Na década de 1980, a principal aplicabilidade da impressão 3D era a produção de peças e moldes para a indústria automóvel, permitindo produzir protótipos de forma rápida e testá-los antes de passarem para a linha de produção. Desde então, armamento, chocolate, brinquedos e outros objetos têm vindo a ser desenvolvidos com recurso a impressoras 3D, cada vez mais sofisticadas. Na última década, também a indústria da saúde tem vindo a adotar estes métodos de produção.

Consequentemente, esta tecnologia tem encontrado aplicações na reconstrução de membros, geralmente tecidos ósseos. Em março de 2014, o Centro de Tecnologias de Reconstrução Aplicadas em Cirurgia (CARTIS), no Reino Unido, realizou uma das primeiras, mais complexas e inovadoras operações neste campo, onde se reconstruiu a face de um paciente, vítima de acidente rodoviário. Esta cirurgia recorreu a tecnologia 3D em diversos momentos, tendo especial importância no planeamento da cirurgia, no desenvolvimento de moldes bem como na impressão de dois implantes de titânio, que foram aplicados com sucesso no paciente.

Para além disso, em matéria de biofabricação, já é possível imprimir tecidos humanos passíveis de serem implementados no organismo, apresentando-se este como um passo significativo na engenharia de tecidos regenerativa. O objetivo passa por cultivar células do próprio paciente in vitro e posterior introdução dessa cultura numa impressora 3D, capaz de produzir órgãos, tais como rim, pâncreas e fígado. Esta técnica já se encontra em investigação e desenvolvimento a nível nacional, tendo a BIOFABICS um papel importante.

Um outro exemplo de aplicação da técnica de impressão 3D demonstra-se no projeto “e-Nabling the Future”, que se trata de uma rede global e colaborativa de engenheiros, prestadores de cuidados de saúde e outros voluntários que pretendem fazer a diferença ao “dar uma mão” literalmente. Este nobre projeto baseia-se numa plataforma open-source para produção de mãos e braços prostéticos através de impressão 3D e eletrónica, técnica esta muito mais económica que outras mais convencionais. Desta forma, é possível aumentar a acessibilidade dos mesmos a crianças que nasceram com deficiência ou sofreram amputação dos membros superiores e cujas famílias não têm recursos financeiros que lhes permitam investir em próteses médicas sofisticadas.

Desta forma, a impressão 3D tem encontrado aplicações em vários setores da indústria, como a automóvel ou bélica, onde optimizou e revolucionou vários processos, apresentando-se como uma tecnologia robusta. Também na área da saúde, pela sua especificidade, os avanços na impressão de tecidos, implantes, protótipos ou até mesmo fármacos facilitam e diminuem os tempos de espera nas cirurgias e tratamentos. No entanto, será necessário adaptar os sistemas de saúde através de regulamentação própria, de forma a não comprometer ética ou deontologicamente o seu exercício, onde se espera que haja um debate amplo e informado.

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