em particular, os inibidores dos checkpoints imunitários. Estas abordagens trouxeram novas perspetivas para uma doença tradicionalmente associada a um prognóstico reservado, mas cujos resultados clínicos continuam a variar entre doentes. Esta variabilidade evidencia a complexidade biológica do tumor e reforça a importância da identificação de biomarcadores fiáveis que permitam selecionar melhor os doentes e aumentar a eficácia dos tratamentos.
Entre os avanços mais relevantes, destaca-se a identificação de mutações no gene FGFR3, que já permite orientar terapias específicas em subgrupos de doentes. Outros biomarcadores, como a expressão de PD-L1, a carga mutacional tumoral (TMB) e a superexpressão de HER2, estão a ser investigados, embora ainda com algumas limitações na sua aplicação clínica. Paralelamente, técnicas inovadoras como a biópsia líquida, nomeadamente através da análise de DNA tumoral circulante (ctDNA), estão a ganhar importância por possibilitarem uma monitorização menos invasiva e mais dinâmica da doença e da resposta ao tratamento.
O artigo revisto sublinha ainda que o futuro da abordagem terapêutica passa por estratégias cada vez mais personalizadas, combinando múltiplos biomarcadores e diferentes tecnologias moleculares. Apesar dos progressos, persistem desafios como a necessidade de padronização dos testes, validação clínica robusta e integração na prática clínica. Ainda assim, o avanço da oncologia de precisão no carcinoma urotelial representa uma oportunidade concreta para melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida dos doentes.
Descobre mais em: https://bioengineer.org/biomarker-guided-therapies-revolutionize-urothelial-carcinoma/
#CarcinomaUrotelial #OncologiaDePrecisão #Biomarcadores #Imunoterapia
A aplicação de ferramentas de aprendizagem automática (Machine Learning) para a estratificação pelo risco em serviços de urgência
Produções de Inverno
Nos serviços de urgência, uma estratificação pelo risco rápida e precisa é essencial para a otimização do cuidado dos pacientes. Deste modo, há uma constante procura por melhores instrumentos de estratificação, capazes de apoiar uma tomada de decisão mais informada por parte dos clínicos nestes contextos.
Nos serviços de urgência, uma estratificação pelo risco rápida e precisa é essencial para a otimização do cuidado dos pacientes. Deste modo, há uma constante procura por melhores instrumentos de estratificação, capazes de apoiar uma tomada de decisão mais informada por parte dos clínicos nestes contextos.
Um recente estudo, conduzido como um ensaio randomizado controlado, usa um instrumento de aprendizagem automática (Machine Learning), chamado RISKINDEX , que prevê, com base em valores laboratoriais de rotina, idade e sexo, a mortalidade de um paciente em 31 dias. A sua exatidão de prognóstico foi então comparada com a intuição dos médicos e com a exatidão de outros instrumentos de previsão clínica (NEWS, APACHE II e SOFA), e foi avaliado o seu impacto clínico como um todo.
Em termos de exatidão, o RISKINDEX igualou ou superou a intuição clínica, e demonstrou desempenho estatisticamente superior ao dos instrumentos de previsão clínica tradicionais. Além disso, as expectativas dos médicos coincidiram com as previsões do instrumento em apenas metade dos casos. Porém, apesar da sua alta exatidão, o RISKINDEX mostrou um impacto clínico reduzido, não tendo levado a alterações nos planos de tratamento, sendo ainda avaliado pelos clínicos como tendo baixo valor acrescentado para a prática clínica.
Este estudo revela o impacto que a Inteligência Artificial pode ter no auxílio da prática clínica, devido à sua alta precisão. Contudo, demonstra que essa exatidão por si só não é suficiente, e aponta para a importância de modelos de design acionáveis e centrados no utilizador, de modo a garantir relevância, confiança e capacidade de resposta, criando um efeito substantivo na intervenção clínica.
Descobre mais em: https://www.nature.com/articles/s41467-025-66947-7
#MachineLearning #InteligênciaArtificial #PráticaClínica
O cérebro tem um modo de dança, e a inteligência artificial conseguiu mapeá-lo
Produções de Inverno
Como sabemos, dança é uma arte que combina movimento, música e emoção. Uma investigação recente, divulgada pelo Neuroscience News, mostra como a inteligência artificial pode ajudar a compreender a forma como o cérebro humano processa a dança. A atividade cerebral dos participantes foi analisada com recurso à ressonância magnética funcional enquanto estes observavam vídeos de dança. Ao mesmo tempo, um modelo de inteligência artificial, treinado com milhares de vídeos, foi utilizado para identificar padrões de movimento e de música presentes nas danças, permitindo comparar esses padrões com a atividade registada no cérebro.
Como sabemos, dança é uma arte que combina movimento, música e emoção. Uma investigação recente, divulgada pelo Neuroscience News, mostra como a inteligência artificial pode ajudar a compreender a forma como o cérebro humano processa a dança.
A atividade cerebral dos participantes foi analisada com recurso à ressonância magnética funcional enquanto estes observavam vídeos de dança. Ao mesmo tempo, um modelo de inteligência artificial, treinado com milhares de vídeos, foi utilizado para identificar padrões de movimento e de música presentes nas danças, permitindo comparar esses padrões com a atividade registada no cérebro.
Os resultados mostraram que as áreas do cérebro responsáveis pela integração de informação visual e auditiva respondem melhor quando som e movimento são analisados em conjunto e não separadamente, ou seja, o cérebro percebe a dança como uma experiência integrada. Além disso, os participantes com experiência em dança apresentaram padrões cerebrais mais complexos, o que faz sentido uma vez que têm uma perceção mais rica dos movimentos.
O estudo revelou ainda semelhanças entre a forma como a inteligência artificial prevê movimentos futuros e os mecanismos preditivos do cérebro humano. Estes resultados demonstram o potencial da inteligência artificial como ferramenta para aprofundar o conhecimento sobre o funcionamento do cérebro humano e a perceção artística.
Descobre mais em: https://neurosciencenews.com/brain-dance-ai-29960/
Ultrassons neurais potenciam a aprendizagem em 60 segundos
Produções de Inverno
Investigadores demonstraram, pela primeira vez, que a aprendizagem por recompensa em humanos pode ser alterada de forma não invasiva através da estimulação magnética transcraniana (EMT). Ao direcionar ultrassons para o núcleo accumbens — uma estrutura do cérebro fundamental para a motivação, a aprendizagem por reforço e a sinalização dopaminérgica — os cientistas conseguiram modificar a forma como os participantes aprendiam a partir de recompensas.
Investigadores demonstraram, pela primeira vez, que a aprendizagem por recompensa em humanos pode ser alterada de forma não invasiva através da estimulação magnética transcraniana (EMT). Ao direcionar ultrassons para o núcleo accumbens — uma estrutura do cérebro fundamental para a motivação, a aprendizagem por reforço e a sinalização dopaminérgica — os cientistas conseguiram modificar a forma como os participantes aprendiam a partir de recompensas.
No estudo, 26 voluntários saudáveis receberam breves sessões de estimulação por ultrassons, com duração de pouco mais de um minuto. Após a estimulação, os participantes apresentaram uma maior sensibilidade ao feedback positivo, aprenderam associações baseadas em recompensa mais rapidamente e mostraram uma maior tendência para repetir escolhas que tinham anteriormente resultado em desfechos positivos. Estas alterações comportamentais são semelhantes aos efeitos anteriormente alcançados apenas através da Estimulação Cerebral Profunda (ECP), um procedimento neurocirúrgico que envolve a implantação de eletrodos no cérebro. No entanto, a EMT produziu estes efeitos sem necessidade de incisões ou implantes, constituindo uma alternativa mais segura e flexível.
A investigação, publicada na revista Nature Communications, foi liderada pela Universidade de Plymouth, em colaboração com instituições como a Universidade de Oxford e a Universidade Brown. Segundo a investigadora principal, a professora Elsa Fouragnan, a capacidade de modular o núcleo accumbens de forma não invasiva e sem provocar alterações comportamentais generalizadas abre novas possibilidades para intervenções clínicas personalizadas.
Estes resultados indicam que a estimulação magnética transcraniana poderá, no futuro, ser utilizada no tratamento de perturbações psiquiátricas e neurológicas associadas a disfunções nos circuitos de recompensa, como a dependência, a depressão, a ansiedade e os distúrbios de comportamento alimentar, representando um avanço significativo nas tecnologias de estimulação cerebral não invasiva.
Descobre mais em:
https://neurosciencenews.com/neurotech-ultrasound-learning-29992/
As minúsculas “bolas de gordura” que podem revolucionar a medicina
Produções de Inverno
Nos últimos anos, cientistas e engenheiros têm desenvolvido sistemas de entrega para terapias de ácidos nucleicos, como DNA e RNA, recorrendo a nanopartículas lipídicas, designadas como “bolas de gordura” numa linguagem mais corrente. A verdadeira questão centraliza-se na funcionalidade das mesmas.
Nos últimos anos, cientistas e engenheiros têm desenvolvido sistemas de entrega para terapias de ácidos nucleicos, como DNA e RNA, recorrendo a nanopartículas lipídicas, designadas como “bolas de gordura” numa linguagem mais corrente. A verdadeira questão centraliza-se na funcionalidade das mesmas.
As nanopartículas lipídicas são constituídas essencialmente por gordura. Atendendo à natureza das bicamadas fosfolipídicas celulares, estas apresentam uma elevada biocompatibilidade, o que facilita a sua interação e subsequente fusão com as membranas citoplasmáticas. Uma vez no interior da célula, o mRNA que nestas se encontra englobado é libertado. As nanopartículas são ainda constituídas por fosfolípidos, colesterol, lípidos ionizáveis, que atuam na libertação de mRNA, e Polietilenoglicol, um polímero sintético versátil também conhecido como PEG. Poderia considerar-se paradoxal a utilização do colesterol em terapias baseadas em nanopartículas lipídicas, dada a conotação negativa que este composto frequentemente assume. No entanto, o colesterol desempenha um papel fisiológico indispensável na manutenção da homeostasia das membranas biológicas e no caso das nanopartículas, este inserir-se-á nos buracos que existem entre os fosfolípidos conferindo a estas partículas estrutura e suporte.
A administração de vacinas baseadas em estruturas lipídicas capacita o organismo a desenvolver mecanismos de imunidade ativa. Ao ser libertado no citosol, o mRNA funciona como um molde genético que instrui as células a sintetizarem proteínas específicas do patógeno, no caso da COVID-19, a proteína Spike, permitindo ao sistema imunitário reconhecer e neutralizar futuras ameaças de forma eficaz.
Esta tecnologia transcende a virologia, apresentando um vasto potencial terapêutico para doenças genéticas, como a Fibrose Cística, a Distrofia Muscular e a Anemia Falciforme. No domínio da oncologia, o mRNA é utilizado para programar o sistema imunitário a identificar e eliminar seletivamente células tumorais. Adicionalmente, a comunidade científica antecipa que esta plataforma possa viabilizar o desenvolvimento de vacinas eficazes contra patologias complexas e de elevada mortalidade, nomeadamente a Malária, o HIV e o Ébola.
Descobre mais em: https://www.ted.com/talks/kathryn_a_whitehead_the_tiny_balls_of_fat_that_could_revolutionize_medicine#t-297406
