No passado dia 25 de setembro de 2018, a ANEEB marcou presença na 2ª edição do Leadership Summit Portugal, evento debruçado no progresso tecnológico, sob o mote “How fast can we go?”.  Apelidado como o maior encontro de líderes nacionais, é uma iniciativa da Tema Central e do hub português dos Global Shapers do Fórum Económico Mundial. O evento decorreu no Casino Estoril, Cascais, tendo lotado com a presença de 900 líderes de organizações, reunidos para debater as tendências do futuro na liderança a nível mundial.

Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, e Manuel Caldeira Cabral, Ministro da Economia, fizeram as honras de abertura da sessão, destacando a urgência no reajustamento da sociedade face ao surgimento da Indústria 4.0. Esta, reiteram, não é uma situação do futuro, mas sim do presente. Partilham o parecer de que Portugal possui os jovens mais qualificados na Europa, contudo, informam que no final da sua vida ativa, o nosso pessoal empregado é dos menos qualificados. Deste modo, revelam ser necessário ultrapassar esta significativa heterogeneidade e descoesão social, patente na sociedade portuguesa, apelando aos líderes presentes que maximizem o foco nos interesses comuns e não nos interesses pessoais.

De seguida, em resposta à pergunta “How far will technology take us?”, Peter Singer, filósofo especializado em bioética, mostrou-se positivamente expectante, afirmando que deveremos saber antecipar a inovação, em vez de intervir nas consequências da mesma. Considerando a atual apreensão pela manutenção de certos empregos face ao avanço tecnológico, recorda que o mundo nunca atingirá a sua plenitude para o humano, sucedendo-se naturalmente novas necessidades e propósitos. Relembra, até, que muitos dos empregos prósperos atuais não existiam há cerca de vinte anos. Deste modo, deveremos então saber incutir competências transversais nos jovens, face à possibilidade de ajustamento das necessidades do mercado de trabalho ao longo das suas vidas ativas, de forma que o seu rendimento não seja afetado.

À pergunta “Will artificial brains control human arms?”, Singer afirma que continuarão a existir questões morais que requerem a interconetividade humana para serem solucionadas, estando nós ainda muito distantes de capacitarmos as máquinas nesse sentido. A título de exemplo, recorda que quando foram introduzidas as máquinas de suporte de vida, que mantinham, indefinidamente, o batimento cardíaco ativo de uma pessoa em morte cerebral, não havia qualquer legislação para a sua cessação. Todavia, sem que tenha havido qualquer avanço científico, foi necessário a Humanidade debater o conceito de morte, de modo a acabar com o sofrimento das pessoas e a potencializar o salvamento de outras vidas, através da doação de órgãos, prática que esses dispositivos vieram também a viabilizar.

Em concordância com Peter Singer, Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal, afirma que a sociedade deverá ser mais inclusiva e homogénea, não devendo criar adversidade face a mudanças, mas sim saber reajustar-se com as mesmas. Adicionalmente, sugere que a Internet of Things (IoT) é o passo a consolidar na busca simultânea por benefícios económicos e sociais.

Por fim, à pergunta “Is Technology Leading The Way?”, Volker Hirsch, futurista de renome, revela que controlo de data, sensores, inteligência artificial e machine learning serão as grandes tendências das próximas décadas, influenciando de forma preponderante o quotidiano das pessoas. Aconselha a estarmos familiarizados com estes conceitos e a saber endereçá-los de forma proativa, em vez de aguardar pelos seus resultados e só aí reagir. Além disso, concorda na exploração da IoT, sendo que os serviços resultantes têm surgido exponencialmente.

A ANEEB gostaria de parabenizar a organização deste evento, inspirado nas reuniões anuais do Fórum Económico Mundial em Davos, elogiando a qualidade e abrangência de debates e respetivos intervenientes.

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