A ANEEB teve oportunidade de entrevistar um dos Co-Fundadores da Heptasense, Mauro Peixe, que nos recebeu no dia 28 de novembro.

[Entrevistador 1] – Rui Garcia

[Entrevistador 2] – Carolina Marques

[Entrevistado] Mauro Peixe

[Entrevistador 1] Desde já, gostava de te dar os parabéns pelo projeto. Se calhar iríamos começar por uma pergunta mais genérica. Qual foi o teu percurso académico?

[Entrevistado] Estudei Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico onde vim a conhecer o meu colega, Ricardo, com quem fundei a Heptasense. Depois de terminarmos o mestrado, fundamos a empresa como uma incursão no mercado de trabalho.

[Entrevistador 1] Criaram a empresa por que surgiu uma ideia ou foi uma necessidade do mercado que vos propuseram e vocês foram atrás dela?

[Entrevistado] No nosso caso nem uma nem outra, toda a motivação por trás da Heptasense é muito pessoal. Nós tivemos alguns problemas familiares, neste caso, problemas motores de alguns dos nossos familiares e daí termos tentado juntar os nossos conhecimentos e experiências para os tentar resolver. Começamos a trabalhar em reconhecimento de gestos de forma a tentar ajudar pessoas com algumas dificuldades motoras a controlar objetos. Aí vimos que a área dos biossinais seria muito vasta, o que nos levou a alargar o leque e a conseguirmos chegar ao ponto onde estamos hoje, que é no fundo, perceber tudo o que está relacionado com os seres humanos e a forma como eles controlam os movimentos.

[Entrevistador 1] A vossa missão tem um âmbito mais de inovação social, que é uma das coisas que privilegiamos. Assim sendo, a vossa missão seria, por exemplo, ajudar pessoas com limitação na comunicação? Vocês vão tentar alargar isso a outras iniciativas ou vão tentar “atacar” um problema de cada vez?

[Entrevistado] Sim, no fundo a missão da própria empresa é, de uma forma muito geral, tentar ensinar as máquinas a perceberem um pouco melhor como nos comportamos para que nos possa ajudar no dia a dia.

Toda a tecnologia pode ser utilizada em diversas formas. Nós estamos a explorar desde a segurança, por exemplo, perceber como é que as pessoas se comportam para poder mitigar algumas ameaças de segurança; como também numa área mais social. Estamos também num projeto bastante interessante, que consiste num tradutor de língua gestual que tenta perceber como as pessoas gesticulam e interagem de forma a tentar traduzir o que elas estão a dizer.

Em áreas tão vastas como é a própria indústria, onde podemos perceber como as pessoas estão a trabalhar para poder otimizar processos. Basicamente tudo o que podemos imaginar em termos de comportamento humano e formas de tirar partido do conhecimento à cerca do mesmo. A nossa tecnologia pode ser utilizada na segurança até ao ponto de conhecer os próprios padrões das multidões, possibilitando o retalho e ordenamento do território.

[Entrevistador 1] Já me falaste das 3 áreas em que vocês atuam, a parte de reconhecimento de padrões em multidões, a parte de reconhecimento de padrões a nível de linguagem gestual, e a parte de reconhecimento facial que permite reconhecer o estado dinâmico da pessoa em tempo real. Podes falar um pouco desse projeto que, de facto, foi um dos mais vistosos?

[Entrevistado] Sim, basicamente nos podemos dividir a nossa área de ação, digamos os nossos produtos, em três vertentes diferentes. Em primeiro lugar, o que nós chamamos de Heptasense Gesture que é basicamente uma tecnologia que se dedica aos gestos com as mãos, tratando-se de uma tecnologia mais focada, localizada. Em segundo, Heptasense Face, que é mesmo isso, é analisar todas métricas relacionadas com a nossa cara, desde emoções, características físicas, deteção… tudo o que possas imaginar.  Depois uma face mais alargada, Heptasense Crowd que analisa todo o comportamento humano seja a nível individual seja inserido dentro duma multidão. No fundo nós pensamos nisto numa ótica de desenvolvimento de produto, em que nós partimos de uma análise muito localizada e chegamos a uma análise mais abrangente, em que percebemos várias pessoas, como elas se comportam e como interagem umas com as outras.

Estas tecnologias podem ser consideradas como um produto propriamente dito, posso dar um exemplo, na segurança é muito interessante tentar perceber a própria emoção que a pessoa está a ter num determinado momento porque essa também influencia a conclusão a que chegamos através do comportamento que ela está a ter.

[Entrevistador 1] Na função pública, alguma instituições vão ser responsáveis pelos dados que produzem, ou seja, não são as empresas que lhes fornecem o software as responsáveis. De que forma é que poderás calcular isso uma vez que mexes com informações muito sensíveis de pessoas?

[Entrevistado] Nós não usamos qualquer tipo de dados pessoais, a única coisa que usamos são basicamente representações da própria pessoa, nós não fazemos reconhecimento facial. Por tanto a privacidade está completamente salvaguardada. Isso foi uma das nossas principais preocupações.  

[Entrevistador 2] Como é que surgiu o nome da empresa? Porquê Heptasense?

[Entrevistado] É uma questão bastante curiosa, geralmente dizem que a mulher tem um sexto sentido, nós somos o sétimo. Estou a brincar, diversas razões levaram ao nome, algumas um pouco pessoais. Vou deixar a razão um pouco no ar…

[Entrevistador 1] Uma pergunta mais de cariz aberto, como é que vocês se imaginam daqui a dois anos?

[Entrevistado] Daqui a dois anos queremos crescer muito, ter uma equipa muito maior, um impacto muito maior na sociedade. Nós acreditamos que estamos a contribuir para um mundo melhor e esperamos daqui a 2, 4, 5 anos ter um crescimento maior e desenvolver coisas que podem vir a melhorar a nossa vida no dia a dia.

[Entrevistador 1] Relativamente à língua gestual, há algumas nuances entre países?

[Entrevistado] Sim, nós temos uma língua gestual um pouco complicada porque depende muito das expressões faciais. Por exemplo, a língua gestual Americana é muito mais simples porque é baseada única e exclusivamente por gestos, na nossa língua gestual temos de entrar também em conta com a cara o que dificulta um pouco as coisas. Vários elementos têm de ser analisados em computador e as conclusões retiradas são baseadas em todas essas análises.

[Entrevistador 1] Costumam trabalhar com alunos de Engenharia Biomédica?

[Entrevistado] Sim, mais de metades da nossa equipa são engenheiros biomédicos ou finalistas de engenharia biomédica. Engenharia Biomédica é sem dúvida, a par da Engenharia Informática e da Engenharia Eletrotécnica, as áreas que procuramos mais, primeiro porque somos uma empresa de software e depois porque o software é na área dos biossinais.

[Entrevistador 1] Mauro, deixa-me desejar-te continuação de sucesso e que continues com projetos na área da inovação social bastante louváveis. Boa sorte!

Categorias: Notícia