No passado dia 14 de abril de 2018, a ANEEB marcou presença no décimo “Workshop on Biomedical Engineering”, 10th WBME, organizado pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Biomédica e Biofísica (NE2B2) que teve lugar na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

O primeiro painel da manhã foi aberto pelo Dr. Giulio Dagnino, investigador na área da cirurgia robótica do Imperial College que resumiu três das suas áreas de atuação: cirurgia oncológica, ortopédica e vascular. Na cirurgia ortopédica (minimamente invasiva) apresentou o protótipo funcional construído por uma equipa de alunos de licenciatura e mestrado que foi testado em cadáveres com resultados promissores. Na cirurgia vascular indicou alguns dos desafios que encontra, nomeadamente, a capacidade de visualização e navegação tridimensional mencionando ainda que pretende criar um sistema de feedback visual para salvaguardar a integridade do vaso sanguíneo. Segui-se Tiago Ferro, especialista em Engenharia de Células e Tecidos, que estuda as células dendríticas ( que fazem a ponte entre o sistema imunitário inato e adaptativo) a vários estímulos, como ao ácido siálico. Desenvolve atualmente vacinas baseadas neste tipo de células, tendo presentemente uma patente em progresso, não podendo adiantar mais.

O segundo painel da manhã teve espaço para receber a vencedora do Best Abstract, Rute Lopes, que se está a especializar em Imagiologia, que apresentou os seus resultados no tipo de imagem misto de ressonância magnética (do inglês MR) e tomografia por emissão de positrões (do inglês PET) em neurologia. Desta forma, procura descobrir pistas metabólicas e delimitar zonas funcionais no cérebro através de vários parâmetros imagiológicos. Seguiu-se um painel de discussão, sobre o papel do engenheiro biomédico no sistema de saúde nacional daqui a 10 anos, composto por várias referências das quais se destacam Dr. Pedro Batista (diretor dos sistemas de informação dos SPMS), Dr. Marta Canas (gestora de clientes na Glintt) e o Dr. Hugo Ferreira (diretor de mestrado da FCUL). O Dr. João Gregório, da Health Parliament Portugal, referiu que os novos contributos da física e do digital permitirão uma monitorização pervasiva dos utentes e a criação de novos serviços de saúde. Por sua vez, o Dr. Pedro Batista lembrou que os SPMS são constituídos por 52 entidades, fabricante de software e gestor de compras centralizado, no qual a multidisciplinaridade dos futuros engenheiros biomédicos pode ser uma mais valia,porém, sublinhando que os desafios societais atuais carecem de vários contributos:

“Os problemas de hoje não vão ser resolvidos por um único pensamento”

A Eng. Francisca Leite, gestora de inovação do Hospital da Luz, indicou algumas das inovações do estado da arte na área: utilização de Inteligência Artificial no diagnóstico de retinopatia diabética e um robô cirúrgico para dissecção retinal (R2D2). A Eng. Marta Cannas, frisou que a sociedade e o mercado de trabalho estão a percepcionar o nosso curso como uma mais valia enquanto que o Eng. Hugo Ferreira antevê um grande potencial para os Engenheiros Biomédicos mas igualmente alguns desafios, destacando-se a multidisciplinaridade e a partilha do risco. Acrescentou igualmente que o potencial de investigação e empresarial na área da tecnologia médica em Portugal pode ser melhorado partindo do caso de Israel, que apesar de ter menor população que Portugal, está na dianteira na área dos dispositivos médicos.

A ANEEB gostaria de felicitar o NE2B2 pela organização, o convite e pela pertinência dos temas abordados.

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