Inicialmente, as necessidades de Engenharia Biomédica em Portugal foram asseguradas por Físicos e Engenheiros de colégios clássicos que procuraram suprir as necessidades básicas dos serviços de saúde públicos e privados. Estas, consistiam na operação e manutenção de equipamentos hospitalares, nomeadamente equipamentos de imagiologia (ressonância magnética, tomografia computadorizada, entre outros) e de tratamento radiológico, como operação e administração de material radiológico no passado recente.

Após um período de habituação, o interesse tanto de profissionais de engenharia como de profissionais de saúde foi crescendo com o surgimento de trabalhos de ciência básica, cuja aplicação de ferramentas simples permitia a criação de novos métodos de diagnóstico e aumento do conhecimento fisiológico. Emergiu assim, a necessidade de criar profissionais que conseguissem manusear as ferramentas de engenharia e física, transpondo-as para trabalhos clínicos experimentais, e que conseguissem atuar em ambiente hospitalar nas operações de manutenção e execução sem criar barreiras de comunicação aos demais profissionais de saúde.

Estava, desta forma, criada a motivação para preparar os hospitais para as novas tecnologias, o que levou ao aparecimento dos primeiros cursos de Engenharia Biomédica entre as escolas de engenharia e/ou física com medicina no ano de 2001. Após um grande interesse inicial na criação do curso, que culminou com o surgimento de vários cursos, a não adequação destes profissionais a um sistema de saúde clássico levou a que estes não fossem absorvidos pelo setor e se fossem fixando maioritariamente em trabalhos de investigação, de consultoria e pontualmente à criação de empresa própria que suprisse as necessidades dos sistemas de saúde na área da informática ou dos dispositivos médicos.

Contudo, o período de crise vivido a nível nacional culminou com o encerramento de muitos cursos de Engenharia Biomédica. Desta forma, a baixa empregabilidade na área e a distribuição do curso em escolas mais periféricas no país, motivou a reforma do curso em algumas instituições, levando mesmo à sua extinção noutras.

Findo este período de crise, a conjuntura macroeconómica permitiu a retoma na investigação e modernização dos sistemas de saúde com a promessa de transferir mais eficazmente os cuidados de saúde para o paciente. Em teoria, esta prática permitiria libertar recursos no sistema de saúde primário e preparar a segunda linha, mais preventiva, que carece de uma abordagem menos clássica, abrangente e multidisciplinar numa perspectiva de médio a longo prazo.

Esta passagem, que está a ser diligentemente levada a cabo, obriga a que o futuro engenheiro biomédico assuma um papel mais ativo no sistema de saúde. Torna-se, por isso, premente definir um código de ética e deontologia que oriente o futuro profissional na sua profissão, assim como definir em traços gerais quais as preocupações maiores do exercício da profissão procurando discernir, no caso de falha do profissional, se a sua atuação foi negligente, dolosa ou não passível de previsão. A crescente, mas tímida, receptividade dos sistemas de saúde é encarada como positiva, mas poderia beneficiar de uma divulgação estruturada do estado da arte de forma a adequar as necessidades e capacidade de reforma do sistema com as capacidades técnicas dos profissionais de engenharia biomédica.

Dada a inexistência de representatividade ativa da Engenharia Biomédica a nível académico e profissional, foi constituído um grupo de trabalho composto por estudantes de Engenharia Biomédica que pudesse representar os seus interesses e alertar para as oportunidades de sinergia entre as escolas de engenharia e medicina, cuja fusão motivou a criação do curso de Engenharia Biomédica.

Desta forma, foi fundada em Coimbra, a 5 de outubro de 2017, a Associação Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica com o objetivo de dar resposta a todas a problemáticas acima apresentadas e de representar os estudantes de Engenharia Biomédica em Portugal. Com espírito empreendedor e vontade de desenvolver novas atividades, a ANEEB começou a afirmar-se no último ano  enquanto canal de comunicação através da partilha constante de conteúdos nas Redes Sociais (Facebook, Instagram, LinkedIn, Twitter, Youtube) e através da presença em eventos e redação de notícias, publicadas no website. Começou, também, a dar os primeiros passos no sentido de estabelecer  parcerias com outras entidades, destacando-se aqui a inclusão da APEF (Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia) como associado extraordinário da ANEEB e a parceria com o CNAF (Confederação Nacional das Associações de Família), bem como, a articulação com o FNES e, obviamente, com a Ordem dos Engenheiros.

Pela Engenharia Biomédica, Sempre!