No passado dia 26 de novembro, a ANEEB teve oportunidade de entrevistar Joana Pinto, CEO da Clynx, uma startup de Engenharia Biomédica fundada por estudantes e constituída por Gonçalo Chambel, Henrique Carvalho, João Ramiro e Rebecca Yeap.

[Entrevistador]Tiago Gonçalves

[Entrevistado] Joana Pinto

[Entrevistador] – Falem-nos um bocadinho da vossa equipa e dos vossos percursos. Como se conheceram?

[Entrevistado] – A nossa equipa formou-se inicialmente na JUNITEC – Júnior Empresas do Instituto Superior Técnico, onde nos conhecemos. A equipa foi formada em maio de 2017, inicialmente constituída pela Joana, o Henrique e o João Ramiro. Poucos meses depois, o Gonçalo juntou-se à equipa. Já a meio deste ano, no âmbito da nossa participação no European Innovation Academy, a Rebecca veio completar a nossa equipa. Em termos de percursos académicos, estes são bastante variados entre nós – desde a engenharia biomédica, à eletrotécnica e de computadores e a design de produto.

[Entrevistador] – E sobre a Clynx? Poderão contar um pouco de como tudo começou?

[Entrevistado] – A Clynx veio a ser originada do projeto que iniciámos na JUNITEC, na altura com um nome diferente. Existia o interesse de desenvolver um projeto de engenharia biomédica que aliasse o conceito emergente de gamification à especialidade médica de Reabilitação física, ideia inicialmente proposta por um colega mais velho. Percebemos que além de estarmos a introduzir digitalização e tecnologia a este tratamento clínico, conseguiríamos também trazer-lhe qualidade, resolvendo problemas de falta de motivação ou até frustração, que os pacientes experienciam. Partindo deste conceito, a nossa equipa explorou diversas adaptações de modo a torná-lo ainda mais atrativo sob o ponto de vista dos vários stakeholders – primariamente os pacientes, os profissionais de saúde e as administrações das clínicas. A formação oficial da startup ocorreu em agosto deste ano, impulsionada pela notícia de que teríamos uma premiação no âmbito de um concurso europeu para projetos e startups na área da saúde, o InnoStars Awards, da EIT Health.

[Entrevistador] – Quanto a questões mais técnicas, será que poderiam explicar aos nossos estudantes como é que funciona o vosso sistema e como é que o planearam?

[Entrevistado] – A nossa solução assenta na premissa de tornar a experiência de reabilitação física mais agradável e garantir um aumento da imersão do paciente na sua atividade fisioterapêutica, de modo a potenciar a sua motivação e bem-estar. Deste modo, desenvolvemos uma tecnologia que permite ao paciente realizar exercícios fisioterapêuticos num ambiente de jogo, ao mesmo tempo que, com uma única câmera, todos os dados do movimento do paciente são recolhidos – podendo ser acedidos na progressão disponibilizada, em detalhe, no portal web. A solução contempla a presença essencial e contínua do profissional de saúde, que pode, através da sua conta no portal web, definir e atualizar os planos de tratamento de cada um dos seus pacientes, assim como visualizar e analisar as suas progressões de modo digital, preciso e objetivo. Dado o seu caráter portável, a solução poderá ser utilizada tanto nas sessões na clínica como, a partir do momento em que o profissional de saúde considera adequado, em casa do paciente.

[Entrevistador] – Acabamos por nos encontrar durante a Web Summit. Consideram que a experiência foi muito positiva? Em que iniciativas semelhantes é que já participaram?

[Entrevistado] – Sim, a experiência na Web Summit foi, sem dúvida, muito enriquecedora. Além do privilégio de apresentar e divulgar a nossa startup naquela que é considerada a “maior conferência de tecnologia do mundo”, pudemos contactar com todo aquele ecossistema empreendedor, um meio de inspiração e repleto de oportunidades de networking muito valiosas. Ao longo do último ano, temos procurado estar presentes em iniciativas semelhantes e que valorizassem a Clynx, sendo que a Web Summit foi sem dúvida o expoente máximo. Algumas das restantes iniciativas em que já pudemos participar e apresentar a Clynx: a conferência Serious Games and Application for Health, SeGAH’18, que decorreu em Viena (maio), a Rock in Rio Innovation Week, aqui em lisboa (junho), a Health Innovation 2018, dinamizada pela Healthcare City (outubro), e, mais recentemente, a grande Frontiers Health, em Berlim (novembro).

[Entrevistador] – Por vezes, para desenvolver uma ideia, é importante estar em contacto com os stakeholders adequados. Será que nos poderão falar sobre a rede de contactos que têm vindo a construir ao longo desta aventura?

[Entrevistado] – Sem dúvida, o contacto direto com os principais intervenientes na área em que pretendemos impactar foi um passo essencial e que procurámos ter desde cedo. Nos primeiros meses do projeto, conduzimos uma pesquisa de mercado, de modo a percebermos com exatidão quais seriam as principais problemáticas sentidas pelos pacientes de reabilitação física e também qual seria a recetividade a uma solução que incorporasse gamification. A procura pelo feedback dos pacientes continuou uma constante para a equipa, já que estes serão os utilizadores finais da nossa solução. Uma das principais e mais antigas colaborações que temos, foi estabelecida com a Academia CUF, que nos colocou em contacto com uma equipa de médicos e fisioterapeutas da clínica CUF de Alvalade. Ao longo de vários meses, pudemos recolher os seus insights e sugestões, relevantes para chegarmos a um produto mínimo que tivesse expectativas alinhadas entre as várias partes interessadas. Temos também construído uma rede de contactos com fisioterapeutas, muitos dos quais conhecemos através da plataforma da Associação nacional de fisioterapeutas, o que se revela muito útil para percebermos que expectativas existem na prática clínica e quais os elementos que valorizarão a nossa solução face a outras existentes.

[Entrevistador] – E quanto às questões mais económicas, já sabem qual será o melhor processo de inserção do vosso dispositivo no mercado e de que forma irão desenvolver o negócio?

[Entrevistado] – Já temos um modelo planeado, assente nas duas formas de utilização do nosso produto, nas sessões de fisioterapia na clínica e na casa do paciente, sendo que também este ainda dependerá de uma validação junto dos próprios clientes. Consideramos que iremos penetrar primeiro no mercado das clínicas privadas, com maior flexibilidade financeira e uma procura mais ativa pela introdução de tecnologia nos cuidados de saúde.

[Entrevistador] – Têm alguma mensagem que gostariam de deixar aos estudantes de Engenharia Biomédica que tenham intenção de perseguir uma carreira na área do empreendorismo e inovação?

[Entrevistado] – Gostaríamos de deixar a mensagem de que, existindo uma ideia e a ambição de a desenvolver, o mais importante passa mesmo por garantir que a solução é desenvolvida à medida dos seus stakeholders. Ou seja, que a solução resolverá efetivamente os seus problemas. De seguida, há que estruturar da melhor forma o projeto, aproveitando todas as ferramentas, oportunidades e recursos que existem ao nosso dispor. Numa fase inicial, importa reunir muito feedback e que este seja o mais real possível, isto é, falando com os principais intervenientes no contexto da solução em questão – o que inclui, também, conhecer bem a concorrência. Depois, ao longo do desenvolvimento, há que manter um ritmo de trabalho ambicioso e um estado de alerta constante para oportunidades, fontes de conhecimento e recursos. Por fim, o networking é muito importante e, felizmente, há cada vez mais empreendedores experientes com boa vontade de ajudar jovens e ideias promissoras!

A ANEEB agradece à Joana o tempo que dispensou para esta entrevista e deseja à Clynx os maiores sucessos para o futuro.

 

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