No passado dia 29 de setembro, a EBIMed, júnior empresa de Engenharia Biomédica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-NOVA), dinamizou o Spikes Robótica, um evento que tinha por objetivo a construção de um carro telecomandado e inteligente, com base nas palestras realizadas durante o dia.

“Aplicações e potencialidades da robótica” foi o nome da palestra que iniciou o evento, onde João Frazão, investigador e neurocientista na Fundação Champalimaud, expôs várias das suas experiências em Inteligência Artificial. O investigador começou por reiterar como o corpo afeta a função de um robô, tal como acontece nos animais, através de sensores e atuadores. Os atuadores, como braços ou pernas robóticas, agem de forma a alterar o ambiente à sua volta como reação a um estímulo proveniente dos sensores, que podem ser um microfone ou uma câmara. No entanto, só será possível uma ação por parte da máquina caso esta faça um processamento e consequente interpretação da informação recebida nos sensores, isto é, o robô necessita de um “cérebro”.

De seguida, o antigo investigador na área de robótica procedeu à enumeração de diferentes tipos de robôs, entre eles o carro robô, que funciona por feedback, desviando-se para o lado contrário do erro que tem relativamente à referência. Outro dos exemplos foram os robôs em bando (os “boids”), que mantêm uma distância fixa do boid vizinho, integrados num ambiente de robótica de grupo. Existem ainda os robôs Pintores que, num ambiente modificável, comunicam através do meio, alterando-o. Por sua vez, os robôs Solares possuem uma memória ou estado interno, desenvolvendo diferentes ações consoante o estímulo e a própria bateria. No caso dos robôs Cicerone, o investigador João Frazão mostrou a dualidade entre a neurociência, onde um comportamento inteligente pode ser partido em comportamentos mais simples, e a robótica, na qual é obtido um comportamento complexo combinando estados. Isto abre a possibilidade do robô tomar decisões tendo por base algo que não está a sentir ou a visualizar presentemente.

A palestra prosseguiu com o Dr. Pavel M. Itskov, também ele investigador na Fundação Champalimaud, que apresentou o seu estudo sobre decisão das moscas da fruta na comida. Primeiramente, clarificou que controlava os mecanismos moleculares e neuronais conforme a comida ingerida pela mosca, sendo usado “capacitive sensing”, onde o toque redistribui a carga num condensador e, ao fazê-lo, mede os toques (“sips”) da mosca ao comer. Desta deteção de atividade resultou um algoritmo que espelha o comportamento da mosca nesta atividade (“fly sipping”). Foi ainda realizada uma experiência com o auxílio de luciferina, molécula usada para produzir fotões em alguns insectos, após uma alteração genética no cérebro da mosca utilizando luciferase, enzima que degrada a luciferina. Desta forma, foi possível perceber que as moscas estavam a comer com os “sips” que faziam na comida. Todo este processo foi analisado pelo programa Bonsai, que avalia e analisa o fluxo de dados, facilitando o processo de automatização.

O resto da manhã foi preenchido com um workshop de Introdução ao Arduino, onde os vários grupos aprenderam os componentes da placa de hardware e realizaram uma série de problemas cronometrados, em que a construção de circuitos na placa Arduino Uno era aliada à programação em C++, por forma a desenvolver soluções completas. O dia terminou com a realização de um desafio, sendo que cada grupo ficava responsável por montar e programar uma parte de um carro inteligente.

A ANEEB deixa aqui o seu agradecimento à EBIMed pela fantástica organização e relevância do evento.

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