Testemunhos

No que diz respeito ao nível de vida em Portugal, alguns testemunhos de recém-diplomados dão-nos a melhor perspectiva:

Tiago Gonçalves
Research Assistant no INESC Technology and Science – Associate Laboratory

“…investigação na área de Engenharia Biomédica…é “uma via profissional” incrível para quem ainda quer continuar a desenvolver e descobrir coisas novas no meio académico e para quem tem intenções de prosseguir para estudos doutorais (PhD)”. “Em termos de remuneração, os salários são tabelados pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), funcionando num sistema de bolsas, ou seja, os salários nem são considerados, propriamente, rendimentos, uma vez que não há “descontos” para a Segurança Social e/ou Autoridade Tributária e Aduaneira (o chamado “IRS”). Consequentemente, também não existem subsídios de férias, de Natal…”; “…os horários são muito ajustados a cada pessoa e o trabalho é bastante autónomo, sendo que aprendemos, desde cedo, a definir os nossos objetivos, prioridades e a tomar conta das nossas responsabilidades para, no geral, o trabalho do grupo correr bem”. “Acho que o valor das bolsas é bastante justo….Contudo, se vivermos em Lisboa ou Porto…, é preciso ter em conta que o mercado imobiliário e de arrendamento está bastante inflacionado”

Diana Cruz
Application Developer na Accenture (Estágio IEFP)

“Faço parte da equipa de Field Force Management…é uma área da Accenture que se foca na gestão de pessoas no terreno…”; “…tenho de saber trabalhar com um software…e, basicamente, temos pedidos dos clientes, a dizer quais as funcionalidades que querem ter acesso e cabe-nos a nós arranjar soluções e produzi-las, fazer desde a parte técnica à parte funcional”.

“…recebo não apenas o valor que está estipulado pelo estágio profissional do IEFP; a accenture comparticipa com uma parte…eles dão-nos…um valor…do qual temos de fazer descontos para a Segurança Social e o IRS…, fora o subsídio de alimentação…”. “Não pago renda, mas partilho as despesas de luz, água, internet e despesas de alimentação, e dá para pagar tudo isso e viajar, comprar…e ainda dá para juntar dinheiro e pagar propinas”; “na Accenture, temos direito subsídio de férias”. “Em termos de condições de trabalho temos lugares próprios, cadeiras adequadas, copa…o ambiente é descontraído, com muitos momentos de team building…”; “…quando saio do escritório,…consigo desligar…mas há certos momentos que tenho de ficar a trabalhar até mais tarde, porque…temos prazos a cumprir”.

Marta Faria
Analista na Vodafone Portugal

“…acho que a minha remuneração é desafogada, mas há vários fatores a ter em conta…consigo ir de carro para o trabalho, não pago estacionamento em quase sitio nenhum, entre outros fatores. Vivo sozinha, pago todas as minhas despesas e ainda me sobra dinheiro ao fim do mês. Adiciono que, ao longo da carreira, vais subindo de cargo, e no teu salário” . “A nível de condições…podemos trabalhar de casa sempre que queremos…, não temos hora para entrar e sair, e o ambiente é sempre muito descontraído…”

Dani Silva
Consultor de Projetos Hospitalares do B. Braun Group

“Neste momento sou Consultor de Projetos Hospitalares numa empresa internacional de dispositivos médicos e, nesse sentido, irei apresentar a minha perspetiva tendo em conta este contexto profissional. A área dos dispositivos médicos em Portugal corresponde a um setor muito reduzido das saídas profissionais dos Engenheiros Biomédicos, mas os que aqui têm possibilidades de desempenhar algum cargo fazem-no com a garantia de uma remuneração justa e adequada. Essa remuneração permite-nos levar uma vida sem preocupações financeiras e bem longe dos cenários de escassez da vida universitária. Claro está que aqui entram muitos fatores variantes como: a empresa em causa, a cidade onde exercem funções (principalmente pelo fator da habitação), os gastos diários, etc.”

Inês Dias
Customer Success Manager na Knok Healthcare 

“Trabalho como Customer Success Manager na Knok Healthcare, uma start-up portuguesa que permite o acesso a cuidados de saúde primários, com recurso, sobretudo, a vídeoconsultas…o meu trabalho passa por garantir que os vários clientes (parceiros, médicos, pacientes, operadores, entre outros) conseguem tirar o melhor proveito das ferramentas de que dispomos, perceber quais as dificuldades que sentem e as necessidades que têm, por forma a que o produto evolua no sentido de colmatar essas necessidades e tornar claro o que dantes era uma dificuldade. Isso exige que esteja em constante contacto com os clientes destes vários pontos do mundo, que é algo que adoro, e que faça uma gestão das suas expectativas, enquanto faço também a ponte com a equipa de desenvolvimento, para que se mantenha a consistência do produto enquanto damos resposta aos vários pedidos. Para as funções que desempenho, sinto que o curso foi uma grande mais valia, sobretudo no que diz respeito ao mindset que nos dá, de desafio e adaptação, que é algo que valorizo muito e gosto particularmente de fazer. A sede, e onde está a maior parte da equipa, é no Porto, apesar de termos também sede em Lisboa, onde vou esporadicamente. A equipa é pequena, o que nos torna mais próximos, por isso o ambiente é excelente. Em termos de condições de trabalho, temos sempre água, café, bolachas, alguma fruta e natas (nos dias especiais!), e o trabalho remoto é algo que podemos fazer. Em termos de remuneração, vai ao encontro daquele que é o momento de vida em que encontro agora, pelo que me permite viver de forma confortável e investir em viagens e atividades que me ajudam a ter um bom equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Para além disso, há perspetiva de progressão em termos de funções e gestão de equipa, e simultaneamente, progressão salarial. Com o tipo de contrato de trabalho que tenho, desconto do vencimento base para a Segurança Social e IRS e tenho um cartão de refeição, onde recebo o valor do subsídio de alimentação, mais subsídio de férias e Natal.”.

Maria Paz
Investigadora no Coimbra Institute for Biomedical Imaging and Translational Research

“Trabalhar em investigação tem, como qualquer outro emprego, as suas vantagens e desvantagens. E dentro do mundo da investigação existem pessoas com diferentes graus académicos (o que influencia o teu salário), pessoas que são contratadas e que têm outros tipos de regalias e pessoas, como eu, que estão em regime de bolsa. Neste momento, a FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) exige que os seus bolseiros estejam a frequentar um ciclo de estudos (como mestrado ou doutoramento), sendo que o ano em que comecei a minha bolsa (2019) foi o último em que qualquer pessoa se poderia candidatar. Com isto, os valores das bolsas, que são públicos, foram também aumentados, estando nos 1064€ (líquidos). É este o dinheiro que te “cai na conta”, no entanto não descontas para as finanças, não declaras IRS, não tens muitas das vantagens que alguém com contrato tem. Claro que o que recebo me permite viver desafogadamente, e não preciso de andar a contar tostões, e aqui a cidade onde vives também é relevante, em Lisboa ou no Porto não seria tão fácil poupar, mas na minha opinião não deixa de ser um trabalho precário a longo prazo.”

Rui Garcia
Empreendedor

“…a minha experiência a trabalhar estritamente como Engenheiro Biomédico é pouca. A usar capacidades aprendidas no curso, pelo contrário foram inúmeras. No primeiro ano optei por abraçar um projecto numa startup ligada à venda de produtos sustentáveis do ponto de vista ambiental. A vida de empreendedor não é fácil e tem de se partilhar o risco no crescimento da empresa. Sob risco de se descapitalizar a empresa. Tirei pouco mais que o salário mínimo por mês (600€) que para viver em Lisboa exige alguma disciplina. O ambiente da equipa era bom e motivador. Trabalhava com pessoas fora da nossa área (Engenharia Ambiental, Marketing, Economia) que permitiu conhecer outros conceitos, aprender e ensinar. Aproveitei este ano de sabática para aprender. Assim de uma forma genérica resumia as tarefas a:…Curadoria dos produtos…; Acompanhamento de candidaturas a fundos de investimento…; Redação de artigos de opinião ambiental / saúde devidamente fundamentados cientificamente….; Análise de dados de entrada no site e venda de produtos.” “Relativamente: – a material, tinha boas condições de trabalho, posto, internet, copa. Pagavam-me as despesas. – equipa, muito dinâmica disposta a ajudar. Tinha como contrapartida a inexperiência que era balanceada pelas mentorias que recebíamos. Tivemos formações úteis para qualquer negócio com pessoas com provas dadas: https://www.bgi.pt/bgiteam – rede de contactos: conheci o Nobel da Paz, secretário de Estado do Ambiente, do Turismo, Empreendedores nas mais diversas áreas ambiente, IT, alimentar, transporte e Biomédica claro. Resumindo a experiência: foi enriquecedora mas é uma vida difícil. Atualmente não estou na startup ( www.planetiers.com ) mas fico muito contente pelo sucesso que estão a ter e deixo lá como amigos a equipa inteira.”

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