Este artigo faz parte de uma série de artigos redigidos por colaboradores do Departamento de Ensino e Ação Social da ANEEB. Apoie o autor lendo o artigo no seu LinkedIn.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa de progressão lenta que se manifesta por perdas de memória e declínios cognitivos progressivos, podendo conduzir à morte. Esta doença representa cerca de 60% a 70% de todos casos de demência, que a nível mundial são aproximadamente 47.5 milhões, podendo atingir os 75.6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050 para os 135.5 milhões. Perante este flagelo que já afeta tantas famílias, é urgente desenvolver novas estratégias para o travar.

Ao longo dos anos, foram feitos alguns ensaios clínicos sobre a Estimulação Magnética Transcraniana (TMS do inglês Transcranial Magnetic Stimulation) para o combate ao Alzheimer. Atualmente, a TMS é utilizada no combate a doenças como Parkinson, Depressão ou Esquizofrenia. Esta técnica de estimulação cerebral não invasiva, baseia-se em indução eletromagnética, isto é, através de um campo magnético variável, é criada uma corrente elétrica em determinada área do cérebro.

A TMS é classificada em dois grupos: TMS de alta frequência (f>3Hz) que é, habitualmente, estimuladora das áreas corticais onde são criadas as correntes elétricas; TMS de baixa frequência (f<1Hz), é, em contrapartida, inibidora dessas mesmas áreas.

As investigações sobre a estimulação magnética transcraniana de alta frequência para o combate ao declínio cognitivo do Alzheimer, têm demonstrado resultados promissores, no entanto não existem evidências de eficácia a longo prazo.

Em estudos de avaliação de linguagem, em 2008, a capacidade de identificar objetos ou ações, por parte de pacientes com a Doença de Alzheimer em estado inicial ou moderado, melhorou quando estes foram submetidos a TMS unilateral de 20 Hz sobre o córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC do inglês dorsolateral prefrontal cortex). Também foram observadas melhorias na compreensão de frases, em ensaios clínicos feitos em 2011, melhorias estas que foram verificadas durante cerca de 8 semanas. Em 2015, foram verificados benefícios da TMS de 10 Hz no DLPFC em testes de memória quotidiana, com efeitos persistentes até 1 mês.

Alguns estudos apontam para uma estratégia que envolve uma fase intensiva de estimulação de 10Hz em seis locais corticais diferentes durante 6 semanas. Juntamente com a TMS, os pacientes recebem um treino cognitivo, especificamente adaptado para as regiões do cérebro que serão estimuladas.

Recentemente, descobriu-se que o maior ou menor sucesso na utilização da TMS no combate ao Alzheimer obtém-se através da correção do balanço excitatório/inibitório. Isto porque, constatou-se que os aumentos nos níveis de atividade neuronal contribuem diretamente para a patogénese desta doença, pois esses aumentos induzem à acumulação de amilóides em certas áreas corticais. Acumulação esta verificada, no cérebro do Doente de Alzheimer, anos antes do aparecimento de sintomas cognitivos evidentes. Assim, a TMS de alta frequência leva a progressos dos sintomas clínicos, mas também agrava a doença. Em oposição, a TMS de baixa frequência, inibe a acumulação de amilódes, mas não se verificam grandes melhorias dos sintomas.

Assim o objetivo do tratamento consiste em contrabalançar a alta e baixa frequência do TMS, de modo a que a sua utilização conjunta traga o maior benefício com o mínimo prejuízo para o doente.

As principais dificuldades nestes estudos sobre uso da TMS para o combate ao Alzheimer. prendem-se com a falta de grupos de controlo dos ensaios clínicos, e ao tamanho, normalmente pequeno, da amostra em estudo. Neste sentido, são necessários mais ensaios adequadamente projetados, com amostras maiores para tratar de questões ainda não resolvidas.

A estimulação cerebral representa um longo e trabalhoso, contudo importante, caminho para o combate à Doença de Alzheimer.

Referências

Alzheimer Portugal. (s.d.). Obtido de Doença de Alzheimer: https://alzheimerportugal.org

Andrea Guerra, F. A. (6 de julho de 2011). Transcranial Magnetic Stimulation Studies in Alzheimer’s Disease. p. 9.

Grant Rutherford, R. G. (15 de janeiro de 2015). rTMS as a Treatment of Alzheimer’s Disease with and without Comorbidity of Depression: A Review. p. 5.

Marina Weiler, K. C. (6 de janeiro de 2020). Transcranial Magnetic Stimulation in Alzheimer’s Disease: Are We Ready?

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