No âmbito das reuniões bilaterais (one-to-one meetings) inseridas no evento WARP organizado pelo programa RESOLVE em parceria com a Agência Nacional de Inovação (ANI), a ANEEB teve oportunidade de conversar com um dos investidores e tentar perceber quais as razões para investir na área da saúde e qual a opinião geral do empreendedorismo em Portugal.

Assim conversamos com o Dr.º Pedro Pinheiro, Partner na YodaPartners Corporate Finance, e que como CEO da Change Partners contava com participações nas empresas da Fluidinova, Cell2B e Sword Health, cargo que não detém acerca de um ano.

O que faz investir na área da saúde?

Bem, investir na saúde não pode ser assim tão generalizado, existem dois mercados de saúde diferentes: o desenvolvimento de novos fármacos e os dispositivos médicos. São diferentes porque no desenvolvimento de novos fármacos, entre a pesquisas, testes e aprovação são preciso muitos anos e um maior investimento, em que o retorno terá efeitos mais tarde; já os dispositivos médicos, gadjets e apps na saúde têm um período de retorno mais curto. Mas no fundo, e como em qualquer negócio, nós investimos para obter algum lucro no futuro.

Há algum fator diferenciador, do ponto de vista dos investidores, para investir em Portugal e não noutra parte do mundo?

Depende, em Portugal isto não existe mas nos outros países existem investidores especializados, isto é, investidores que apenas investem numa área: desenvolvimento de novos fármacos com partículas magnéticas, ou etc; e para esse tipo de investidores a localização não interessa.

Considera que em Portugal os programas de aceleração são suficientes?

Penso que sim, existem provavelmente problemas de divulgação mas penso que ninguém que queira iniciar uma empresa fique de fora por não ter apoio.

Na sua opinião, deverá o conceito de empreendedorismo ser mais trabalhado durante a educação de um jovem?

Sim sem dúvida. Há já alguns institutos ou universidades que o fazem, como o INESC-TEC ou a NOVA, onde o assunto é bem trabalhado. Melhorias será difícil, pois pode ser feito ao nível das universidades ou dos cursos em geral. Mas penso que será ainda mais importante desenvolver esse conceito antes, ou seja, no secundário.

Em nome da ANEEB gostaríamos de lhe agradecer a entrevista e fazemos votos para que continue a ter sucesso nos seus investimentos, concretizando o potencial da engenharia biomédica em Portugal.

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