O mês é Abril de 2018 e, a poucos dias da “Conversa com Ética” alusiva à tecnicização da Medicina, segue-se um sumário da situação atual, no que remete à presença de robots nas diferentes modalidades da prestação de cuidados de saúde.

Efetivamente, sendo talvez os que mais dão que falar, os robots “cirurgiões” começaram a aparecer significativamente na vida dos portugueses no ano de 2010, com a aquisição do sistema cirúrgico robótico Da Vinci, pelo Hospital da Luz em Lisboa. As vantagens de uma cirurgia com recurso a esta tecnologia incluem, entre outras, uma melhor visão e mobilidade pelo corpo humano, resultantes numa maior precisão cirúrgica, uma eliminação e atenuação de fatores como o tremor da mão e cansaço do cirurgião, e uma maior segurança na intervenção em pacientes com doenças infeciosas.

Até ao momento atual, unidades especializadas em cirurgia minimamente invasiva têm sido criadas, como é o caso do Centro de Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva do mesmo Hospital da Luz. De realçar é o facto destes sistemas não potenciarem um afastamento da profissão médica, muito pelo contrário: apresenta-se como imprescindível a presença de um cirurgião experiente, responsável pela manipulação integral do aparelho. Adicionalmente, para ajudar na obtenção de experiência, estão também disponíveis robots de simulação – como no Centro de Simulação Biomédica da FEUP – que, atuando como pacientes em possíveis situações de emergência, auxiliam o médico na sua preparação para eventuais adversidades.

Ainda que não tão presentes no bloco operatório, dispositivos direcionados ao apoio logístico revelam-se de manifesta utilidade ao contribuírem para a amplificação da qualidade de vida de muitos utentes. Estes engenhos estão capacitados para preparar refeições e dosagens de medicamentos, efetuar recolhas de vestuário e transportar pessoas. O robot TUG, por exemplo, consegue carregar até 453 quilogramas de diversos materiais, incluindo objetos sensíveis. Já os RIBA e ROBEAR apresentam-se como afáveis máquinas dispostas a auxiliar, normalmente em ambiente doméstico, idosos e pacientes que careçam de assistência especializada. Num contexto de acentuado envelhecimento populacional, é benéfica a existência de opções que permitam uma prestação de cuidados de qualidade de forma segura – uma posição já promovida pelo Japão.

Com efeito, o universo dos robot assistants não se esgota (por aqui). Nanorobots, telerobots, robots sociais, robots membros artificiais, de emergência médica, e muitos mais, têm vindo a evoluir cada vez mais e fomentado novas espécies, fazendo-nos acreditar que o futuro, na área da robótica médica, já está bem presente. Fica o convite para a sessão, centralizada no mesmo tema, a decorrer em Coimbra já esta quinta-feira.

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