Entrevistador – Olá equipa 21, digam-me uma coisa, como é que se chamam, de que faculdade são?

Entrevistados – Sou a Joana e estou no terceiro ano do Técnico;

Rodrigo, quinto ano do Técnico;

Sou o Luís estou no segundo ano da FCT;

João quinto ano do Técnico;

Entrevistador – Ok. fixe. Então e digam-me como é que surgiu o vosso grupo, estou aqui a ver pessoal do Técnico, da FCT, quem é que teve a ideia?

Entrevistado -Eu (João) e o Rodrigo já nos conhecemos porque somos da mesma Tuna, nós já estávamos à procura duma hackaton há algum tempo e ele falou comigo. Perguntou se o queria ajudar, em paralelo já tinha falado com a Joana Nápoles  e estávamos à procura dum quarto elemento porque nós tivemos alguma dificuldade a tentar encontrar um quarto elemento e dentro do nosso ano estávamos um bocado saturados e a Joana Nápoles também teve alguma dificuldade, então ela sugeriu vir o Luís que era da FCT;

(Rodrigo) – Que acabou por se revelar uma grande mais valia (risos).

Entrevistador – Ok, então relativamente às dinâmicas de grupo vocês acham importante esta interdisciplinaridade que existe dentro dos grupos? Porque é que acham que isso é importante neste tipo de projetos? Vocês são 4 pessoas provavelmente devem ter gostos diferentes…

Entrevistados – (Joana) Sim, o João e o Rodrigo são de perfis diferentes no mestrado.

Entrevistador – Ah, digam-me um coisa, já agora para ficar registado. De que perfis é que são?

Entrevistado – Nós (João e Rodrigo) estamos já de mestrado, portanto nós já temos perfis, mas eles ainda não. Eu estou na parte mais de sinais, instrumentação, aquisição de sinais, e também tenho imagiologia.

(Rodrigo) Eu estou em Engenharia Clínica.

(Joana) Mais de gestão. Eu estou sempre mais ligada às células e tecidos.

(Luís) Eu ainda não tenho a mínima ideia definida (risos).

Entrevistado – (João) Mas respondendo à outra pergunta que estavas a fazer, estavas a perguntar. Eu acho que as dinâmicas de formas diferentes de pensar dão resultados a diferentes ideias e é muito interessante depois vermos a forma como personalidades diferentes acabam por se interligar de formas diferentes. Dá para ver pessoas que são mais focadas na parte de design ou na parte da organização e não precisamos de ser bons a fazer tudo, o importante é depois no final o trabalho completar-se.

Entrevistador – Certo, então e agora falando um bocado sobre o tema que vos foi proposto. Qual é que é a importância que vocês dão a esta necessidade de procurarmos soluções IT de forma a respondermos a este tipo de problemas. Neste caso, as pessoas começarem a aderir mais à terapêutica. Como é que acham que isso é importante?

Entrevistado – Acho que esta é para ti Rodrigo (João) – (risos).

(Rodrigo) Sei lá, eu acho que, em primeiro lugar, frisar-se a importância e a dimensão que este  problema tem na sociedade em que temos, só pela pesquisa que temos feito, a noção do impacto, não só financeiro, como na qualidade de vida que as pessoas têm, é brutal. Depois outro aspeto na parte do IT, eu acho que para mim, pessoalmente, é entender que no fundo as tecnologias de informação, e não só a tecnologia em si , é de facto uma ferramenta importantíssima na luta e na resolução de problemas atuais. Mas depois também acho importante não esquecermos que, por exemplo, a não adesão terapêutica tem vários fatores, nomeadamente um deles é a parte psicológica e até que ponto não há soluções simples, como, por exemplo ,um médico passar a explicar  ao paciente a importância, porque é que é importante seguir este medicamento. Por exempl,o falha-se em que as pessoas têm noção em que se aumentarem a dose vai aumentar a resposta que é um dos fatores que acaba por resultar na falha terapêutica. Não sei, eu acho que… ou seja, entender a importância dessa ferramenta que não só como, por exemplo IT, mas também que há outro fator.

(João) A parte psicológica do paciente, a forma como ele está adaptado a resolver os problemas  que advêm de tomar medicamentos e puder esquecer ou não, ter o reconhecimento de qual é que é o medicamento que ele tem que tomar, são conceitos que não estão diretamente ligados à parte IT e que também têm uma componente importante que deve ser avaliada e eu ia só acrescentar que acho que é interessante este tipo de temas para alunos de Engenharia Biomédica, porque nós temos os dois lados das competências e para nós é perfeitamente adequado este tipo de problemas e acho que estamos mesmo no for-front deste tipo de problemas. Se forem falando com os grupos todos eles estão com soluções, não são aquelas soluções básicas de ter uma aplicação, são mesmo conceitos que vêm de tecnologias tão próximas daquilo que vai ser o futuro, portanto acho que é um ponto fundamental a Biomédica estar presente nestes passos.

(Rodrigo) É, eu acho que até é interessante e no fundo estas discussões que temos no fundo qual é que é a abordagem que vamos usar, pessoalmente, por exemplo, cada um de nós tem opiniões e perspetivas sobre, por exemplo, o uso da tecnologia ou qual é que é para nós, tipo pessoalmente temos os nossos valores ou aquelas causas que para nós puxa mais.

(Joana) Sim, mesmo a experiência pessoal.

Entrevistador – Então e agora digam-me uma coisa, mais relativamente ao vosso projeto que vão desenvolver. Conseguem falar-nos um bocado sobre isso, isto é confidencial, não estamos a partilhar ideias entre grupos. Mas conseguem falar-nos um bocado em traços gerais sobre o que é que consiste a vossa ideia.

Entrevistados – (Joana) Podes treinar o pitch (risos).

(João) Essencialmente a nossa solução, o problema que nós estamos a focar dentro do problema mais vasto, é as pessoas quando estão a tomar um medicamento podem não conhecer qual é que é e podem se esquecer dele, logo dois  problemas que nós estamos a identificar e a nossa solução vai se depreender por ter um sensor implantado, não de uma forma muito extensa, mas no tubo digestivo da pessoa e o nosso foco vai ser utilizar isso na boca. A pessoa mete uma espécie de circuito no céu da boca com uma cola especial que pode ser facilmente trocada e que não tem qualquer problema de biocompatibilidade, algo que tivemos algum foco porque sabíamos que implantes era algo complicado e tivemos alguma atenção a garantir que não seria invasivo para o máximo das pessoas poderem utilizar. A  ideia, a partir do momento que tens um sensor na boca , depois garantindo que os medicamentos têm o correspondente a esse sensor, cada medicamento ter um material que fosse único e detetável pelo sensor. Assim que tomar o medicamento, o sensor deteta e facilmente consegues passar a informação para uma aplicação e toda a rede que se consegue criar à volta do paciente e este tipo de tecnologias estão mesmo no for-front, aplicamos uma série de tecnologias como nanotecnologia, microfabricação e a forma como o sensor é criado, não vamos utilizar sensores que necessitem de baterias, que normalmente é um dos grandes problemas quando se utiliza nanotecnologia ou qualquer tipo de sensores implantados e acho que pode ser uma solução que mesmo que a tecnologia não esteja disponível neste momento no mercado, num próximo futuro, de 5 a 10 anos, conseguiremos ver esta tecnologia a ser aplicada.

Entrevistador – OK, então digam-me uma coisa, relativamente a público-alvo, têm algum público-alvo? Não… talvez?

Entrevistado – (Joana) Nós pensamos numa estratégia de começar por fazer mini-trials em problemas que estejam a afetar mais a população portuguesa, como, qual é que tu tinhas visto?

(Rodrigo) Várias, no fundo problemas quer do cancro, osteoporose.

(Joana) Diabetes, depois focarmo-nos mais em doenças crónicas que também assolam bastante a população e tentar ao máximo a seguir diversificar para toda a população porque, de facto, isto é algo que é interessante aplicar em qualquer tipo de paciente, mesmo para mulheres, por exemplo, a pílula, saber se tomou ou não, dosagens é algo que pode ser monitorizada por este tipo de sistema e esse seria basicamente o nosso público-alvo.

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