No terceiro dia da eHealth Summit, a ANEEB teve o prazer de estar presente numa manhã exclusivamente dedicada a painéis para discussão do futuro da saúde. No primeiro painel marcaram presença João Valente Nabais, professor na Universidade de Évora; Maria João Sales Luís, da Multicare; Sofia Mendes, da José Mello Saúde; João Aleixo Dias, da Pfizer, Tiago Galvão da Associação Nacional de Farmácias (ANF) e ainda, como moderador, Miguel Eiras Antunes da Delloite.

Na perspetiva de João Valente Nabais, o objetivo ao prestar cuidados de saúde é aumentar a qualidade de vida dos pacientes, sendo para isso  necessário que se inclua o paciente em todos os níveis de decisão. Introduziu o conceito de empowerment (ou capacitação) do paciente, no qual refletiu sobre a maturidade do sistema para a transição. Abordou ainda o desafio chave que passa pela responsabilização gradual do paciente na aquisição de conhecimento de base e cujo envolvimento deverá ser na medida do possível voluntário.

Maria João Sales Luís trouxe a visão das seguradoras afirmando que o modelo de negócio se alterou, sendo que agora, mais do que tratar doenças, se deve premiar a prevenção. Esta mudança prende-se na atração de jovens para a adesão a seguros. A Medicare começou a investir na prevenção desenhando modelos de check-up, e construindo uma plataforma exclusivamente médica para medicina geral e familiar, ou seja, acesso a cuidados primários, pediátricos e ainda com consultas de apoio ao viajante. O grande objetivo é proporcionar um ecossistema que promova a vida saudável e bons hábitos de saúde.

Na área hospitalar Sofia Mendes, da José Mello Saúde, responsável de investimento em produtos, incidiu sobre a prestação de serviços e adesão de novas tecnologias que satisfaçam as necessidades de clientes, no qual incluiu pacientes e médicos. Esse investimento pode ser representado pela aplicação MyCUF, abordada no artigo, e ainda a aplicação de nutrição, onde o nutricionista acompanha o plano e evolução do doente podendo facilmente fazer ajustes nesse plano.

A Pfizer, representada por João Aleixo Dias, refere que a empresa dedica anualmente uma semana ao cliente, para que surjam novas ideias, privilegiando a co-criação. Denota ainda que é preciso ajudar as startups e pequenas empresas na candidatura a projetos europeus e outros financiamentos, dado que por vezes estas não têm conhecimentos técnicos suficientes para isso. A existência de um canal de comunicação entre grandes empresas e grandes ideias é essencial para a execução das mesmas.

Por último, Tiago Galvão, em representação da ANF, apresentou exemplos inovadores já em vigor em farmácias. Em Bragança, existe a aplicação USF Farmácia que liga as farmácias às Unidades de Saúde Familiares (USF), integrando sistemas de informação entre o prescritor e a farmácia, resolvendo problemas de disponibilidade e acesso facilitado aos medicamentos a prescrever. Outro exemplo será a iVacina, que facilita o acesso a pessoas com mais de 65 anos e múltiplas patologias à vacina da gripe. Deixa assim o repto de que é necessário fazer, testar e escalar ao resto do país.

O painel reservou o final da sessão para uma última mensagem trazida por João Valente Nabais que pediu que se pensasse numa realidade além fronteiras sobre o acesso aos cuidados de saúde. As novas tecnologias podem não ser tão impactantes como pensamos, e antes de evoluir é necessário corrigir problemas de base como a falta de acesso a cuidados de saúde de toda a população a nível mundial.

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