Na semana de 4 a 8 de novembro de 2018, em Lisboa, diversos membros da ANEEB tiveram a oportunidade participar no evento Web Summit, que nessa semana reuniu um número infindável de personalidades, empreendedores e curiosos no Parque das Nações, Feira Internacional de Lisboa e Altice Arena.

O primeiro dia iniciou-se com a Cerimónia de Abertura, onde Paddy Cosgrave introduziu as temáticas que iriam ser debatidas durante essa semana e deu palavra a António Guterres (Secretário Geral das ONU), António Costa (Primeiro-Ministro de Portugal), Lisa Jackson (Vice-Presidente da Apple) e Fernando Medina (Presidente da Câmara Municipal de Lisboa) que abordaram temas dentro da sustentabilidade em cooperação com a tecnologia, no sentido de contribuir para um mundo melhor e mais acolhedor para as gerações futuras. Os restantes dias do evento foram preenchidos com inúmeras Conferências e Workshops que abordavam uma imensidão de temáticas, desde o desenvolvimento mais técnico, em termos de aplicações informáticas, até à influência da tecnologia no panorama político. Uma vez que estes micro-eventos aconteciam todos ao mesmo tempo, era absolutamente essencial priorizar as opções e assistir, efetivamente, aos que mais interesse teriam para o participante.

Uma outra vertente da Web Summit é o grande número de empresas e startups que têm oportunidade de apresentar o seu trabalho ou partir à descoberta de futuros investidores. Apesar de a prioridade ser descobrir um pouco daquilo que está a ser feito no que toca à Engenharia Biomédica, os membros da ANEEB tiveram também oportunidade de contactar com empresas de outras áreas, no sentido de perceber, também, qual o estado do mercado noutros temas, fora da zona de conforto.

É pertinente afirmar que, efetivamente, todos esperavam pela HealthConf, a Conferência da Saúde, onde iriam ser debatidos os temas em voga nesta Indústria.

A HealthConf trouxe para cima da mesa variados temas de conversa como genética, saúde mental, a privacidade dos dados clínicos e de saúde, a epidemia das insónias e ataques cardíacos.

A parte da tarde começou com a palestra “Who owns your health data?”, que realçou aspetos bastante importantes dos desafios que a sociedade tem pela frente, em relação à privacidade dos dados clínicos e de saúde individuais. O painel, tomando posições positivas em relação à partilha de dados, teme que os avanços tecnológicos sejam bloqueados devido à legislação sobre privacidade dos dados e defende que é importante ter um pensamento mais racional no que toca à partilha destes, uma vez que, apesar de haver um risco associado é importante reconsiderar quais destes são realistas. Foi usado como analogia a partilha de dados financeiros, ou mesmo da nossa própria morada.

As possibilidades são tantas, algumas faladas como por exemplo: os dados clínicos poderem ser úteis para prever a progressão de doenças, ou a da doação de dados clínicos pessoais para investigação, que o painel demonstrou um certo positivismo em relação à concretização destas.

A tecnologia do sono também teve espaço nesta HealthConf, na palestra “Can tech take the nightmare out of bad sleep?”, na qual foi debatida que influência pode ter a tecnologia no nosso sono. A tecnologia é sem dúvida uma das causas que por vezes nos fazem ficar sem sono, mas o painel defendeu também que, apesar disso, pode sem dúvida trazer algumas soluções. Sabendo que cada vez mais pessoas têm problemas em dormir, sendo já denominado como epidemia, foi discutido primeiramente quais poderão ser as suas causas. Uma especialista em medicina do sono no painel, Meeta Singh, afirmou que a luz é uma destas causas,  a luz artificial das nossas casas, que atrasam a produção da nossa hormona do sono e também a interação que temos nos smartphones ou computadores. A tecnologia poderá ajudar a controlar a qualidade do nosso sono, a conhecê-lo, através da utilização de werables que façam medidas das nossas ondas cerebrais e dos nossos ciclos do sono, como explicou o fundador e CEO de Dreem, Hugo Mercier.

O Co-fundador e CEO de Calm,  Michael Acton Smith, falou-nos como a tecnologia poderá ajudar-nos a dormir melhor, numa solução simples, uma aplicação que todas as noites nos conta uma história, utilizando técnicas na narrativa como a voz, os sons e o ritmo, que que está a ter resultados e feedbacks bastante positivos.

Finalmente, uma conversa com Charles Taylor, o fundador e CTO da Heartflow, empresa unicórnio que detém uma tecnologia que usa IA para diagnóstico de doença da artéria coronária. Esta tecnologia foi concedida para solucionar o problema de que os teste de imagiologia não fornecem bons diagnósticos, o que dá origem a bastantes falsos positivos e a pessoas que são submetidas a intervenção invasiva desnecessariamente. Assim, esta tecnologia, baseada em Tomografia Computorizada (TC scan)  da anatomia do paciente, é posteriormente processada com utilização de IA que faz um reconhecimento padrão e pode prever se o fornecimento de sangue ao coração está a ser ou não afetado.

No final desse dia, a Web Summit contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que encerrou oficialmente o evento.

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