Nos passados dias 3, 4 e 5 de fevereiro de 2020 decorreram, na Universidade do Minho (UM), as Jornadas de Engenharia Biomédica, evento organizado pelo Gabinete de Alunos de Engenharia Biomédica (GAEB).

Na sessão de abertura, discursou a Presidente do GAEB, Diana Rito, o Vice-Presidente externo da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), Duarte Lopes, o Vice-Presidente da Escola de Engenharia, António Vicente, o Diretor de Curso, Professor Luís Martins e a Professora Lígia Rodrigues por parte da Ordem dos Engenheiros. Todos os convidados salientaram que o principal foco destas Jornadas seria dar a conhecer aos seus participantes todas as diversas áreas de saída na Engenharia Biomédica através da apresentação de exemplos de sucesso de antigos alunos e entidades relacionadas com o curso.

Bárbara Brandão, em nome da ANEEB, apresentou sucintamente o programa para o XV Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Biomédica a acontecer em Aveiro, já no fim deste mês.

Seguidamente, assistimos à Mesa Redonda “O futuro que se aproxima”, que consistiu numa conversa informal com os ex-alunos Engenheira Sara Cerqueira (Ramo de Eletrónica Médica), Engenheira Bárbara Silva (Ramo de Biomateriais, Reabilitação e Biomecânica), Engenheira Luciana Meneses (Ramo de Engenharia Clínica) e Engenheiro Ivo Ramalhosa (Ramo de Informática Médica). Neste momento, foram colocadas várias questões, entre elas “Quais as vantagens/desvantagens dos vários ramos?”, “Quais as maiores dificuldades na passagem da licenciatura para o mestrado e ao longo do próprio mestrado?”, “Fazer Erasmus faz a diferença?” e também “Quais as maiores complicações na altura de começar a procurar emprego na área?”.

A última palestra da manhã contou com o testemunho de Mariana Lage da Costa (Chair UMinho SB) e de Sónia Machado (Vice-Chair UMinho SB), com o tema “Get to know IEEE”. O IEEE é uma organização profissional sem fins lucrativos dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, fundada nos Estados Unidos em 1963 por Thomas Edison e Alexander Bell, sendo que o Student Branch da UMinho se foca em transmitir o conhecimento da tecnologia avançada para todos os alunos, através de palestras, workshops, talk abouts, entre outros.

Ao início da tarde, dedicada ao ramo de engenharia clínica, Daniela Araújo contou o seu percurso como Engenheira Biomédica. O seu trabalho é focado no desenho e aplicação de oligómeros com base na Terapia Antisense, de forma a controlar genes envolvidos na infeção por C. albicans.

Para partilhar mais uma experiência, foi a vez de Elisa Rodrigues. Depois de adquirir o grau de Mestre em Engenharia Biomédica em 2007, estagiou no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde na área da gestão de resíduos hospitalares. Seguiu-se um estágio extracurricular de investigação em microbiologia clínica no Hospital de São Marcos, em Braga. Em 2008, integrou, como investigadora, um projeto que pretendia a produção de biofármacos no Centro de Engenharia Biológica (CEB), em colaboração com a empresa farmacêutica Biotecnol e o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP). De 2009 a 2012, desenvolveu o seu projeto de doutoramento no âmbito da otimização da produção de um anticorpo monoclonal para tratamento do cancro. Em 2014, inicia novo projeto de desenvolvimento de novas estratégias de tratamento de infeções por espécies Candida. Em 2018, torna-se Investigadora Júnior contratada pela Universidade do Minho. Reporta-se, até à data, a publicação de 26 artigos em revistas científicas internacionais, 6 capítulos de livro, revisão de diversos artigos para revistas científicas internacionais e a apresentação de 23 trabalhos científicos em conferências nacionais e internacionais.

Posteriormente, Ana Sofia Silva trouxe o tema “O que faz um Engenheiro Biomédico num hospital?”. Realizou um estágio curricular no Hospital Santa Maria Maior, E.P.E. – Barcelos, tendo sido responsável pelo processo de Acreditação dos Serviços de Imunohemoterapia, Patologia Clínica, Bloco Operatório e Unidade de Cirurgia de Ambulatório. Em 2017 iniciou a sua atividade laboral como Gestora da Qualidade no mesmo hospital referido anteriormente e, atualmente, é também responsável pelo Gabinete de Comunicação.

De seguida, Adriana Araújo conta como foi o seu crescimento como Engenheiro Biomédico em ambiente hospitalar. Teve oportunidade de aplicar os seus conhecimentos num estágio curricular numa unidade de saúde particular em Guimarães, na área da Qualidade Hospitalar. Foi convidado a prosseguir o seu percurso profissional nessa mesma unidade, tendo acompanhado a evolução de uma pequena unidade de 15 consultórios e 20 camas, para a construção de uma nova unidade hospitalar de 32 consultórios e 90 camas, onde deu os seus pareceres técnicos para a sua abertura. Teve possibilidade de trabalhar nas mais diversas áreas hospitalares, como a Qualidade, apoio à Gestão com ferramentas de business intelligence e mais profundamente na gestão de Infraestruturas, Manutenção e Equipamentos, o qual é responsável desde 2010.

O primeiro dia terminou com a apresentação da Engenheira Sónia Santos, fundadora da MedSupport, em que o intuito específico é o de oferecer serviços de apoio ao licenciamento para funcionamento.Com um comportamento pró-ativo e ajustando permanentemente os serviços que presta às constantes alterações de caráter normativo, social e cultural garante aos seus clientes elevados níveis de estabilidade, conforto e vantagens competitivas. A MedSupport está consciente que só a criação contínua de mais-valias para os seus clientes e o cumprimento dos requisitos dos mesmos, poderão constituir um alicerce sólido na prossecução da sua atividade.

A manhã do segundo dia, dedicada ao ramo de biomateriais, reabilitação e biomecânica, começou com a intervenção do professor Paulo Flores, professor catedrático no DEM da EEUM, cuja sua atividade se centra na dinâmica de sistemas mecânicos, ciência de mecanismos, tribologia, mecânica computacional, biomecânica e projeto de dispositivos médicos e ensino superior. É membro da unidade de investigação FCT em microssistemas eletromecânicos (CMEMS – UMinho), onde coordena o grupo de investigação em sistemas e aplicações biomédicas. É editor-chefe da revista Mechanism and Machine Theory, a mais prestigiada revista científica no domínio das máquinas e mecanismos. É autor ou coautor de mais de 350 publicações, tendo recebido mais de duas dezenas de prémios científicos nacionais e internacionais.

De seguida, ficamos a conhecer a Engenheira Helena Pereira. A sua dissertação, intitulada “Three dimensional cell-scaffold constructs for application in bone tissue engineering” foi realizada numa parceria entre o grupo de investigação i3B’s e o CMEMS – Center of MicroElectroMechanical Systems, onde entrou em contacto tanto com a vertente mecânica como a vertente biológica. Em março de 2018 iniciou o doutoramento em Líderes para Indústrias Tecnológicas. O projeto tem como objetivo a criação de um substituto ósseo biodegradável personalizável a cada paciente. Mostrando outra perspetiva, a dissertação de mestrado da Engenheira Mariana Silva foi desenvolvida em colaboração com a Universidade Técnica de Munique, na Alemanha. Está a trabalhar no Centro de Sistemas MicroEletroMecânicos da Universidade do Minho (CMEMS – UMinho), onde se encontra a desenvolver o seu projeto de doutoramento em engenharia mecânica.

Posteriormente, seguiu-se o Dr. Pedro Costa, pesquisador, inventor, educador, empreendedor, fundador, CEO e CTO da empresa Biofabics, especializada na criação de análogos de tecidos biológicos em 3D. Apresenta soluções de última geração para o estudo da imitação, reparo e substituição de tecidos e órgãos vivos. Em particular, a Biofabics desenvolve dispositivos 3D personalizáveis em chip para descoberta de medicamentos e diagnóstico/tratamento personalizado; ambientes semelhantes ao corpo para estudo de células e tecidos em estados semelhantes ao vivo; implantes e biorreatores sob medida para pesquisa e implantação. Lançou recentemente o Biofabics Toolbox, que atua como um banco de dados online de ferramentas de design e onde os pesquisadores são capazes de projetar e solicitar facilmente os próprios dispositivos altamente personalizados, por meio de uma interface online bastante direta.

Depois, foi a vez do Engenheiro Bruno Freitas. Durante o percurso académico realizou atividades extracurriculares, como o apoio a investigadores do CBMA em manipulação genética, estágio de verão no INL em microfluídica e ainda a colaboração num projeto da prótese da anca e simulação no DEM. A sua dissertação e posterior bolsa de investigação no CMEMS, incidiram sobre o design e simulação dinâmica de uma ortótese ativa. Atualmente, encontra-se em doutoramento com o intuito de desenvolver um equipamento de adição e subtração de material em próteses via laser. Título do projeto: “Development of hybrid robotic assisted technology for multifunctional biomedical implants customization”.

Seguidamente, Doutor Alberto Pardo-Montero. O seu trabalho foi focado no desenvolvimento de nanopartículas magnéticas e a sua aplicação biomédica (diagnóstico, monitorização e tratamento terapêutico de células tumorais). Agora, o seu interesse abrange o design de moldes 3D com resposta magnética para a engenharia de tecidos tendinosos.

Para terminar a manhã, o professor Rui Domingues apresentou o seu percurso. Em 2013 ingressou no grupo de investigação 3Bs, onde o seu foco de se centra no desenvolvimento de biomateriais funcionais para aplicações em engenharia de tecidos e medicina regenerativa. As suas principais áreas de interesse incluem o desenvolvimento de biomateriais nanoestruturados para a regeneração de tendão e ligamentos, explorando propriedades ímpares de vários nanomateriais, nomeadamente nanopartículas poliméricas impressas molecularmente (anticorpos sintéticos), nanocristais de celulose e nanopartículas magnéticas. Atualmente coordena e desenvolve atividades em vários projetos que incluem o desenvolvimento de anticorpos sintéticos assim como de biomateriais nanocompósitos magnéticos (nanofibras e bioinks) para aplicações em estratégias de biofabricação 3D direcionada para engenharia de tendão.

Para iniciar a tarde dedicada ao ramo de informática médica, apresentou o professor Paulo Novais, com o tema “Inteligência artificial”. Tem-se focado em conceitos ligados a decisão, inteligência ambiente, ambientes de vida assistida e análise comportamental. Presidente da APPIA (Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial) entre 2016 e 2019. Chair of the working group on Intelligent Agent da IFIP (Internacional Federation for Information Processing), membro da comissão executiva da IBERAMIA (IberoAmerican Society of Artificial Intelligence) e senior member da IEEE. É ainda coordenador da comissão científica do programa de bolsas Gulbenkian “Novos talentos em inteligência artificial da Fundação Calouste Gulbenkian”.

De seguida, Engenheiro Pedro Moreira, outrora estudante de Engenharia Biomédica, hoje trabalha numa empresa cuja missão é aliviar a dor, restabelecer a saúde e estender a vida. Medtronic é a maior empresa mundial na área de dispositivos médicos, na qual trabalha na área da cardiologia, nomeadamente arritmologia.

Para terminar o segundo dia, ficamos a conhecer a Accenture através do Engenheiro Hugo Portela. A Accenture é uma organização global líder em serviços profissionais que oferece uma ampla gama de serviços e soluções em estratégia, consultoria, digital, tecnologias e operações. A empresa trabalha na interseção entre negócio e tecnologia para ajudar os clientes a melhorar o seu desempenho e a gerar valor sustentável para o skateholders, utilizando a inovação para melhorar a forma como o mundo trabalha e vive. O Engenheiro Biomédico pode assumir vários papéis, desde a área mais técnica de desenvolvimento e programação, até à área mais funcional que passa pela análise de processos e de requisitos.

O Engenheiro Simão Carvalho iniciou a manhã do terceiro dia, dedicada à eletrónica médica. Realizou a sua dissertação de mestrado no laboratório Biomedical Robotic Devices (BiRD LAB), em que o projeto consistia em desenvolver uma framework de machine learning para reconhecer intenções humanas durante a locomoção em ambientes do dia-a-dia, utilizando dados de sensores colocados nos membros inferiores. Em 2019 conclui o mestrado e deu continuidade ao seu projeto de dissertação no âmbito de uma bolsa de investigação associado ao projeto SmatOS, em que o objetivo seria integrar a framework de machine learning no controlo de exoesqueleto. De momento encontra-se no primeiro ano de doutoramento, onde o seu projeto se foca no desenvolvimento de um sistema de controlo de um dispositivo de estimulação elétrica funcional para reabilitar doentes com lesões medulares e respetiva validação em ambiente clínico.

De seguida, Susana Marques apresentou-nos a Orthos XXI. Orthos XXI é um fabricante e distribuidor de material ortopédico e dispositivos médicos e hospitalares, com sede em Guimarães. O facto de ser fabricante nacional com skills consolidados permite aliar aos produtos que constam nos catálogos a mais-valia da conceção, desenvolvimento e fabrico de novos produtos e a sua customização e personalização. Pode assim dar resposta a necessidades especiais dos utilizadores, contribuindo para superar barreiras e criar soluções mais específicas e frequentemente únicas, melhorando assim a sua qualidade de vida. A qualidade dos produtos da Orthos XXI pode ser comprovada nos melhores hospitais, clínicas e lares, tanto no setor privado como no público, onde foram selecionados de entre outros. A empresa fabrica dispositivos médicos de Classe I, com certificação CE, de acordo com as diretivas europeias. A Orthos XXI é também certificada pela ISO 9001.

Posteriormente, ficamos a conhecer o percurso da Engenheira Vera Cardoso. Realizou a sua dissertação de mestrado inserida no projeto CleanTumor, que consistia no desenvolvimento de uma sonda cirúrgica de ondas milimétricas para auxiliar o cirurgião na ressecção de tumores neuronais. Deu continuidade ao projeto, mas agora numa nova vertente que consiste na implementação de uma ferramenta de realidade virtual para auxiliar o neurocirurgião durante o procedimento cirúrgico de remoção de tumores cerebrais.

Mais tarde, o Doutor António Lúcio Baptista e o Engenheiro Bruno Oliveira apresentaram-nos as suas perspetivas sobre “Saúde para o século XXI: Onde entra a Engenharia Biomédica”. O Dr. António Lúcio Baptista é cirurgião cardiotorácico, fundador e presidente emérito da ALTEC – Associação de Laserterapia e Tecnologias Afins, membro da direção do ELA – European Laser Association e membro da Sociedade Portuguesa da Cirurgia Cardio-Torácica e Vascular. Dedica-se a projetos de inovação com o CENTI, a Universidade do Minho, o IPCA e a UTAD. Bruno Oliveira está atualmente a trabalhar na sua tese de doutoramento, que se concentra no desenvolvimento de um robô de inteligência artificial para tratamento a laser de lesões vasculares, num projeto com a colaboração de 2Ai, ALGORITMI e ICVS/3B’s. O seu principal foco de pesquisa é o processamento de imagens médicas, robótica médica e aplicações biomédicas.

Por fim, apresentou a professora Raquel Oliveira Rodrigues. Concluiu o doutoramento com o tema: “Nanoestruturas magnéticas de carbono e estudo do seu transporte em dispositivos microfluídicos para hipertermia”. Durante esse período, recebeu uma bolsa de investigação da Fulbright na Divisão de Ciências da Saúde e Tecnologia de Harvard-MIT, visando o desenvolvimento de órgãos num chip para a triagem de nanomateriais projetados para aplicações biomédicas. Em 2018, recebeu uma concessão no âmbito do Programa Internacional de Estágios da NASA, no Centro de Pesquisa Ames Moffett Field, para desenvolver biossensores para detecção de vida. Atualmente é pesquisadora de pós-doutoramento no CMEMS e associada científica do INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, num projeto relacionado com órgãos num chip integrado com micro(bio)sensores.

A ANEEB gostaria de parabenizar o seu associado efetivo, o Gabinete de Alunos de Engenharia Biomédica e toda os intervenientes pela organização de um evento rico e que permitiu aos seus estudantes conhecer os vários ramos e as várias possibilidades da Engenharia Biomédica.

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