O tema da intervenção, a que a ANEEB teve o prazer de assistir no segundo dia da eHealth Summit, relaciona-se com machine learning e data science cujo painel de convidados incluía: Hugo Ferreira, da NeupsyCAD; Cristina Campos na NOVARTIS; Rui Raposo da José de Mello Saúde e Peter Villax da Hovione.

Hugo Ferreira começou por falar da sua experiência no diagnóstico em doenças degenerativas, uma vez que, o diagnóstico convencional é demorado e pouco específico levando à progressão da doença sem que se possa efetuar um tratamento adequado em tempo útil. Na NeuropsyCAD, com apoio de machine learning, desenvolvem um algoritmo com base em imagens de informação clínica de pacientes com a mesma doença, permitindo a deteção de alterações mínimas possibilitando um diagnóstico mais rápido e eficaz de apoio à decisão clínica.

Em representação da NOVARTIS, Cristina Campos revelou-nos como a utilização destas tecnologias resulta na diminuição do tempo de aprovação do medicamento e no aumento da eficácia na descoberta de novos fármacos, biomarcadores e alvos terapêuticos. Segundo estudos realizados pela empresa, em Portugal, investe-se 18% das vendas em investigação e desenvolvimento, existindo ainda um projeto desta empresa como incubadora de startups farmacêuticas.

Afirmou Rui Raposo, Diretor Executivo na José Mello Saúde, que a era digital é um elemento central na sua empresa para atender às necessidades dos doentes com todas as ferramentas disponíveis. Apesar de esta empresa armazenar 300 terabytes de informação clínica, Portugal continua a ser considerado um país com small data na área de saúde. Estes dados são essenciais para conhecer o perfil dos pacientes e ir de encontro às suas necessidades, acreditando que a facilidade de acesso e informação disponível na “palma da mão” são fatores de fidelização dos seus clientes, resultando assim na aplicação myCUF. Esta aplicação permite o agendamento de consultas, assim como o acesso ao historial clínico, desde exames a análises realizadas, tendo reduzido os tempos de atendimento em 50%.

Por último, Peter Villax, CEO da Hovione, uma empresa privada com maior número de investigadores doutorados empregues, confessou que a sua ambição é tornar Portugal um país pioneiro na vanguarda da criação de novos modelos de investigação clínica. Este gestor declarou ainda que o nosso SNS é dos mais informatizados no registo clínico da Europa, e que o Regulamento Geral da Proteção de Dados é uma oportunidade para tornar este sistema seguro e fiável. Foi também referida uma nova aplicação onde os pacientes poderão dar acesso aos seus dados clínicos de forma fácil e rápida bastando apenas um clique. Com esta aplicação, será mais fácil selecionar uma amostra específica da população levando a uma rápida aprovação de novos fármacos.

Concluindo a sessão, Célia Reis, CEO da Altran, fez um pequeno resumo de todo o painel dizendo que é necessário apostar em startups e ter a capacidade de inovar. Acrescentou que a informação em saúde irá revolucionar a indústria farmacêutica e todo o seu ciclo de desenvolvimento. Referiu também, que a especialização de operadores em áreas core é fulcral, assim como empresas que funcionem como operadoras de informação de dados clínicos. Em suma, a informação ajuda aumentando, não só a eficiência hospitalar, como também a qualidade dos serviços prestados,  redução dos custos e duração dos internamentos.

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