O orador convidado, Professor Vicent Hayward da School of Advanced Studies of the University of London (SAS) e conselheiro científico da startup Actronika SAS, deu uma palestra disruptiva nos levou do sentido do tacto e a sua física até às suas aplicações em revestimentos e nano superfícies quebrando alguns preconceitos pelo caminho. Introduziu o sentido do tacto, com a função háptica, a capacidade do cérebro para lidar com informação estatística e a sua má interpretação que configuram ilusões hápticas (à semelhança do que acontece com a visão) e apoiando-se na histologia dos órgãos sensoriais da pele na qual destacou os corpúsculos de Vater-Paccini que operam nos limites da Física.

Apresentou um estudo de base sobre a capacidade que as pessoas têm em distinguir superfícies polidas (de olhos vendados) com iguais propriedades tribológicas (PMMA e Vidro) e exibiram uma precisão superior ao palpite. Desta forma, versando sobre a caracterização temporal e tribológica do toque, onde distinguiu o contacto inicial e acomodação nas vertentes do atrito dinâmico e estático que denominou slit e stick states, respectivamente. Postulou, que a informação do tacto estaria no capacidade de avaliação do atrito dinâmico nas fase iniciais de transição dado que a acomodação completa da área de contacto no dedo leva cerca de 10 segundos e a percepção de superfície leva muito menos tempo (inferior a 1 segundo). Fazendo o paralelismo com a visão, defendeu que parte da informação estaria na pressão exercida e outra na tensão de corte dando como exemplo a distinção de um prego e de uma moeda que não dependia da pressão.

À semelhança do contraste na visão (que é laplaciano da intensidade da luz), afirma que nas zonas de tensão de corte nulas definirão “a forma da superfície”. Com a realização de um estudo estatístico sobre a tensão de corte no dedo ao deslizar sobre uma superfície, Vicent Hayward conclui que o sinal recebido tem um padrão “aparente” comum mas cuja interpretação só é possível de forma estatística ou empírica pelo nosso sistema nervoso aludindo às ilusões hápticas. Acrescentou que a composição da derme, essencialmente água, seria óptima para a propagação das ondas de tensão de corte e das pistas propriocetivas que a pele dá ao sistema nervoso. Rematou a palestra defendendo que a criação de revestimentos inteligentes em nano superfícies poderia inspirar-se na pele, no qual atualmente desenvolve intensa investigação.

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