No passado dia 23 de Setembro de 2020, a ANEEB esteve presente no evento “Digital Roundtable: O Mercado da Saúde Visto Por Startups de Tecnologia”, realizado no âmbito da Semana Empreendedorismo de Lisboa (SEL), transmitido em direto e online via facebook, e organizado pela LabToMarket, SEL e Made of Lisboa.

A discussão foi mediada por David Magboulé, consultor de estratégia e fundador da LabToMarket, que proporcionou uma conversa informal e ritmada com directores de 3 startups de base tecnológica com projetos a decorrer/passados na área da saúde:

André Lourenço, CEO da CardioID, uma spin-off que apresenta uma solução para medição eletrocardiografia não invasiva. O dispositivo de medição consiste em 2 elétrodos de superfície, sendo que os dados obtidos são posteriormente analisados através de técnicas de processamento de sinal. A ideia surgiu em meio académico em meados de 2009, contudo a empresa foi fundada apenas em 2014, após alcançar o 1º lugar na competição InovPortugal (2013) com o projeto eletrocardiografia para reconhecimento de identidade. A CardioID iniciou o seu percurso no mercado da indústria automóvel com a monitorização do sinal ECG de condutores. Atualmente, continua a trabalhar com a indústria automóvel, onde a ideia prosperou demonstrando o seu valor e aplicabilidade a curto prazo, contudo ambicionam a transição para o mercado da saúde, nomeadamente com vista a monitorização da insuficiência cardíaca, ideia acelerada em contexto de COVID, devido a uma baixa de prestação de cuidados de saúde a estes pacientes crónicos. Esta aplicação encontra-se em fase de teste.

Eduardo Mendes, co-fundador e CCO da Connect Robotics, uma empresa que objetiva a automatização de drones para execução de tarefas, em particular para entregas a longas distâncias e transporte urgente na área da saúde. Esta surgiu da tese de doutoramento do co-fundador, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), foi desenvolvida com o apoio da incubadora da FEUP e através da participação em programas de aceleração de startups, e movida por um mercado ascendente (dos drones). A introdução na área da saúde surgiu da procura, por parte de farmácias, de uma entrega de medicamentos ao domicílio ágil e segura, especialmente de povoações isoladas. Para tal, o transporte teve de passar por um processo de verificação e validação rigorosas e diversas tipologias empacotamento foram desenhadas, por forma a ser aprovado pela Infarmed. A tecnologia foi aprovada e, atualmente, a Associação Nacional de Farmácias é um parceiro que procura implementar o transporte de medicamentos através dos drones da Connect Robotics à sua rede de farmácias. Futuramente, a Connect Robotics gostaria de estender o mercado a outras áreas.

Luis Pedro Martins, fundador e CEO da Zaask, uma plataforma destinada a facilitar o contacto entre particulares/empresas e prestadores de serviços, presentes em Portugal e na União Europeia. A ideia surgiu da necessidade de  acesso e comunicação facilitados com prestadores de serviços, sentida pelo Luís entre casa e viagens de trabalho, da sua mente empreendedora e motivação crescente para trabalhar por conta-própria. A experiência na área da saúde despontou em pleno COVID (Março de 2020), e contemplou a criação de um chat boot que permitiu uma primeira triagem, elaborada de acordo com um roteiro disponibilizado pela Saúde24, e a comunicação rápida entre pacientes e médicos, em caso de suspeita. Este foi um projeto de cariz temporário, que resultou de uma incapacidade de resposta do serviço de Sáude24, e de uma vontade de cooperar e ajudar por parte da comunidade Tec4Covid e da Zaask. Atualmente e na área da saúde, a plataforma permite apenas estabelecer o contacto entre profissionais associados a saúde mental, como psicólogos, e pacientes.

Em geral, recomendações para mentes empreendedoras que ambicionam criar uma startup no mercado da saúde:

  • Os procedimentos de verificação e validação de tecnologias/soluções em saúde estão, por norma, associados a processos de regulamentação rigorosos e, por esta razão, o estabelecimento de parcerias com instituições reguladoras é fundamental, por forma a assegurar a fiabilidade da tecnologia/solução;
  • Necessidade de um conhecimento do mercado (competição);
  • Aposta em soluções/tecnologias que facilitem o acesso a cuidados de saúde e monitorização desta no dia-a-dia;
  • Por vezes, uma transição de uma área menos regulamentada, mas viável, pode ser útil para consolidação e aprimoração da solução/tecnologia.

Por fim, ficam as notas que, de acordo com dados de 2019, Portugal investe na saúde acima da média europeia, proporcionalmente aos nossos recursos, e que a partir de 2021 as autarquias vão ter mais poder de decisão no que diz respeito à saúde, o que pode levar a uma revolução do setor da saúde em Portugal.

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