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A diabetes é uma doença que pode trazer várias complicações como por exemplo o conhecido problema da cicatrização de feridas no doente diabético. A nível do sistema circulatório a redução do fluxo sanguíneo, principalmente nas extremidades do corpo, pernas e pés, dificulta a cicatrização de feridas. Ao nível do sistema imunológico, o excesso de glicose pode alterar a função dos leucócitos tornando-os menos eficazes, fazendo aumentar o risco de infeção e o sangramento, prejudicando igualmente os processos de cicatrização.

Nos dias de hoje, o aumento do número de pessoas com diabetes tipo 2 e o envelhecimento da população têm tornado cada vez mais comuns as feridas que demoram mais de 4 semanas a cicatrizar. Estas são especialmente graves, porque podem ulcerar e, se nunca chegarem a sarar, conduzir a amputações. Daí a importância da monitorização do processo de cicatrização no doente diabético, que atualmente requer uma abordagem interdisciplinar de uma equipa médica especializada. As smart bandages, vêm dar resposta a esta necessidade.

Uma smart bandage é um penso com tecnologia associada, que poderá monitorizar o progresso da cicatrização, enviar os dados para o médico e dispensar medicamentos. Permitindo reduzir, por exemplo, o número de substituições das ligaduras durante o processo de cicatrização, diminuindo o risco de perturbar esse mesmo processo.

As smart bandages poderão, ainda, estar ligadas ao smartphone do paciente através de Bluetooth ou 5G, avisando-o de algumas atividades que poderão atrasar a cicatrização da ferida, como por exemplo a dieta do doente. Também estão em desenvolvimento smart bandages que mudam de cor quando a ferida está infetada, alertando o paciente que deverá dirigir-se ao seu médico.

Para além disso,  este equipamento permite monitorizar a temperatura e o pH da ferida através de sensores, detetando e alertando se houver alguma alteração nestes parâmetros, o que permitirá ao médico uma intervenção mais imediata.

Através das smart bandages será também possível a aplicação de medicação adequada, nos casos em que tal é necessário. Isto graças a um processador central que lê os dados recolhidos pelos sensores e dá ordem para administrar a medicação.

Cientistas da Ohio State University, desenvolveram, ainda, um método de aplicação de pulsos elétricos, com efeito bactericida que atuam na bactéria responsável pela dificultação do processo de cicatrização, que leva às amputações.

Esta tecnologia  pode alterar a abordagem ao problema da cicatrização de feridas possibilitando uma intervenção mais ativa, atempada e reduzindo o tratamento passivo, por vezes mais agressivo, e evitando as complicações mais graves. Com as smart bandages, o futuro reserva a possibilidade de variar o tratamento destas feridas, adaptando-o ao estilo e padrão de vida do paciente bem como ao estado atual da ferida, trazendo consigo inúmeras vantagens.

Referências:

Derakhshandeh, H., Kashaf, S., Aghabablou, F., Ghanavati, I. O., & Tamayol, A. (Dezembro de 2018). Smart Bandages: The Future of Wound Care.

HealthEuropa. (29 de Julho de 2019). Obtido de Could bandages be going digital? Monitor dressing and electric pulses to revolutionise wound treatment: https://www.healtheuropa.eu/could-bandages-be-going-digital-monitor-dressing-and-electric-pulses-to-revolutionise-wound-treatment/92591/

Krishna, S. (9 de Julho de 2018). engadget.com. Obtido de Smart bandage can monitor chronic wounds and dispense drugs: https://www.engadget.com/2018/07/09/smart-bandage-chronic-wounds-reduce-amputations/

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