Nos passados dias 26 e 27 de novembro de 2022, decorreu, no Centro de Simulação Hospital da Luz Learning Health, a 3ª edição do Heath Hackathon, um evento sinérgico entre a ANEEB e o Hospital da Luz Learning Health. O Heath Hackathon visa promover uma cultura de inovação aberta e um ecossistema multidisciplinar que envolve profissionais de saúde e estudantes universitários, oriundos de diferentes percursos formativos, na solução de um desafio real da Luz Saúde. 

Assim, a sessão de abertura determinou o início do evento na qual a ANEEB começou por dar as boas-vindas a todas as equipas presentes, destacando a relevância deste evento pautado pela multidisciplinaridade e inovação na área da saúde. 

Finda a sessão de abertura, a Engenheira Raquel Araújo, Innovation Manager do Hospital da Luz Learning Health, passou a apresentar o Learning Health, assim como as instalações do centro de formação e os moldes gerais do desafio. De seguida, foi apresentado o desafio para esta edição do Health Hackathon: as equipas teriam de idealizar uma solução para responder à pergunta “Como podemos notificar os enfermeiros quando se prevê (precocemente) a ocorrência de uma queda de adulto em cuidados hospitalares de internamento?”. Foi explicado que este era um problema real e urgente em meio hospitalar e foram apresentados alguns dados estatísticos com o intuito de contextualizar esta situação no âmbito do Hospital da Luz. Lançado o repto, os participantes começaram um incessante período de pesquisa e deliberação para apresentar uma solução num prazo de 24 horas! 

De modo a auxiliar e sustentar as ideias e hipóteses levantadas pelos participantes, ao longo do evento, decorreram dois momentos de workshops. O primeiro workshop do evento teve como orador André Ribeiro, da Magma Studio e incidiu sobre o que deverá e não deverá ser feito num Networking. Em tom informal, o orador aconselhou a plateia sobre a postura que os participantes deverão adotar nestes momentos, salientando a importância de se mostrarem sempre interessados e disponíveis, não se antecipando de imediato para a possibilidade de preencher uma vaga em contexto de recrutamento, mas procurando sim, saber mais sobre a mesma, sobre a dinâmica da empresa, das equipas que a constituem, etc. Mencionou também que o Networking digital é fundamental, sugerindo o LinkedIn como uma ferramenta indispensável para este fim. Através desta já conhecida rede, os participantes têm a oportunidade de estabelecer conexões com alumni que ocupem posições em locais que sejam do seu interesse, é de frisarque abordagens nesta rede são chave para aproximar os estudantes de posições e entidades que pretendem alcançar conhecendo-as numa perspectiva mais realista. O orador apontou ainda para a importância da honestidade e abordou algumas questões mais sensíveis, ou “tricky”, como descreveu, tais como o salário.

A segunda sessão foi da autoria da Docente Ana Pires e incidiu sobre as melhores técnicas para realizar um Pitch. Começou por comparar os investidores a corujas, atentas e pacientes, das quais não deveremos nunca ter medo, mas sim cujas emoções devem ser abaladas, de modo a fazê-los sentir verdadeiramente provocados. Deu de seguida algumas dicas quanto ao preenchimento e ao grafismo dos slides, mencionando as cores, tipos e tamanhos de letra. Passou então para a estrutura do pitch que, de um modo geral, deverá primar sempre pela simplicidade e eficácia, nunca perdendo de foco a importância de se criar um impacto na plateia. A exposição do problema não deve ser, por isso, demasiado detalhada e académica, deve, em vez disso, garantir que a dimensão do problema é bem percepcionada e que é criada empatia nos investidores de tal forma que estes percebam a necessidade de o resolver. Discutiu ainda a apresentação da Value Proposition, da Underlying Magic, mecanismo por detrás da nossa solução, assim como os restantes tópicos que se relacionam com a componente de negócio do Pitch,  Business Model, Go to Market Plan, Financial Projections and Key Metrics, entre outros. Terminou, por fim, a sua apresentação do exato modo como aconselhou aos participantes que o fizessem, criando um impacto tal na plateia que esta, atordoada, não pôde evitar uma ovação.

Após o segundo workshop decorreu uma sessão de mentoria, com duração de 2 horas, composta por um diversificado e multidisciplinar painel de mentores: Cláudia Quaresma (Docente de Fisiologia na FCT-Nova), Ana Prata (Docente de Inovação e Empreendedorismo na FCUL), Luís Lapão (Docente de Gestão e Inovação Hospitalar na FCT-Nova), Luís Carlos Gomes (Gabinete de Gestão do Risco do HL Lisboa) e Raquel Araújo (Gestora de Inovação do HL).O heterogéneo painel de mentores adotou um sentido de rotatividade pelos grupos de participantes, de modo a que estes recebessem auxílio e esclarecessem as suas questões com todos. Finda a sessão de mentoria, os grupos de trabalho continuaram o seu trabalho individualmente havendo uma pausa para jantar fornecido pela ANEEB.

As equipas continuaram o trabalho ao longo da noite, gerindo os tempos de trabalho, descanso e lazer de forma autónoma. Durante este período, a ANEEB reforçou temporariamente a comida disponível, mantendo-se sempre disponível e atenta às necessidades dos estudantes. 

Findo o trabalho de equipa às 10h30 do dia 27, procedeu-se à sessão de apresentação das soluções às 11h. Cada grupo apresentou a sua solução com um pitch de 3 minutos com suporte powerpoint. O painel de júris contou com o professor Hugo Gamboa (Fundador da Plux), Frederico Stock (Co-Fundador da Glooma), Teresa Vieira (Docente em Empreendedorismo e Inovação na FCUL), Valdemar Costa (Especialista em Engenharia de Fatores Humanos no HL), Luís Carlos Gomes (Gabinete de Gestão do Risco do HL Lisboa) e Marisa Leal Ferreira (Diretora Adjunta do Gabinete de Gestão de Risco do HL). 

A divulgação de resultados consagrou a equipa “C the Future”, composta por Beatriz Jorge, Carolina Jorge, Irina Roque e Mafalda Molinar, alunas do Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica da NOVA School of Science and Technology | FCT NOVA, como a vencedora desta edição! A equipa respondeu ao desafio com a proposta de uma solução que consiste num software de reconhecimento de padrões de movimento capaz de prever um risco potencial de queda, sem necessidade de toque no paciente. O prémio para a equipa incluiu um vale no valor de 250€ no Cartão Sonae e inscrição gratuita num evento do Hospital da Luz Learning Health. 

Por fim, a ANEEB agradece a presença dos participantes no evento salientado a sinergia com o Hospital da Luz Learning Health como, mais um passo, para motivar a inovação médico-tecnológica em Portugal!