Avançar para o conteúdo

Conferência Nacional de Engenharia Biomédica

A Conferência Nacional de Engenharia Biomédica, organizada pela ANEEB, é um evento pioneiro de teor pedagógico e informativo tendo como mote primordial a análise e discussão coletiva de assuntos relativos ao ensino da Engenharia Biomédica e a sua promoção no contexto atual e futuro da Saúde.

A 3ª edição da Conferência Nacional de Engenharia Biomédica realizou-se nos dias 25 e 26 de setembro de 2026, na sede da Ordem dos Engenheiros, em Coimbra. Ao longo do evento, os participantes tiveram oportunidade de se deleitar com o diverso programa pedagógico e também aproveitar momentos de convívio. 

25 de setembro

Sessão de Abertura

A Conferência Nacional de Engenharia Biomédica (CNEB) teve início com uma sessão de abertura que reuniu figuras de destaque da Ordem dos Engenheiros e da Associação Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica (ANEEB), num momento que assinalou não só o começo do evento, mas também uma reflexão sobre o papel da engenharia biomédica na sociedade e na comunidade académica.

A sessão foi aberta por Isabel Lança, Presidente do Conselho Diretivo da Região Centro da Ordem dos Engenheiros, que dirigiu algumas palavras sobre o papel da Ordem e a sua relação com a engenharia na comunidade académica. Isabel Lança aproveitou a ocasião para apresentar o programa E+, desenvolvido pela Ordem na região Centro, dirigido a jovens que dedicam o seu tempo a atividades para além do estudo e do lazer académico. Destacou ainda a importância dos estudantes de engenharia na divulgação das escolas, sublinhando o seu papel enquanto incentivo para atrair novos jovens à área.

Seguiu-se a intervenção de Ana Freire, Presidente do Colégio de Engenharia Biomédica e Bioengenharia da Ordem dos Engenheiros, que manifestou o seu orgulho pela conferência e pelo trabalho desenvolvido em torno do evento. Na sua fala, sublinhou a indispensabilidade do papel do engenheiro biomédico e a importância do seu reconhecimento, destacando o contributo da Ordem nesse processo e apelando à inscrição dos jovens engenheiros. Ana Freire encerrou a sua intervenção com uma mensagem inspiradora, afirmando que a profissão é sempre aquilo que cada um faz dela, e que o reconhecimento se constrói através de motivação e responsabilidade.

Por fim, Filipa Vieira, Presidente da ANEEB, encerrou a sessão de abertura falando sobre o percurso da engenharia biomédica, com particular destaque para a crescente evolução da inteligência artificial na área. Sublinhou, por isso mesmo, a relevância desta conferência como espaço de partilha, incentivando o convívio entre os participantes e a troca de experiências e ideias. Filipa Vieira falou também sobre a ANEEB e o seu papel enquanto representante dos estudantes de engenharia biomédica a nível nacional, fazendo um balanço do percurso do mandato e reforçando a importância da proximidade entre a associação e os estudantes. A intervenção terminou com agradecimentos dirigidos a Ana Freire e a Isabel Lança, a todos os oradores presentes na CNEB, e à equipa da ANEEB responsável pela organização do evento.

 

Roundtable – Liderança na Engenharia e na Saúde

Na área da saúde, todas as decisões têm impacto direto na vida de alguém. Ana Freire, Product Owner na ByMe e moderadora desta roundtable, falou com Filipa Batista, responsável pela área de Digital & Automation da Siemens Healthineers Portugal, Filipe Granhão, Partner na Deloitte Portugal e Francisco Andrade, Business Excellence Director na Johnson & Johnson, acerca dos seus percursos profissionais, e explorou os principais dilemas e dificuldades que sentiam em posições de liderança.

Antes de serem líderes, todos os oradores aprenderam através de exemplos – alguns específicos, como um mentor de Filipe Granhão, que lhe ensinou o perigo da  microgestão de uma equipa, e outro de Filipa Batista, que lhe ajudou a perceber a importância de trabalhar com os colegas para atingir melhores resultados. Francisco Andrade falou de como aprendeu com todos os líderes que teve, seja pelo exemplo, seja pelo aviso.

Como líderes, os oradores falaram sobre a importância da curiosidade, do trabalho em equipa, e da responsabilidade que trabalhar na área da saúde implica. Acerca de momentos difíceis, mencionaram a necessidade de gerir a atenção da equipa, e da dificuldade em contrariar o conservadorismo e de inovar dentro da empresa.

Também fizeram uma análise de paradigmas mais globais, como o futuro da liderança e da saúde e os meios para reter talento em Portugal. Alertaram para o risco da perda humana na saúde, com o crescimento da Inteligência Artificial, e sublinharam a importância do pensamento crítico na nova era da tecnologia. Além disso, notaram a relevância da cultura das empresas como um grande fator na manutenção de talento jovem em Portugal – as empresas não precisam de procurar necessariamente os profissionais com mais competências, mas sim os que se alinham mais com os seus valores.

Houve ainda espaço para dicas para estudantes e novos profissionais, acerca do recrutamento e de como lidar com a frustração na escolha do primeiro emprego. Acerca do recrutamento, mencionaram as soft skills, principalmente a comunicação, como fator diferenciador, assim como o conhecimento acerca da empresa e da sua cultura – não deixando de parte, claro, os conhecimentos base, a adaptabilidade, o espírito crítico e a resolução de problemas. A respeito do primeiro emprego, deixaram a tranquilidade de não ser uma escolha decisiva para a vida, e a realidade de não ser o emprego de sonho que tanto se deseja.

Para finalizar, ainda houve espaço para responder a perguntas do público, onde se falou sobre o salário de um engenheiro biomédico, e se elogiou as novas leis europeias referentes à transparência salarial nas empresas. 

 

Palestra – Saúde Global: Levar Tecnologia a Quem Mais Precisa

Como se transforma a identificação de uma necessidade de saúde numa solução tecnológica que chegue, de facto, a quem dela precisa? Foi esta a pergunta que serviu de mote à sessão “Saúde Global – levar a tecnologia a quem mais precisa”.

O painel foi moderado por João Quintas, Investigador Principal no IPN (Instituto Pedro Nunes), com trabalho em robótica, inteligência artificial e tecnologia aplicada à saúde, e contou com Patrícia Patrício, Diretora de Inovação no Health Cluster Portugal, e Ana Abecais, Professora Associada e Diretora da Unidade de Saúde Global do IHMT NOVA.

Patrícia Patrício alertou para os riscos de assumir realidades de contextos que não conhecemos bem, já que uma solução pode não ser adequada a todos os serviços para os quais é pensada, reforçando a importância de contactar diferentes entidades e de evitar o desperdício de recursos escassos. Ana Abecais concordou, defendendo que o ponto de partida deve ser sempre “ir para o terreno”, e partilhou uma experiência em São Tomé e Príncipe onde constatou realidades muito diferentes das europeias.

João Quintas sublinhou que o desenvolvimento de uma solução não é um processo linear, dando o exemplo de diferenças de linguagem entre profissionais de formações distintas que dificultaram um projeto. Questionada sobre o levantamento de necessidades em contextos muito diferentes do português, Ana Abecais apontou a falta de capacidade de pagamento como um entrave comum, exemplificando com um projeto na Guiné-Bissau interrompido pelo golpe de Estado de 2023 e só agora retomável, três anos depois.

João Quintas trouxe ainda duas perspetivas sobre o desenvolvimento de soluções: a técnica, hoje facilitada pela IA, e a regulamentar, frequentemente o ponto onde os projetos esbarram por não terem sido devidamente acautelados. Patrícia Patrício destacou a importância de contactar entidades especializadas nesses casos.

Ana Abecais recordou ainda dificuldades vividas no terreno, como a falta de eletricidade na Guiné-Bissau durante a pandemia, material mal conservado e a dificuldade dos recursos humanos locais em usar certos equipamentos. O painel abordou também a importância dos comités de ética e de conhecer todos os passos necessários até um dispositivo chegar ao mercado, com Patrícia Patrício a alertar para a tendência de algumas empresas em ignorar os recursos necessários para corresponder às expectativas do cliente.

Por fim, João Quintas questionou se uma solução tecnológica que funciona mas não chega a todos pode ser considerada bem-sucedida. Ana Abecais defendeu que uma boa solução é aquela que funciona bem para poucos, uma perspetiva moldada pelo contacto próximo com a falta de recursos no terreno. Patrícia Patrício considerou que a questão diz mais sobre a responsabilidade de quem desenvolve a solução do que sobre a tecnologia em si. João Quintas admitiu que a sua perspetiva mudou ao longo dos anos, reconhecendo que uma solução depende também do financiamento e das condições sociais.

 

Speed Dating e Feira de Empresas

Na sessão de Speed Dating estiveram presentes Tiago Silva e André Coelho, da Medtronic, Eduarda Pedrosa, da Siemens, Rafaela Carvalho, da Loka, Sofia Rôlo, da Bluepharma, João Amorim, da NU-RISE, Maria Pires, da MGOrtopedia, e Carlos Gomes, da Stago Portugal, permitindo o contacto com percursos reais de profissionais de diferentes áreas.

Na Feira de Empresas estiveram presentes a Astrolabe, a Accenture e a Iberdata. A BIQ e Cozecare, devido a imprevistos, não conseguiram estar presentes na feira de empresas, mas continuaram a apoiar o evento.

 

Sunset

O primeiro dia da Conferência Nacional de Engenharia Biomédica terminou com o Sunset, um momento de convívio que reuniu os participantes num ambiente informal, após um dia dedicado a sessões e debates.

O evento contou com acompanhamento musical e com um jantar composto por bifanas, uma escolha tradicional que contribuiu para um ambiente descontraído e acolhedor. Ao longo da noite, os estudantes tiveram a oportunidade de conversar, conhecer-se melhor e trocar experiências e perspetivas sobre a área.

Momentos como este têm um valor especial num encontro nacional, pois aproximam estudantes de diferentes universidades e ajudam a criar ligações que podem continuar muito para além da conferência.

O Sunset foi, assim, um encerramento marcado pela proximidade e pelo espírito de comunidade, valores que a conferência procura fomentar ao longo de toda a sua programação.

26 de setembro

Palestra – Autópsia a um Desatre Biomédico

A sessão “Autópsia a um Desastre Biomédico”, conduzida por Daniela Marques Dias, Assistente Convidada na Universidade de Leiria e Oeste e investigadora associada ao Centro de Direito Biomédico, propôs uma análise de um caso real de falha tecnológica na área da saúde, explorando as suas causas e as falhas éticas e regulamentares que contribuíram para o seu impacto.

Ao longo da sessão, foi apresentado o caso do algoritmo Impact Pro, desenvolvido pela Optum e utilizado nos Estados Unidos para atribuir um risk score aos pacientes e identificar aqueles que necessitavam de cuidados adicionais. O principal problema estava na variável utilizada pelo algoritmo para estimar as necessidades dos doentes: os custos de saúde. Esta variável não refletia necessariamente a gravidade das condições clínicas. Como consequência, pacientes negros, que apresentavam, em média, menores custos de saúde devido ao menor acesso aos cuidados, podiam ser considerados de menor risco, apesar de apresentarem necessidades de saúde semelhantes ou superiores.

O caso permitiu ainda discutir outras falhas importantes, nomeadamente a ausência de testes piloto, de auditorias após a implementação e de mecanismos adequados de supervisão. Foram também abordados conceitos como o black-box effect, a transparência dos sistemas de inteligência artificial e a necessidade de regulamentação específica que assegure a segurança e o acompanhamento destas tecnologias na área da saúde.

A sessão terminou com uma reflexão sobre as responsabilidades dos diferentes intervenientes e sobre as medidas que podem prevenir situações semelhantes no futuro. Entre as principais aprendizagens destacaram-se a importância de compreender o que realmente representam as variáveis utilizadas pelos algoritmos, validar as ferramentas antes da sua implementação, garantir transparência e documentação e assegurar auditorias e supervisão contínuas. Mais do que uma questão tecnológica, o caso demonstrou como uma ferramenta aparentemente administrativa pode influenciar decisões clínicas e afetar precisamente aqueles que mais necessitam de cuidados.

 

Palestra – IFMBE: Purpose, Community, Future

A sessão “IFMBE: Purpose, Community, Future” foi moderada por Filipa Vieira e Margarida Lima, Presidente e Vice-Presidente da ANEEB, em virtude da ausência imprevista da Prof.ª Martha Zequera Diaz. O painel contou com o Prof. Ratko Magjarević (Past President da IFMBE) e o Prof. Paulo de Carvalho (Coordenador da Divisão de Saúde Digital da IFMBE), tendo como objetivo apresentar a missão da federação, debater a integração dos jovens e analisar os rumos da Engenharia Biomédica.

Durante a palestra, foi destacado o impacto da IFMBE no suporte tecnológico à Organização Mundial da Saúde (OMS) e o seu foco em países de baixo e médio rendimento. O Prof. Paulo de Carvalho enalteceu o percurso da ANEEB, apontando-a como uma referência internacional e anunciando que a associação servirá de modelo para a integração formal de organizações de estudantes nos estatutos da IFMBE. Foi ainda abordada a criação de um comité permanente de estudantes, desenhado para disponibilizar bolsas de viagem e promover eventos dedicados aos jovens investigadores.

Os oradores partilharam também as suas trajetórias profissionais, sublinhando que a dedicação e o impacto real na vida dos doentes são o motor da disciplina. No que toca ao panorama científico, foi salientada a elevada competitividade e qualidade da investigação em Engenharia Biomédica realizada em Portugal, bem posicionada face aos padrões europeus.

Por fim, no espaço de debate, foram apontados os principais desafios do futuro, como a necessidade de canalizar esforços não só para o diagnóstico, mas sobretudo para novos tratamentos em doenças cerebrais e crónicas, a adaptação das tecnologias às alterações climáticas e os limites da inteligência artificial. A sessão encerrou com o apelo aos futuros engenheiros biomédicos para que sigam a sua paixão, apostem na formação contínua e mantenham o foco em soluções desenvolvidas por humanos e para humanos.

 

Roundtable – Bússola Biomédica

A roundtable “Bússola Biomédica” reuniu diferentes profissionais da área para uma conversa sobre os vários caminhos que a Engenharia Biomédica pode proporcionar. Moderada por Ana Catarina Almeida, doutoranda no i3S/Universidade do Porto, a sessão contou com a participação de Ana Barros, Tech Analyst em AI & Data na Deloitte, Carolina Machado, Project Manager em Estratégia Regulamentar para Software Médico na Complear, e Sofia Alves, Consultant em Enterprise Applications na BIQ.

A conversa começou por explorar os percursos das oradoras, desde as primeiras oportunidades profissionais até às funções que desempenham atualmente. Através de uma dinâmica de “Mito ou Realidade?”, foram discutidos alguns dos conceitos mais associados à entrada no mercado de trabalho, como a importância da média, o papel da consultoria e da regulamentação, a relevância das soft skills, da capacidade de comunicação e do networking.

A sessão destacou também a importância das experiências adquiridas fora do percurso académico. Erasmus, associações, estágios e outras experiências extracurriculares foram apontados como oportunidades para desenvolver competências, conhecer diferentes áreas e compreender melhor quais os caminhos profissionais que mais se adequam a cada pessoa. As oradoras partilharam ainda aspetos dos seus próprios percursos que fariam de forma diferente e deixaram alguns conselhos aos estudantes que estão agora a começar a definir o seu caminho.

Na fase de perguntas do público, a conversa tornou-se ainda mais prática, abordando temas como as características valorizadas pelas empresas, estratégias para desenvolver uma boa rede de contactos e aspetos que podem fazer a diferença num processo de recrutamento. Houve ainda espaço para discutir a escolha do mestrado, incluindo a possibilidade de prosseguir os estudos em Portugal ou no estrangeiro.

Mais do que apresentar um percurso profissional ideal, a “Bússola Biomédica” mostrou que a Engenharia Biomédica permite explorar diferentes áreas e que as escolhas ao longo do percurso académico e profissional podem abrir portas para oportunidades bastante distintas.

 

Momento Recreativo

O momento recreativo foi assinalado pela dinâmica “Adivinha a Inovação”, um jogo por equipas que aliou ciência, tecnologia, Engenharia Biomédica e cultura geral num formato dinâmico e contra o relógio. A atividade teve como objetivo proporcionar uma pausa divertida e descontraída no programa da conferência, incentivando a cooperação, a partilha de conhecimentos e o espírito de equipa entre os participantes.

Ao longo da competição, as equipas foram desafiadas por diversas rondas que integraram pistas sonoras, perguntas de dedução progressiva, escolhas rápidas e desafios relâmpago. Entre o reconhecimento de sons fisiológicos e equipamentos hospitalares, a identificação de personalidades marcantes da ciência e questões de resposta direta sobre conceitos biomédicos, a dinâmica exigiu rapidez de raciocínio e grande capacidade de articulação entre os elementos de cada grupo.

O formato em contrarrelógio proporcionou um ambiente competitivo e muito participativo, testando a intuição e a cultura geral dos estudantes de forma leve e estimulante. O jogo culminou com o apuramento da equipa vencedora, que se destacou pela pontuação mais elevada ao longo dos desafios, tendo os seus membros sido premiados com um Pack Pura Adrenalina da Pena Aventura. A iniciativa encerrou com um balanço muito positivo, proporcionando um momento marcante de convívio e partilha entre todos os participantes. 

 

Keynote Session – Biofrabicação de materiais vivos com unidades programáveis

A sessão dedicada à biofabricação e à bioengenharia de materiais vivos contou com a participação do Prof. Vítor Gaspar, da Universidade de Aveiro, CICECO e Cellularis Biomodels. Ao longo da apresentação, foram explorados diferentes projetos de investigação que demonstram como a combinação entre biomateriais, células e tecnologias de biofabricação pode permitir desenvolver modelos biológicos cada vez mais próximos da complexidade dos tecidos humanos.

Um dos temas abordados foi o desenvolvimento de modelos tumorais in vitro através de bioimpressão 3D. Recorrendo a bioimpressoras e a diferentes tipos de biotintas, é possível organizar células de forma controlada e criar microtumores que podem ser utilizados no estudo de doenças e no teste de novos fármacos. Foi também apresentada a técnica de cryobioprinting, que permite congelar rapidamente a biotinta após a impressão, facilitando o armazenamento e transporte dos modelos sem comprometer a sua integridade. 

Outro dos projetos apresentados centrou-se nas CellGels, uma tecnologia baseada em hidrogéis que incorpora células estaminais e apresenta características programáveis e capacidade de regeneração. Foram apresentados estudos em modelos animais que demonstraram uma maior regeneração e formação de novo tecido cutâneo quando utilizados hidrogéis contendo células estaminais derivadas do tecido adiposo, incluindo regeneração vascular. Atualmente, esta tecnologia está também a ser explorada para desenvolver modelos tumorais de maiores dimensões, permitindo acompanhar processos como a metastização in vitro e testar potenciais tratamentos utilizando células tumorais do pulmão.

A sessão terminou com uma discussão sobre os desafios associados a estas tecnologias. Entre as questões colocadas pelo público esteve a capacidade dos modelos in vitro para reproduzir verdadeiramente a complexidade dos processos humanos, a avaliação da toxicidade dos tecidos desenvolvidos e os desafios regulamentares associados à sua utilização, nomeadamente no contexto da Food and Drug Administration (FDA).

A sessão demonstrou como a Engenharia Biomédica pode combinar diferentes áreas, desde os biomateriais e a bioimpressão 3D à engenharia celular, para criar modelos que permitem estudar doenças e desenvolver novas estratégias terapêuticas de forma cada vez mais controlada e personalizada.

 

Sessão de Encerramento

A Sessão de Encerramento assinalou o culminar dos trabalhos do evento, contando com as intervenções de Margarida Lima, Vice-Presidente da ANEEB, e do Prof. Paulo de Carvalho, Coordenador da Divisão de Saúde Digital da IFMBE, registando-se a ausência de Francisco Garcia, Presidente do Conselho Nacional de Juventude (CNJ). A sessão teve como propósito fazer um balanço global da conferência, destacar os marcos alcançados ao longo das várias atividades e projetar o futuro da comunidade académica e profissiona.

A sessão iniciou-se com a intervenção de Margarida Lima, que fez uma retrospetiva abrangente de todas as sessões e atividades que compuseram o programa, destacando o valor formativo das palestras, a proximidade proporcionada com o meio empresarial e os diversos momentos práticos e de partilha que enriqueceram a experiência dos participantes. Dirigiu ainda um profundo agradecimento a todos os oradores, participantes e patrocinadores pelo apoio fundamental, deixando um reconhecimento sentido a toda a equipa da ANEEB pela dedicação na organização e à Ordem dos Engenheiros pelo apoio institucional e pela cedência das instalações.

De seguida, o Prof. Paulo de Carvalho congratulou a Associação pelo rigor e pela organização da conferência, enaltecendo o empenho da associação na promoção de iniciativas desta dimensão, essenciais para o desenvolvimento dos futuros profissionais. Reiterou ainda o papel de liderança e a projeção internacional da ANEEB, sublinhando a importância da ligação entre a comunidade científica e as novas gerações na construção de soluções tecnológicas com verdadeiro impacto na saúde. A conferência encerrou num ambiente de dever cumprido e celebração, deixando uma forte mensagem de motivação para o futuro da área.

 

Sara Meirinhos

Médica Interna de Formação Específica em Doenças Infecciosas no Hospital Universitário Santa Maria

André Santos

Professor na Escola de Saúde Pública da Universidade NOVA, Subdiretor-Geral em substituição na Direção-Geral de Saúde de Portugal e Chair do working group do projecto PaRIS da OCDE

Gonçalo Leal

Engenheiro Biomédico com mais de 15 anos de experiência e, atualmente, Medical Imaging Business Manager do grupo Luz Saúde

Hugo Ferreira

Professor Associado na FCUL, Medical Doctor na ULS Santa Maria, Co-Founder da Ablute e Founder e Principal Investigator da EDGE Digital Lab

    Nuno Duarte

    Diretor do Serviço de Instalações da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, Vogal do Conselho Português para a Saúde e Ambiente e Coordenador do Gabinete de Projetos e Obras Centro Hospitalar Universitário Lisboa

    Ana Prata

    Empreendedora, Life & Molecular Scientist, Professora e Oradora na FCUL e Business Innovator

    Carlos Guimarães

    Forbes 30 Under 30, Junior FCT Researcher e Doutorando em Engenharia de Tecidos, Medicina Regenerativa e Células Estaminais

    Catarina Sá Silva

    Project Lead Jr. – Interventional Vascular Therapy & Neurosurgery & Power Systems na B. Braun Group

    Mariana Carvalho

    Consultora na Medtronic Integrated Health Solutions Iberia e, anteriormente, Healthcare Operations Manager no Hospital CUF Tejo

    Tiago Gonçalves

    Estudante de Doutoramento em Eng. Eletrotécnica e de Computadores na FEUP e Investigador no Centro de Telecomunicações e Multimédia do INESC TEC

    Ana Teixeira

    Head of Clinical Solutions Hub & Health – International Organisations Manager na NTT DATA Europe & LATAM

    Hugo Plácido

    Doutorado em Eng. Eletrotécnica e de Computadores, Investigador no Instituto de Telecomunicações, Professor no IST e Empreendedor

    Ricardo Vigário

    Professor Associado na NOVA-FCT e Investigador no LIBPhys, coordena atualmente o polo da UNL do LIBPhys, bem como a Licenciatura em Eng. Biomédica da NOVA-FCT

    Mariana Oliveira

    Co-fundadora de uma startup de MedTech e, atualmente, Gestora de Projetos e de Incubação na Incubadora de Startups da FCUL

    Filipa Baptista

    Sales lead e Business Development Digital & Automation na Siemens Healthineers

    Francisca Andrade

    Bolseira de investigação no CENIMAT, durante a elaboração da sua dissertação de mestrado, e, atualmente, Account Executive na UpHill Health

    Liliana Pereira

    Senior Manager na GE HealthCare, com anos de experiência, principalmente nos domínios dos dados e da análise e desenvolvimento de produtos

    Com o apoio de:

    Nos dias 14 e 15 de setembro de 2024 realizou-se, na sede Nacional da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa, a 2ª edição da Conferência Nacional de Engenharia Biomédica. O programa do evento foi composto, na sua maioria, por sessões pedagógicas, como roundtables. No entanto, houve também espaço para convívio e momentos recreativos, tais como um sunset.

    25 de setembro

    Sessão de Abertura

    A Conferência Nacional de Engenharia Biomédica (CNEB) teve início com uma sessão de abertura que reuniu figuras de destaque da Ordem dos Engenheiros e da Associação Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica (ANEEB), num momento que assinalou não só o começo do evento, mas também uma reflexão sobre o papel da engenharia biomédica na sociedade e na comunidade académica.

    A sessão foi aberta por Isabel Lança, Presidente do Conselho Diretivo da Região Centro da Ordem dos Engenheiros, que dirigiu algumas palavras sobre o papel da Ordem e a sua relação com a engenharia na comunidade académica. Isabel Lança aproveitou a ocasião para apresentar o programa E+, desenvolvido pela Ordem na região Centro, dirigido a jovens que dedicam o seu tempo a atividades para além do estudo e do lazer académico. Destacou ainda a importância dos estudantes de engenharia na divulgação das escolas, sublinhando o seu papel enquanto incentivo para atrair novos jovens à área.

    Seguiu-se a intervenção de Ana Freire, Presidente do Colégio de Engenharia Biomédica e Bioengenharia da Ordem dos Engenheiros, que manifestou o seu orgulho pela conferência e pelo trabalho desenvolvido em torno do evento. Na sua fala, sublinhou a indispensabilidade do papel do engenheiro biomédico e a importância do seu reconhecimento, destacando o contributo da Ordem nesse processo e apelando à inscrição dos jovens engenheiros. Ana Freire encerrou a sua intervenção com uma mensagem inspiradora, afirmando que a profissão é sempre aquilo que cada um faz dela, e que o reconhecimento se constrói através de motivação e responsabilidade.

    Por fim, Filipa Vieira, Presidente da ANEEB, encerrou a sessão de abertura falando sobre o percurso da engenharia biomédica, com particular destaque para a crescente evolução da inteligência artificial na área. Sublinhou, por isso mesmo, a relevância desta conferência como espaço de partilha, incentivando o convívio entre os participantes e a troca de experiências e ideias. Filipa Vieira falou também sobre a ANEEB e o seu papel enquanto representante dos estudantes de engenharia biomédica a nível nacional, fazendo um balanço do percurso do mandato e reforçando a importância da proximidade entre a associação e os estudantes. A intervenção terminou com agradecimentos dirigidos a Ana Freire e a Isabel Lança, a todos os oradores presentes na CNEB, e à equipa da ANEEB responsável pela organização do evento.

    Roundtable – Liderança na Engenharia e na Saúde

    Na área da saúde, todas as decisões têm impacto direto na vida de alguém. Ana Freire, Product Owner na ByMe e moderadora desta roundtable, falou com Filipa Batista, responsável pela área de Digital & Automation da Siemens Healthineers Portugal, Filipe Granhão, Partner na Deloitte Portugal e Francisco Andrade, Business Excellence Director na Johnson & Johnson, acerca dos seus percursos profissionais, e explorou os principais dilemas e dificuldades que sentiam em posições de liderança.

    Antes de serem líderes, todos os oradores aprenderam através de exemplos – alguns específicos, como um mentor de Filipe Granhão, que lhe ensinou o perigo da  microgestão de uma equipa, e outro de Filipa Batista, que lhe ajudou a perceber a importância de trabalhar com os colegas para atingir melhores resultados. Francisco Andrade falou de como aprendeu com todos os líderes que teve, seja pelo exemplo, seja pelo aviso.

    Como líderes, os oradores falaram sobre a importância da curiosidade, do trabalho em equipa, e da responsabilidade que trabalhar na área da saúde implica. Acerca de momentos difíceis, mencionaram a necessidade de gerir a atenção da equipa, e da dificuldade em contrariar o conservadorismo e de inovar dentro da empresa.

    Também fizeram uma análise de paradigmas mais globais, como o futuro da liderança e da saúde e os meios para reter talento em Portugal. Alertaram para o risco da perda humana na saúde, com o crescimento da Inteligência Artificial, e sublinharam a importância do pensamento crítico na nova era da tecnologia. Além disso, notaram a relevância da cultura das empresas como um grande fator na manutenção de talento jovem em Portugal – as empresas não precisam de procurar necessariamente os profissionais com mais competências, mas sim os que se alinham mais com os seus valores.

    Houve ainda espaço para dicas para estudantes e novos profissionais, acerca do recrutamento e de como lidar com a frustração na escolha do primeiro emprego. Acerca do recrutamento, mencionaram as soft skills, principalmente a comunicação, como fator diferenciador, assim como o conhecimento acerca da empresa e da sua cultura – não deixando de parte, claro, os conhecimentos base, a adaptabilidade, o espírito crítico e a resolução de problemas. A respeito do primeiro emprego, deixaram a tranquilidade de não ser uma escolha decisiva para a vida, e a realidade de não ser o emprego de sonho que tanto se deseja.

    Para finalizar, ainda houve espaço para responder a perguntas do público, onde se falou sobre o salário de um engenheiro biomédico, e se elogiou as novas leis europeias referentes à transparência salarial nas empresas. 

    Palestra – Saúde Global: Levar Tecnologia a Quem Mais Precisa

    26 de setembro

    Speed dating

    O segundo dia do evento foi iniciado com uma atividade de Speed Dating. Esta teve como objetivo dar a conhecer aos participantes quais as oportunidades de mestrado em Engenharia Biomédica existentes no panorama nacional. Assim, a sessão contou com Alumni de faculdades de norte a sul do país para falarem sobre as suas experiências. Ao todo, estiveram presentes 13 recém-formados, de 8 Instituições de Ensino Superior:

    Estando divididos em grupos, os participantes tiveram a oportunidade de estar à conversa durante aproximadamente 10 minutos com o(s) representante(s) de cada Instituição. Assim, num ambiente calmo e descontraído, puderam esclarecer as suas principais dúvidas e ficar a conhecer melhor cada um dos diferentes percursos de mestrado possíveis em Portugal.

    Roundtable – “Saúde 2.0: O Amanhã”

    A primeira roundtable do segundo dia de conferência foi composta por profissionais de diversas áreas, todos com uma característica em comum: atuam em ambiente hospitalar, apesar de terem formações e funções distintas. Esta mesa foi moderada por Sara Meirinhos, médica interna do Hospital Universitário Santa Maria, e composta por André Santos, professor da Escola de Saúde Pública da NOVA e Subdiretor-Geral da DGS; Gonçalo Leal, Engenheiro Biomédico e Business Manager do grupo Luz Saúde; Hugo Ferreira, Professor associado da FCUL e Medical Doctor na ULS Santa Maria; e Nuno Duarte, Diretor do Serviço de Instalações da Unidade Local de Saúde de Santa Maria.

    A discussão trouxe à tona questões relevantes sobre o estado atual dos hospitais em Portugal, abordando também as melhorias necessárias para o futuro, a partir de diferentes perspetivas. Um dos principais pontos destacados foi a importância de uma abordagem multidisciplinar no ambiente hospitalar. Profissionais de várias áreas são essenciais para o bom funcionamento das instituições de saúde, e essa diversidade tem-se revelado cada vez mais promissora. Nesse contexto, a presença de Engenheiros Biomédicos tem aumentado significativamente, desempenhando várias funções dentro dos hospitais. A versatilidade da formação em Engenharia Biomédica, aliada à capacidade de adaptação e rápida aquisição de novos conhecimentos, tem permitido que esses profissionais assumam um papel de destaque na inovação e otimização dos processos hospitalares.

    Outro tema muito debatido foi o problema crítico da gestão de informação nos hospitais. A comunicação ineficaz entre os diferentes setores da saúde gera, frequentemente, um desperdício de recursos devido à falha na migração adequada dos dados. Apesar dos avanços tecnológicos e dos tratamentos cada vez mais eficientes, a utilização de papel como principal meio de comunicação entre profissionais de saúde ainda é comum. Este cenário revela a necessidade urgente de investir no desenvolvimento da informática clínica. A modernização e aplicação de sistemas digitais nos hospitais podem trazer melhorias substanciais. 

    Roundtable – “Climbing The Ladder: Como Progredir na Carreira”

    A última sessão pedagógica da 2ª Conferência Nacional de Engenharia Biomédica foi uma roundtable intitulada “Climbing The Ladder: Como Progredir na Carreira”. Esta teve como objetivo explorar questões fundamentais sobre como alcançar posições de liderança, lidar com a pressão, entre outros desafios profissionais. Deste modo, contou com figuras de alto relevo que falaram sobre as suas experiências profissionais e sobre como chegaram aonde estão hoje.

    O painel foi moderado por Ana Prata, empreendedora e professora na FCUL, e composto por Carlos Guimarães, Forbes 30 Under 30 e Investigador Júnior na 3B’s Research Group; Catarina Sá Silva, Project Lead na B. Braun; e Mariana Carvalho, Consultora na Medtronic e, anteriormente, Healthcare Operations na CUF Tejo.

    A moderadora Ana Prata guiou a conversa de forma a que as oradoras começassem por partilhar e discutir aspetos relacionados com as suas vidas enquanto ainda estudantes. Deste ponto de partida, a conversa foi avançando, de forma gradual, para a entrada no mercado de trabalho, tendo sido, depois, explorada a progressão das vidas profissionais de cada oradora. Ao longo da conversa foram, assim, trazidos para cima da mesa temas como: a saúde mental e a importância de ser mantido um equilíbrio entre vida profissional e pessoal; a imposição de limites e a procura por oportunidades justas; a participação em atividades de associativismo; entre outros.

    Sara Meirinhos

    Médica Interna de Formação Específica em Doenças Infecciosas no Hospital Universitário Santa Maria

    André Santos

    Professor na Escola de Saúde Pública da Universidade NOVA, Subdiretor-Geral em substituição na Direção-Geral de Saúde de Portugal e Chair do working group do projecto PaRIS da OCDE

    Gonçalo Leal

    Engenheiro Biomédico com mais de 15 anos de experiência e, atualmente, Medical Imaging Business Manager do grupo Luz Saúde

    Hugo Ferreira

    Professor Associado na FCUL, Medical Doctor na ULS Santa Maria, Co-Founder da Ablute e Founder e Principal Investigator da EDGE Digital Lab

      Nuno Duarte

      Diretor do Serviço de Instalações da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, Vogal do Conselho Português para a Saúde e Ambiente e Coordenador do Gabinete de Projetos e Obras Centro Hospitalar Universitário Lisboa

      Ana Prata

      Empreendedora, Life & Molecular Scientist, Professora e Oradora na FCUL e Business Innovator

      Carlos Guimarães

      Forbes 30 Under 30, Junior FCT Researcher e Doutorando em Engenharia de Tecidos, Medicina Regenerativa e Células Estaminais

      Catarina Sá Silva

      Project Lead Jr. – Interventional Vascular Therapy & Neurosurgery & Power Systems na B. Braun Group

      Mariana Carvalho

      Consultora na Medtronic Integrated Health Solutions Iberia e, anteriormente, Healthcare Operations Manager no Hospital CUF Tejo

      Tiago Gonçalves

      Estudante de Doutoramento em Eng. Eletrotécnica e de Computadores na FEUP e Investigador no Centro de Telecomunicações e Multimédia do INESC TEC

      Ana Teixeira

      Head of Clinical Solutions Hub & Health – International Organisations Manager na NTT DATA Europe & LATAM

      Hugo Plácido

      Doutorado em Eng. Eletrotécnica e de Computadores, Investigador no Instituto de Telecomunicações, Professor no IST e Empreendedor

      Ricardo Vigário

      Professor Associado na NOVA-FCT e Investigador no LIBPhys, coordena atualmente o polo da UNL do LIBPhys, bem como a Licenciatura em Eng. Biomédica da NOVA-FCT

      Mariana Oliveira

      Co-fundadora de uma startup de MedTech e, atualmente, Gestora de Projetos e de Incubação na Incubadora de Startups da FCUL

      Filipa Baptista

      Sales lead e Business Development Digital & Automation na Siemens Healthineers

      Francisca Andrade

      Bolseira de investigação no CENIMAT, durante a elaboração da sua dissertação de mestrado, e, atualmente, Account Executive na UpHill Health

      Liliana Pereira

      Senior Manager na GE HealthCare, com anos de experiência, principalmente nos domínios dos dados e da análise e desenvolvimento de produtos

      Com o apoio de:

      Destinado a todos os estudantes de Engenharia Biomédica, a 1ª e mais recente edição decorreu nos dias 17 e 18 de setembro de 2022 na Ordem dos Engenheiros – Região Norte na cidade do Porto!

      1º dia (17 de setembro)

      08h30 às 10h00: Check-in
      10h00 às 10h30: Sessão de Abertura 
      10h30 às 12h00: Roundtable Ensino de Engenharia Biomédica: Nacional vs Internacional
      12h00 às 12h30: Momento Recreativo
      12h30 às 14h00: Almoço 
      14h00 às 15h30: Roundtable Engenheiros Biomédicos de Sucesso: deixa-te inspirar!
      15h30 às 16h15: Coffee Break
      16h15 às 17h15: Roundtable Como ter um ensino superior diferenciado?
      18h00: Sunset

      2º dia (18 de setembro)

      08h30 às 10h00: Check-in
      10h às 11h30: Speed Dating
      11h30 às 12h15: Coffee Break &Networking
      12h15 às 13h15: Roundtable O papel da Engenharia Biomédica na Inovação Hospitalar
      13h15 às 14h30: Almoço 
      14h30 às 15h30: Coffee Break & Momento Recreativo
      15h30 às 16h00: Sessão de Encerramento

      17 de setembro

      Roundtable – Ensino de Engenharia Biomédica: Nacional vs Internacional

      Com professores de renome nacional e internacional, nesta roundtable fomentar-se-á uma discussão sobre os diferentes formatos de educação em Engenharia Biomédica que se verificam em diferentes paradigmas educacionais, numa perspetiva de comparação do ensino nacional e internacional e da evolução do mesmo.

      Miguel Morgado

      Miguel Morgado é licenciado em Engenharia Física (ramo de Instrumentação) e doutorado em Física (especialidade Física Tecnológica). Atualmente, é Professor Associado do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, onde leciona disciplinas de eletrónica, instrumentação optoeletrónica e processamento de sinais biomédicos. É também o atual coordenador do Doutoramento em Engenharia Biomédica da Universidade de Coimbra. É investigador sénior e membro da comissão executiva do CIBIT – Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional. Especializou-se em instrumentação electrónica e óptica e trabalha nas áreas da imagiologia ótica e da ótica biomédica, focando-se no desenvolvimento de instrumentação e técnicas para imagiologia ocular funcional. É ainda co-fundador de várias empresas de base tecnológica.

      Frederik Maes

      Realizou o mestrado em Engenharia Eléctrica na KU Leuven, Bélgica, em 1991, o mestrado em Engenharia Eléctrica na Universidade de Stanford, EUA, em 1992, e o doutoramento em Engenharia Eléctrica na KU Leuven em 1998. Foi nomeado professor associado na divisão Processing Speech and Images (PSI) do Departamento de Engenharia Electrotécnica (ESAT) da KU Leuven em 2004 e promovido a professor titular em 2018. É o chefe da divisão ESAT/PSI desde 2019. O seu principal interesse de investigação reside em estratégias computacionais para análise de imagens médicas e na sua aplicação na resolução de questões clínicas e biomédicas numa ampla variedade de disciplinas, incluindo imagens neuronais, cardíacas e oncológicas, radioterapia, pré-clínicas e imagens de pequenos animais. É investigador no Centro de Investigação de Imagens Médicas do hospital universitário UZ Leuven, o que lhe permite ter uma interacção estreita com investigadores clínicos e biomédicos, resultando em muitas colaborações formais e informais e numa forte alavancagem da sua investigação para aplicações reais e projectos conjuntos. Já (co-)supervisionou 20 teses de doutoramento e publicou mais de 150 artigos de revistas e mais de 100 artigos de conferências. Lecciona cursos sobre imagem médica e análise de imagem médica no programa de Mestrado em Engenharia Biomédica da KU Leuven. É também director do programa de Mestrado em Engenharia Biomédica da KU Leuven desde 2020.

      Puja Varsani

      É professora associada no departamento de Engenharia de Design e Matemática na Universidade de Middlesex. Leciona uma série de programas e especializa-se em projectos práticos, dando aos estudantes as ferramentas  que necessitam para produzir protótipos, plataformas de teste, etc. É líder do módulo de prática de design no primeiro ano do programa BEng/MEng Engenharia Biomédica.

      Pedro Ribeiro (moderador)

      Pedro Ribeiro, titular do curso BEng Engenharia Biomédica na Universidade de Middlesex, Londres, está a concluir o seu mestrado em Engenharia Biomédica na Escola Superior de Biotecnologia (UCP). Interessa-se pela teoria e desenvolvimento de interfaces cérebro-computador, especialmente na recolha de dados relacionados com a atividade cognitiva e motora em resposta a estímulos extracorporais, assim como no desenvolvimento de software, ambicionando exercer na  indústria de software médico.

      Roundtable – Engenheiros Biomédicos de Sucesso: deixa-te inspirar! 

      Nesta roundtable, conhecerás perfis de Engenheiros Biomédicos que, com mérito, construíram um percurso académico e profissional de sucesso. O mote é inspirar e despertar nos participantes a ambição de lutarem também pelo seu sucesso e pelo honroso nome da Engenharia Biomédica! 

      Luís Valente

      Luis Valente é co-Founder e CEO da  iLoF – Intelligent Lab on Fiber. Criou o seu primeiro negócio aos 18 anos e é considerado Forbes 30 under 30 for Science and Healthcare, passando vários anos focado na inovação e melhoria de estratégias que aliam a tecnologia à saúde. Foi a sua forte crença no poder e importância da Tecnologia na busca de terapias personalizadas que fez Luis Valente cofundar a iLoF. A iLoF é uma empresa spin-off do INESC TEC e uma start-up de base tecnológica, a atuar na área da saúde para o desenvolvimento de ferramentas de estratificação de pacientes com o uso de algoritmos de Inteligência Artificial para  Atualmente foca-se na procura de tratamentos personalizados para pacientes com doenças complexas e heterogéneas. A iLoF é uma start up que atua na area de medicina personalizada e tem vindo a desenvolver uma tecnologia que combina algoritmos de Inteligência Artificial e Biofotónica. Objetiva, assim, desenvolver uma forte base de dados de diferentes biomarcadores e perfis biológicos, ajudando no diagnóstico e terapia de doenças como a Doença de Alzheimer.

      Carlos Honrado

      Carlos Honrado é investigador no Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) em Braga, focando-se no desenvolvimento de dispositivos de microfluídica para separação, análise e cultura de células tumorais. Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade do Minho, obteve o Doutoramento em Engenharia Biomédica na Universidade de Southampton (UK), tendo trabalhado como investigador pós-doutoral na Universidade da Virgínia (EUA). É (co-)autor de 18 artigos científicos (h-index = 11) e autor de 4 patentes (uma das quais já publicada). Em 2022 foi-lhe atribuída uma das competitivas bolsas Marie Skłodowska-Curie Actions para projectos inovadores, onde se irá focar no estudo do cancro do endométrio usando vesículas extracelulares e a junção de métodos optofluídicos com testes genéticos.

      Luís Rita

      Luís Rita é CEO e co-fundador da CycleAI e escritor na Towards Data Science. Após se tornar Mestre em Engenharia Biomédica pelo Instituto Superior Técnico, encontra-se a realizar o Doutoramento em Medicina Computacional no Imperial College London. Em 2021 foi-lhe atribuído o prémio WSA Global Young Innovator que engloba o prémio Europeu da Juventude e é um reconhecimento especial aos jovens com menos de 26 anos de idade, que usam as tecnologias de informação para agir sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

      Filipe Mealha (moderador)

      Filipe Mealha, mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade Nova de Lisboa, é o atual coordenador da Unidade de Planeamento, Arquitetura, Conformidade e Engenharia dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. Assume responsabilidade em matérias de arquitetura empresarial, interoperabilidade e é o representante da SPMS no Centro de Terminologias Clínicas da Saúde e em vários grupos internacionais como o Semantic Subgroup e Technical Subgroup da eHealth Network.

      Roundtable – Como ter um ensino superior diferenciado? 

      Durante esta sessão serão apresentadas oportunidades de ensino e experiências enriquecedoras alternativas, levadas a cabo por Engenheiros Biomédicos durante o seu percurso universitário, e o impacto das mesmas na formação profissional de cada um. Com este momento podes conhecer programas e formas de inovar o teu percurso! 

      Beatriz Barros

      Beatriz Barros é Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade de Coimbra. No 2º ano do seu percurso académico estudou um semestre no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, no âmbito do programa Almeida Garrett. No 4º ano fez Erasmus em Heidelberg, Alemanha, na área de Imagem e Radiação. Já no 5º ano integrou o programa “Inovação em Saúde”, EIT Health, na Dinamarca. Realizou a tese de mestrado na área de simulação em cardiologia de intervenção, em colaboração com uma startup. Atualmente trabalha na NU-RISE, uma medtech na área de radioterapia.

      Carolina Martins

      Carolina Martins possui a licenciatura em Engenharia Biomédica pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, concluída em 2018. Posteriormente, ingressou no programa de Mestrado CEMACUBE (Common European Masters in Biomedical Engineering) concluído em 2020, com diploma de duplo mestrado em Engenharia Biomédica emitido pelas universidades de Ghent e Trinity College Dublin com distinção. Atualmente encontra-se a realizar doutoramento em Bioengenharia na Trinity College Dublin, no laboratório do professor Dr. David Hoey.

      Catarina Camarate

      Catarina Camarate é estudante do 2º ano de Mestrado de Engenharia Biomédica e Biofísica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Pautou a sua licenciatura com a realização de três estágios: o primeiro teve lugar na Glintt no âmbito do desenvolvimento de uma aplicação para pacientes com cancro; o segundo realizado em parceria com a start-up Neroes na área do neurofeedback; e um estágio no INL (Instituto de Nanotecnologia, Braga) no qual colaborou numa equipa de investigação para diagnóstico do cancro utilizando nanopartículas. Ainda para a realização da tese de mestrado, realizou estágio na Neuroelectris, uma empresa da área da neurociência sediada em Barcelona. Aliado ao mencionado, Catarina Camarate realizou um módulo do EIT Health Module em parceria com a Copenhagen Business School denominado por “Métodos Quantitativos Avançados para Inovação em Saúde”. Com um percurso marcado por atividades extracurriculares, Catarina fez ainda parte do Núcleo de Estudantes de Engª Biomédica da Faculdade de Ciências.

      Henrique Pinto

      Henrique Nogueira Pinto tornou-se Mestre em Bioengenharia pela Universidade do Porto em 2021 e atualmente é estudante de Doutoramento na UMC de Amesterdão e na UMC Utrecht, no âmbito do projeto CONNECT – Connecting the Blood-Brain Barrier to Cerebral Organoids. O seu percurso de investigação começou em 2018, quando integrou o Grupo Microenvironments for New Therapies do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto e no ano seguinte integrou o grupo NanoBiomaterials for Targeted Therapies no mesmo Instituto. Em 2020 participou no programa Erasmus+ Placements no Stem Cell Institute de KU Leuven na Bélgica, explorando as áreas de organ-on-a-chip e iPSCs. O projeto de tese de Mestrado foi realizado no grupo Bioengineered 3D Microenvironments no i3S, onde desenvolveu organóides vascularizados num hidrogel à base de fibrina. Durante o seu percurso académico, Henrique foi presidente do Núcleo de Estudantes de Bioengenharia da Universidade do Porto (NEB-FEUP/ICBAS), co-fundador da associação juvenil de proteção ambiental FOCA – Focus On Critical Actions, membro da Associação de Estudantes do ICBAS e um líder escoteiro.

      18 de setembro

      Speed dating

      No Speed Dating pretende-se a elucidação e esclarecimento sobre os diferentes perfis de mestrado em Engenharia Biomédica existentes nas IES de cada um dos Associados Efetivos da ANEEB, assim como alguns perfis de doutoramento. Contactando diretamente com alunos de fim de curso ou recém-diplomados, terás oportunidade de conhecer as especializações de mestrado nacionais em Engenharia Biomédica de todo o país, planos curriculares, saídas profissionais e tudo o que tiveres interesse em saber de forma a identificares o mestrado mais indicado para ti. 

      Doutoramento

      Rafael Pires Miranda – PhD na Siemens Healthineers

      Escola Superior de Biotecnologia - Universidade Católica Portuguesa

      Beatriz Frias – Mestre em Engenharia Biomédica

      Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

      Cristiana Rodrigues – Mestre em Engenharia Biomédica e Biofísica

      Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa

      Ana Matoso – Mestre em Imagiologia, Biossinais e Instrumentação Biomédica

      Mariana Henrique – Mestre em Células estaminais e Medicina Regenerativa

      Nova School of Science and Technology | FCT-NOVA

      Telma Esteves – Mestre em Engenharia Biomédica 

      Filipa Rebelo – Mestre em Engenharia Biomédica 

      Universidade de Aveiro

      Mariana Coutinho – Mestre em Engenharia Biomédica

      Bárbara Costa – Mestre em Engenharia Biomédica

      Universidade de Coimbra

      Daniela Metello – Mestre em Biomateriais

      Inês Félix  – Mestre em Informática Clínica e Bioinformática

      Patrícia Ribeiro  – Mestre em Instrumentação Biomédica

      Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

      Maria Campelos – Mestre em Instrumentação e Informática Médica

      Universidade do Minho

      Salomé Luís  – Mestre em Biomateriais, Reabilitação e Biomecânica

      Mafalda Cruchinho  – Mestre em Engenharia Clínica

      Francisca Nogueira – Mestre em Informática Médica

      Beatriz Miranda  – Mestre em Eletrónica Médica

      Universidade do Porto

      Daniel Rodrigues – Mestre em Engenharia Biomédica 

      Mónica Lucena – Mestre em Bioengenharia Molecular

      Networking 

      Momento de Networking com empresas da área parceiras do evento, onde terás oportunidade de contactar com empresas de renome e tirar todas as tuas dúvidas sobre tarefas de um Engenheiro Biomédico, transição para o mercado de trabalho, áreas de ação da entidade, entre outras.  

      Roundtable – O papel da Engenharia Biomédica na Inovação Hospitalar

      A crescente inovação nos cuidados médicos deve-se maioritariamente à evolução científica e tecnológica e, nesse sentido, torna-se premente a procura por Engenheiros Biomédicos que colaborem na digitalização, inovação e gestão em saúde.  Nesta roundtable abordar-se-ão estas e outras tantas temáticas substanciadas na importância e funções de um Engenheiro Biomédico na promoção da qualidade e segurança assistencial de um ambiente clínico, a evolução da aliança entre a medicina e a engenharia e o futuro do papel de um Engenheiro Biomédico neste meio. 

      Ana Sofia Silva

      Ana Sofia Silva concluiu o Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica em 2017, tendo-se especializado no ramo de Engenharia Clínica. Desde novembro de 2017 até abril de 2021 exerceu funções no Hospital Santa Maria Maior, E.P.E. – Barcelos, como Gestora da Qualidade e como Responsável do Gabinete de Comunicação e Marketing. Para além disso, durante esse período, foi responsável pela Gestão e Monitorização dos Projetos de Financiamento (Programas SAMA 2020, POISE, NORTE 2020) e integrou a Comissão da Qualidade e Segurança do Doente, a Comissão de Humanização Hospitalar, a Comissão do Risco e Segurança da Informação, o Grupo de Apoio ao Encarregado de Proteção de Dados e coordenou a Comissão de Eventos. Atualmente, e desde maio de 2021, é Data Analyst no Outcomes Research Lab, do IPO – Porto, encontrando-se a frequentar o Executive Master em Gestão e Administração em Saúde, desde dezembro de 2021.

      Delfim Rodrigues

      Delfim Pereira Neto Rodrigues é licenciado em Direito e pós graduado em Administração Hospitalar. Em 1987 por concurso público internacional foi designado representante da Europa do Sul no Programa “Hubert Humphrey” do “Fullbright”. Nessa qualidade estagiou em diversos Hospitais e outros organismos de saúde e empresas dos Estados Unidos e Canadá. Paralelamente cursou em algumas universidades americanas nas áreas de Administração Hospitalar e Saúde Pública, Promoção Continuada da Qualidade, Engenharia Biomédica, Sistemas de Informação e Gestão, entre outras. Em 2015, é-lhe atribuída, pelo Ministro da Saúde, a medalha grau ouro, por serviços distintos prestados à Saúde. Atualmente, é o Coordenador do Programa Nacional de Implementação das Unidades de Hospitalização Domiciliária nos hospitais do SNS.

      João Miguel Branco Silva

      Licenciado em Engenharia Biomédica no Instituto Superior Técnico (2001-2006), concluiu posteriormente o MSc em Engenharia Biomédica em 2007. Finalizado o curso desenvolveu trabalho como investigador no Instituto de Telecomunicações até ao ano de 2008 no contexto de electrónica médica e processamento de sinal. Transitou para o contexto empresarial em 2009, através de um breve período em Consultadoria na Novabase, tendo mudado para a Siemens Healthcare ainda no final de 2009, onde colaborou na área de gestão de projecto no contexto da inovação e qualidade. Em 2011 mudou para a Medtronic Portugal para desempenhar funções de suporte técnico/cirúrgico na área da Neuromodulação onde adquiriu experiência para o desempenho de funções de gestão de mercado e produtos no contexto da Neuromodulação. Durante a realização destas funções na Medtronic completou o Mestrado Executivo em Gestão de Serviços de Saúde/Gestão de Empresas no período de 2017 a 2020. Pela experiência acumulada e formação académica específica, em 2021 transitou para a função de Gestor de Contas Estratégicas dentro da Medtronic, função que atualmente desempenha.

      Paulo Nunes de Abreu (moderador)

      Paulo Nunes de Abreu é co-Fundador Digital Health Portugal e o Iniciador do Health Data Forum. É o autor e editor da série de livros – Arquitetar a Colaboração e o fundador do col.lab | collaboration laboratory, um espaço aberto permanente onde ideias e pessoas se unem para co-criar e inovar através do poder da facilitação de grupos como um serviço público. Desde 2020, é cofundador do Digital Health Portugal, uma iniciativa da sociedade civil criada para elevar a excelência do ecossistema de saúde português no contexto internacional. Paulo Nunes de Abreu centra a sua atividade na criação de espaços de diálogo em eventos e no fomento de comunidades de prática, nomeadamente nos setores da educação e saúde em Portugal e Espanha, onde concebe intervenções para otimizar a mudança e a inovação.

      Com o apoio de