A ANEEB esteve presente nas Jornadas Tecnológicas da FCT NOVA nos dias 24 e 25 de fevereiro que decorreu em formato digital. O primeiro dia contou com apresentações de máximo interesse para a Engenharia Biomédica, começando com a sessão de abertura na voz do Professor José Paulo Santos e Professora Carla Quintão que deram as boas vindas a todos os participantes, abordando de forma sucinta, os primórdios e o futuro da tecnologia para o melhoramento humano. A educação tem uma importância crucial para a formação de bons cidadãos, sendo este o último ponto apresentado nesta sessão de boas vindas.

As palestras começaram com a apresentação do tema Realidade Virtual e Aumentada com o Dr. Pedro Martins, que explicou as principais etapas até à obtenção da imagem final de um processo de realidade virtual e aumentada. Este tem vindo a permitir grandes avanços tecnológicos na área da medicina em novas terapias e intervenções cirúrgicas. Foram ainda apresentados diferentes biomateriais utilizados para diversos fins, como por exemplo para estudar a fadiga dos implantes mamários após um certo período de aplicação, e desta forma permitir a regeneração de tecido mamário e aumentar o tempo de vida dos mesmos.

De seguida, o Dr. António Batista iniciou a sua apresentação com o tema “Saúde para o século XXI-onde é que a Engenharia Biomédica se insere”, tocando nas suas diferentes vertentes, que são: Medicamentos inovadores, autocuidados e inteligência artificial – Novas tecnologias. Finalizou a sua apresentação com o alerta da necessidade de integrar Engenheiros Biomédicos nas equipas médicas para desmistificar a situação que se vive atualmente de que “Portugal está focado na doença e não na saúde”. Este ponto vai ao encontro do tema apresentado pelo Eng. Bruno Oliveira- Laser Navi-, visto que surgiu a necessidade de automatizar o processo de tratamento de lesões vasculares através de tecnologia laser. Desta forma, aliado à medicina, utilizou algoritmos Deep Learning para a deteção e quantificação dos parâmetros a utilizar no laser, de modo a obter os parâmetros de tratamento correto. Ao seu projeto, juntou a vertente da robótica “Why robots in Medicine”, que se destaca pela colaboração entre robôs e médicos, combinando a eficácia e precisão do robô com a decisão ponderada do médico.

O primeiro dia finalizou com a formação “Realidade virtual e aumentada”, que contou com a presença do Prof. Dr. António Câmara, que elucidou quais as diferenças entre realidade virtual e aumentada. Para além disso, apresentou a sua aplicabilidade no quotidiano dos cidadãos no presente e no futuro, como por exemplo a possibilidade de controlar virtualmente elementos em cenários reais em diferentes ocasiões.

O segundo dia foi igualmente preenchido  por apresentações do fórum tecnológico, contando com a presença da Drª Ana Rita Londral. Esta  começou por apresentar a tecnologia atual existente e o que tem desenvolvido para o bem-estar e segurança de pacientes com esclerose lateral amiotrófica num estado avançado, que se encontram incapacitados de comunicar e interagir. Através desta tecnologia é possível  garantir a recuperação da autonomia da decisão destas pessoas com esta condição. Terminou a sua apresentação com a ideia de que o seu trabalho “mexe na vida [das pessoas diagnosticadas com esta doença], e não na cura”.

O Prof. António Coelho trouxe o projeto SIMPROVE que utiliza tecnologia avançada de modo a aumentar e aperfeiçoar as capacidades dos profissionais do futuro, focando-se na sua formação através de jogos que mimetizam cenários reais, através de sistemas de simulação. A última sessão da manhã, contou com a presença da Profª Micaela Fonseca que apresentou os principais pontos que aborda na sua investigação, junto da sua equipa multidisciplinar. Estes pontos são nomeadamente a reabilitação motora e cognitiva pós-covid nos hospitais e domicílio, a promoção da literatura na saúde e, acima de tudo, a otimização do processo de reabilitação com ajuda da realidade virtual.

A sessão da tarde começou com o workshop “Introdução à criação e animação em 3D” coordenado pelo Prof. Nuno Félix que, através do programa Blender, mostrou os passos necessários para a criação de uma imagem 3D dos pulmões e da traqueia.

Para concluir estes dois dias, foi apresentado um debate com a presença do Dr. Pedro Gamito e Engª Rita Maçorano, que apresentaram o seu percurso académico, que projetos desenvolveram e estão atualmente a desenvolver e quais os obstáculos que tiveram de enfrentar no âmbito da saúde mental.

Todos os oradores abordaram temas atuais e importantíssimos nas diversas áreas tecnológicas em que a Engenharia Biomédica está integrada, motivando os participantes a utilizarem as ferramentas e conhecimentos adquiridos academicamente para a concretização de projetos que façam a diferença.

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