No passado dia 5 de abril, na Universidade de Coimbra (UC), decorreu mais uma sessão de debates, no âmbito da iniciativa ‘Conversas com ética’. Uma colaboração entre o Departamento de Ciências Médico-Legais e Ético-Deontológicas da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e o Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, na qual foi abordado o tema: ‘A tecnização da Medicina – Fui operado por um robot’.

A conversa foi moderada pela Drª Margarida Silvestre da UC, que lançou o desafio às universidades de formar médicos humanistas, salientando que a relação paciente-médico tem vindo a ser deteriorada com o aumento da tecnização dos atos médicos.

O Dr. Guilherme Tralhão começou a sua exposição, defendendo que os robots devem estar presentes na sala de exames e operações de modo a realizar tarefas rotineiras, mas nunca cognitivas. Seguiu apresentando vários exemplos reais onde a utilização destas técnicas é vantajosa, nomeadamente a laparoscopia, onde permitem melhores condições de avaliação, execução e recuperação da cirurgia.

Numa outra perspectiva, o Dr. Vilaça Ramos partilhou a sua definição de robot cirúrgico que difere de um robot dito ‘normal’, consistindo numa expansão dos olhos e das mãos do cirurgião, estando portanto todas as decisões a encargo do médico. Continuou a sua intervenção falando acerca do ‘Human Enhancement’, comentando que as técnicas que hoje se falam e desenvolvem já não se limitam a regular ou substituir estruturas deficientes do corpo humano, mas sim dar novas funções para as quais não estaríamos programados naturalmente. Esta capacitação levanta questões éticas pondo em causa a definição de ser humano e que direitos e deveres é que devem ser atribuídos à inteligência artificial de um robot. Concluiu, dando ênfase que a medicina não é só ciência, muito menos só técnica, e deve ser preservado o lugar de excelência entre a relação paciente-médico, para isso, não é producente a existência de um ecrã de computador entre eles aquando a consulta.

Apoiando a opinião dos presentes, o  Eng. Pascoal Faísca, que se especializa em instalações de saúde, mencionou que a tecnologia não está de todo a competir com o médico e com a profissão, mas está lá para servir como ferramenta e melhorar as condições tanto do paciente como do médico. Deu o exemplo dos robots de diagnóstico que neste momento conseguem ter índices de precisão mais elevados do que qualquer médico, o que é impressionante.

Por fim, foi aberto o debate com perguntas do público que se centrou na formação de médicos competentes e conscientes das ferramentas tecnológicas existentes.

A ANEEB gostaria de congratular a organização por lançar o debate atempado desta questão, sensibilizando a sociedade e acautelando problemas éticos e deontológicos da crescente tecnização da medicina.

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