Este artigo faz parte de uma série de artigos redigidos por colaboradores do Departamento de Ensino e Ação Social da ANEEB. Apoie o autor lendo o artigo no seu LinkedIn.

A disciplina de Modelação Biomédica demarca-se cada vez mais como uma alternativa às experimentações laboratoriais em organismos vivos e, ao mesmo tempo, aliada à Simulação Biomédica, tem vindo a permitir avanços significativos na educação, prática e investigação em Medicina.

Desde 1989, investigadores têm abandonado as práticas in vivo em prol das in silico (com simulação computorizada), apresentando-se as últimas como menos dispendiosas, tanto a nível orçamental como temporal. Produzir modelos físicos e/ou virtuais que repliquem condições singulares de pessoas reais tem sido um desafio que muitas empresas e institutos têm aceitado, optando por vezes por aliá-lo à geração de simuladores. As tecnologias de prototipagem rápida têm igualmente usufruído da Modelação Biomédica, a três dimensões, na criação de próteses e implantes personalizados, cada vez mais seguros e eficazes.

Em Portugal, a empresa BodyInteract, com sede em Coimbra e, atualmente, escritórios nos Estados Unidos da América, muito se tem destacado com o desenvolvimento de pacientes virtuais, sustentados na Inteligência Artificial. Estes pacientes apresentam quadros clínicos baseados em pacientes reais, e assim é também a sua evolução ao longo da simulação: com um impacto direto entre a ação do utilizador e a reação do simulador, os parâmetros fisiológicos vão progredindo de forma fiel à realidade, em cenários variados.

Os resultados, além de visíveis, são amplamente acolhidos em diversos setores: na prática médica, os cirurgiões, enfermeiros, e prestadores de cuidados de emergência ou ao domicílio podem agora preparar-se para situações concretas, de uma forma fiel à realidade. No domínio de diferentes cirurgias, em particular nas cirurgias robóticas, aos cirurgiões é frequentemente exigido um período mínimo de tempo cumprido em simulação, antes da integração das competências adquiridas na prática real. Na educação médica, a inserção de modelos e simuladores tem sido revolucionária, aumentando a retenção do conhecimento, a par de novas opções automatizadas de avaliação. Efetivamente, num ensino que carece quando demasiado teórico, mas que arrisca na execução prática por formandos, a simulação médica providencia um ambiente seguro de aprendizagem, oportuno à união entre teoria e prática. Uma equipa de estudantes da Universidade do Algarve, já versados no uso destas tecnologias, ganhou o Campeonato Europeu de Simulação Médica em junho de 2018.

Nas palavras de Wijk van Brievingh, em 1993, para os modelos fisiológicos, “Um modelo é sempre uma simplificação da realidade, mas nunca deverá ser tão simples que as suas respostas sejam falaciosas”. Com efeito, frequentemente tomamos conhecimento de modelos mais complexos e evoluídos, ainda que, simultaneamente, produzam respostas progressivamente mais válidas e fidedignas. Para o futuro, espera-se que a investigação em Modelação Biomédica continue a produzir resultados úteis, tornando-se cúmplice de cada vez mais ferramentas, como a Realidade Aumentada, e uma ajuda indispensável para cada vez mais serviços.

Bibliografia:

  • Wijk van Brievingh, R. and Möller, D. (1993). Biomedical Modeling and Simulation on a PC. New York, NY: Springer New York.
  • Griesmer, F. (2013). In Silico: Numerical Simulations in Biomedical Engineering. [Blog] COMSOL BLOG. Available at: https://br.comsol.com/blogs/in-silico-numerical-simulations-in-biomedical-engineering/ [Accessed 17 Mar. 2019].
  • Body Interact. (2013). Education. [online] Available at: https://bodyinteract.com [Accessed 17 Mar. 2019].
  • Rodrigues, H. (2018). Alunos de Medicina da UAlg ganham o campeonato europeu de simulação médica. Sulinformação. [online] Available at: https://www.sulinformacao.pt/2018/06/alunos-de-medicina-da-ualg-ganham-premio-europeu-de-simulacao-medica/ [Accessed 17 Mar. 2019].

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