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O aperfeiçoamento humano é tão antigo quanto a civilização humana e é descrito como qualquer tentativa de temporária ou permanentemente superar as limitações do corpo humano por vias de métodos naturais ou artificiais. Esta tecnologia pode ser utilizada não somente para o tratamento de doenças ou deficiência, mas também para melhorar características e capacidades.

Os defensores desta prática concordam com a possibilidade de uma interferência mais radical na vida humana, que poderia permitir viver vidas mais longas, saudáveis e até mais felizes. Contra essa posição, estão aqueles que defendem a conservação e proteção de algum tipo de essência humana, que deve ser preservada. Numa visão mais moderada, talvez uma das questões cruciais a considerar seja se o aprimoramento humano é um desenvolvimento necessário e se representa um uso adequado do tempo, financiamento e recursos em comparação com outras questões sociais.

As melhorias humanas que dependem de alguma forma de adaptação científica ou tecnológica também envolvem uma gama de profissionais, cuja conduta é governada por rígidos códigos éticos. Assim, para que o aprimoramento seja possível, será necessário obter consenso sobre o valor de uma intervenção médica  aplicada a um contexto não terapêutico ou aprimorador. Certamente, não se espera que as necessidades das pessoas que procuram melhorias superem as que procuram algum tipo de tratamento médico para disfunções ou sofrimentos decorrentes de um problema de saúde.

Uma preocupação final refere-se ao valor geral das melhorias humanas. De facto, embora seja possível que o aumento da altura ou da velocidade possa render benefícios para o indivíduo em questão, numa sociedade em que todas as pessoas realizam melhorias semelhantes, o benefício geral é anulado. Em vez disso, a consequência a longo prazo dessa cultura permissiva de aprimoramento é simplesmente uma mudança no que é biologicamente normal.

Aliado a este importante tema, está a questão dos bebés-proveta, uma criança proveniente de uma inseminação artificial ou fertilização in vitro. Assim, o bebé não resulta de uma fecundação em condições naturais, proveniente de uma relação sexual entre um homem e uma mulher, mas antes da fecundação gerada em laboratório. Este método veio trazer esperanças aos casais inférteis, abrindo uma nova era no tratamento da infertilidade. Atualmente, este método é utilizado em diversas situações, como no caso de bloqueamento das trompas de falópio ou em casos de espermatozoides deficientes ou em número reduzido. Cerca de 25% das gravidezes por fertilização “in vitro” são gémeos, o que corresponde a uma incidência bastante superior à das gravidezes naturais.

Em Portugal, Alberto Barros é um dos especialistas portugueses mais prestigiados em reprodução medicamente assistida, tendo sido, juntamente com a sua equipa, responsável pela introdução da metodologia da microinjeção intracitoplasmática, no país. Em tom de curiosidade, o primeiro bebé-proveta do mundo chama-se Louise Brown e nasceu a 25 de Julho de 1978, em Bristol, Inglaterra.

Embora este trabalho se tenha tornado líder de pesquisa em vários países ao redor do mundo, ainda há muito a descobrir antes que seja alcançado um senso claro das implicações globais do aprimoramento humano, bem como a formulação de uma estratégia razoável.

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