Este artigo faz parte de uma série de artigos redigidos por colaboradores do Departamento de Ensino e Ação Social da ANEEB. Apoie o autor lendo o artigo no seu LinkedIn.

As emoções são experiências vivenciadas por cada um de maneira diferente, podendo ser despertadas por estímulos externos ou internos. O conhecimento e a interpretação das mesmas, quer a nível psicológico quer a nível fisiológico, tem sido tema de muitas investigações. Sendo o séc. XXI um marco na evolução da tecnologia, vários investigadores pretendem adaptá-la ao estado emocional de cada utilizador. Surge assim uma nova área de investigação: a Computação Afetiva.

A computação afetiva trata-se do estudo e desenvolvimento de sistemas e dispositivos que conseguem reconhecer, interpretar, processar e estimular as emoções humanas. A investigação e o desenvolvimento em computação afetiva combina engenharia e ciências da computação com psicologia, ciências cognitivas, neurociências, sociologia, educação, psicofisiologia, ética, entre outros. Uma motivação para esta investigação é a estimulação da empatia máquina-humano. A máquina deve interpretar o estado emocional do utilizador e adaptar o seu comportamento ao mesmo, dando uma resposta apropriada a essas emoções.

Esta capacidade de computadores ou outros dispositivos conseguirem ler as nossas emoções e apresentarem “inteligência emocional” não é uma realidade assim tão distante. Esta área tem despertado cada vez mais interesse devido à sua possível combinação com robótica, big data e machine learning.

A origem deste campo pode ser reportada ao início da discussão filosófica sobre emoções. As investigações mais atuais foram geradas por um artigo de Rosalind Picard’s em 1995 sobre computação afetiva. A deteção de emoções começa com sensores passivos que apreendem informação sobre o estado físico ou o comportamento do utilizador sem interpretação do input. Os dados recolhidos pela máquina são análogos aos sinais que os humanos usam para perceber as emoções noutros. Outra área explorada na computação afetiva é a criação de dispositivos que possuem capacidade de expressar emoções ou até mesmo de as estimular.

As emoções são uma parte fundamental do ser humano, mas têm sido ignoradas pela tecnologia devido à dificuldade da sua quantificação e de não haver tecnologia capaz de as interpretar, resultando por vezes em experiências frustrantes no que toca à relação utilizador-máquina.

Têm sido desenvolvidos programas capazes de reconhecer expressões faciais, postura, gestos, tom de voz, vocabulário e ainda o ritmo ou a força que o utilizador usa para manusear o dispositivo de forma a registar mudanças do estado emocional do utilizador. Câmaras e outros sensores enviam a informação para algoritmos que a interpretam, determinando o estado emocional do utilizador e, desta forma, fazendo com que o dispositivo reaja de acordo com esse estado.

Várias evidências mostram que os estados emocionais experienciados por uma pessoa levam a mudanças físicas, psicológicas e fisiológicas, apresentando influência em sistemas como o imunológico, o cardiovascular e o respiratório. Porém, existe um enorme leque de limitações que impede, muitas vezes, a investigação das emoções e a sua relação com a saúde, tornando-se difícil, por isso, entender como é que cada indivíduo é capaz de o fazer e qual o processo cognitivo a que recorre na determinação da sua resposta.

Para além disso, cada indivíduo em estudo terá a sua própria experiência de vida, pelo que o mesmo evento ou contexto causará diferentes emoções em diferentes indivíduos. Perante a dificuldade de se medir continuamente e por longos períodos de tempo as emoções e experiências afetivas de um indivíduo, torna-se necessário desenvolver métodos e tecnologias capazes de o fazer sem que tal implique uma diminuição da qualidade de vida do mesmo.

Desta forma, a computação afetiva toma um papel muito importante, na medida que seja possível desenvolver dispositivos capazes de reconhecer, interpretar, processar e estimular as emoções humanas, sem que tal seja percetível pelo utente, não o comprometendo nem às suas relações com o meio interno e externo.

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