Ainda no terceiro dia da eHealth Summit, a ANEEB teve o prazer de estar presente o segundo painel dedicado ao futuro da saúde. Este foi constituído por várias entidades diretamente ligadas à área da saúde, tais como Cristina Campos, da Novartis; Henrique Martins, dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS); Luís Cunha Miranda, da Sociedade Portuguesa de Reumatologia; Pedro Serra Pinto, do Fórum Saúde XXI, Sofia Oliveira Martins, da INFARMED; e ainda, como moderadora, Margarida Bajanca da Delloite.

Cristina Campos começou a conversa explicando qual o papel da Novartis na mudança de paradigmas na prestação de cuidados de saúde, desenvolvendo soluções inovadoras que prolongam e melhoram a qualidade de vida. Apesar de haverem ciclos ricos em produção de soluções inovadoras, estes ciclos são morosos e complexos. A onda de data science trouxe uma oportunidade de revolucionar este paradigma, aumentando a eficiência de novos fármacos que levaram a uma melhor prestação de cuidados de saúde. Evoluindo para um modelo de saúde focado em valores e não em volume, passaremos a olhar para a saúde como um investimento e não como um custo. Há ainda dois tipos de paradigmas que mudam, por um lado o empowerment do doente e por outro, a empregabilidade afetada (positiva e negativamente) pela digitalização.

Um ponto de vista médico,dado por Luís Cunha Miranda, afirmou  que os dados são a nova moeda da saúde, melhorando a relação médico-paciente e o desenvolvimento de novas tecnologias centradas na nossa população (jovens e idosos). Para além de ter dados, é fundamental tê-los com qualidade e estruturados. Contudo, o foco da saúde continua a ser o paciente, seguindo-se a tradicional relação humana médico-paciente.

Sobre o SNS, Henrique Martins indicou-nos que este é constituído por apenas 50 empresas públicas, sendo uma delas os SPMS, pelo que nem tudo é da responsabilidade desta entidade. Na sua opinião, estamos numa fase híbrida entre o uso planeado ou não dos dados em saúde. O Regulamento Geral da Proteção de Dados vem ajudar um pouco nesse âmbito, fazendo com que o uso dos dados tenha sempre um propósito associado. Sublinhou ainda o uso heterogéneo e descentralizado dos dados, uma vez que não há nenhuma agência nacional para esse feito; e por fim, os problemas de interoperabilidade dos dados pois os sistemas são desenhados com um determinado fim, sem para esse estarem incluídos o uso dos dados. Termina dizendo que há falta de formação em data science nos recursos humanos em saúde.

Como voz do INFARMED, Sofia Oliveira Martins, explica que esta entidade analisa as necessidades que há na recolha e utilização dos dados e as que se pretendem cumprir, utilizando as várias bases de dados dispersas, que cabe ao Estado reunir.

Pedro Serra Pinto transmite os temas de discussão do Fórum XXI, e relembra as recomendações e prioridades para a saúde em 2017 lançadas por este fórum. Uma delas é a necessidade de criar um registo clínico nacional, único e partilhado, uma vez que os que existem de momento não comunicam uns com outros. O objetivo será aumentar a qualidade e produtividade dos cuidados de saúde prestados e evitar desperdícios. Como a criação desta base de dados implica dificuldades, uma delas é a segurança do sistema, o blockchain poderá ser uma solução para comunicação entre bases de dados existentes.

Por último, a moderadora Margarida Bajanca questiona como se poderia acelerar e retirar valor deste processo. Cristina Campos relembra que o principal problema é a suborçamentação da sistema de saúde, com incentivos claros e transparentes e objetivos definidos da investigação com base nas necessidades do doente. Relembra também que deverá haver ainda uma integração dos cuidados primários, secundários e farmacêuticos.

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