Esta poderá ser a tendência mais previsível, mas não significa que seja a mais fácil. Neste momento, poderá ser impensável o paciente ter acesso a toda a sua informação clínica e ter uma voz ativa na prestação de cuidados de saúde, mas num futuro próximo, o empowerment do paciente será uma realidade.

As mudanças que este assunto suscita são muito mais do que uma simples alteração nos sistemas de informação em saúde, pois a maior dificuldade está dentro das nossas mentes. Sim, o empowerment do paciente começa com uma mudança de mentalidades!

Os cuidados de saúde estão centralizados na relação unilateral médico-paciente, uma relação em que o paciente não é capaz de questionar qualquer decisão tomada pelo médico, decisão esta cujas consequências afetam principalmente o paciente. Numa perspetiva exterior parece inaceitável que uma decisão que nos afeta seja tomada por uma pessoa que não nós próprios. Mas é aqui que começa a primeira mudança. Ter acesso à informação clínica pessoal é já um direito, mas o direito de questionar a escolha dos cuidados de saúde que nos são prestados ainda não é real.

O facto de termos acesso à nossa informação clínica fará com que possamos contribuir nos cuidados de saúde que nos são prestados e tudo isto se resume a centralizar os cuidados de saúde no paciente, tornando-o numa voz ativa neste processo.

Claramente antes disto acontecer será necessário haver uma alteração nos sistemas de informação para permitir o acesso, por parte de todos os pacientes, a toda a informação relevante do seu processo clínico. Este acesso poderá implicar outros conceitos como a cibersegurança, garantia de que apenas o próprio paciente tem acesso a esta informação, e não outros; e ainda a interoperabilidade, algo ainda frágil no nosso sistema de saúde uma vez que não há ligação entre as diferentes bases de dados nem uma linguagem comum (linguagem diferente de médicos para pacientes e termos diferentes entre médicos). Convém que a evolução do empowerment do paciente seja acompanhada pela evolução da tecnologia dos sistemas de informação e dos conceitos que a estes digam respeito.

Por fim, será ainda necessário que seja disponibilizada informação fidedigna na área da saúde. O acesso a informação é facilmente garantido hoje em dia através da internet e todos os meios de comunicação aí envolvidos, mas é crucial que se crie um filtro para aumentar a qualidade dessa informação. A informação deverá ser certificada pelos seus autores para que haja confiança por parte de quem a aceder.

O empowerment do paciente poderá ser, no final de contas, vantajoso na medida em que aumentará a qualidade dos cuidados de saúde prestados, evitando erros clínicos e eventos a estes associados. Contudo, com o poder vem também a responsabilidade, e há que ensinar os pacientes a lidar com este novo “poder”.

Seguir artigo no LinkedIn

Categorias: Artigo