A ANEEB teve oportunidade de entrevistar um dos co-fundadores da SWORD Health, que nos recebeu no dia 22 de dezembro.

[Entrevistador 1] – Marta Faria

[Entrevistador 2] – Mariana Mourão

[Entrevistado] André Santos

[Entrevistador 1] – Qual foi o seu percurso académico?

[Entrevistado] – Nasci na Póvoa de Varzim mas ingressei no Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica na Universidade de Coimbra. Escolhi o ramo de Instrumentação Médica e Hospitalar e Biomateriais. Mais tarde, fiz um MBA na Porto Business School.

[Entrevistador 1] – Há pouco disse-me que teve várias ofertas de trabalho. Porquê a SWORD  Health?

[Entrevistado] – A SWORD Health para mim não foi uma oferta, foi uma criação. A minha carreira profissional começa quando no meu último ano de curso, queria fazer a tese numa área empresarial e por isso escolhi a Exatronic em Aveiro. Na tese, trabalhei no desenvolvimento de um dispositivo de ultrassom para medicina física e reabilitação. No final, a empresa propôs-me um estágio que decidi aceitar. Propuseram-me a criação de uma unidade médica dentro da empresa e tornei-me cofundador da Exa4life, tendo ganho os prémios do Fórum Hospital de Futuro e Arrisca Coimbra, em 2010 e 2009. Fui crescendo dentro da empresa, acabando por chegar a diretor comercial. Nessa altura, senti necessidade de dar mais um passo nos meus conhecimento e foi aí que decidi ingressar num MBA. Como sempre gostei de sair da zona de conforto, decidi tentar fazer algo na área de gestão. A meio do MBA fui contactado pelo Virgilio, co-fundador da SWORD, pelo LinkedIn, e ele apresentou-me este projeto. Identifiquei-me logo com a missão e visão da SWORD que visava a reinvenção da reabilitação mundial através de tecnologia. Apesar de estar confortável com a vida que tinha, decidi que era o momento de seguir o sonho de criar algo ligado à biomédica que tocasse todo o mundo e avancei para este o projeto que na altura era constituído por 5 pessoas e pouco dinheiro na conta. Foi um salto de fé. Tornei-me o COO e no meu dia à dia sou responsável por áreas como: supply chain, operações, desenvolvimento do negócio, certificação, projetos europeus, financiamento e suporte legal, um box-to-box.

[Entrevistador 1] – O que é que o Virgílio viu em ti?

[Entrevistado] – Penso que  várias coisas. Até lá tinha uma carreira profissional pautada pelo empreendedorismo, como a por exemplo pela fundação da júnior empresa JeKnowledge ou a Exa4Life; por ter Engenharia Biomédica como background que me capacitava para ter uma visão muito mais crítica nos destinos da empresa; ter estado a liderar a área comercial da Exatronic durante vários anos portanto ser sales driven, mas sobretudo porque ele percebeu que eu não tinha medo de colocar a minha estabilidade em risco, em função de um futuro mais próspero.No fundo eu era um todo o terreno sem medo do enorme desafio de mudar a reabilitação no mundo através de Portugal.

[Entrevistador 1] – Até ao momento, qual é o feedback que têm tido da vossa empresa?

[Entrevistado] – Sinceramente, temos mais reconhecimento externo do que interno, mas isso não é negativo, pelo contrário, é um sinal claro de que estamos a fazer as coisas bem. Por vezes, a preocupação das empresas é o reconhecimento interno, mas as pessoas têm de perceber que para se criar uma empresa na nossa área, temos de ter coragem de ir para o mundo, a biomédica vive muito mais lá fora do que em Portugal. Nós simplesmente decidimos investir onde temos retorno e começamos por ir para os Estados Unidos. O primeiro reconhecimento através do maior programa de aceleração de startups do mundo, o Ycombinator, onde fomos chamados à entrevista presencial.. Apesar de não termos ficado, conseguimos entrar num programa de aceleração em San Francisco, que era o maior programa de aceleração do mundo em senior living, o Aging 2.0. Começámos a conhecer pessoas, a fazer contactos e a ter um reconhecimento imediato pela nossa capacidade tecnológica. Passado 6 meses, fomos reconhecidos pela Comissão Europeia como uma das 140 empresas mais inovadoras na Europa, a primeira portuguesa com essa distinção. Em Portugal, começamos agora com o ínicio da tele-reabilitação no serviço nacional de saúde, também iniciamos pilotos com a maior seguradora e com os grandes grupos privados. Contudo só foi possível o “cá dentro” depois de termos tido todo o reconhecimento externo. É muito difícil para uma empresa a começar na área médica conseguir estabelecer parcerias em Portugal, poucas pessoas nos abrem as portas. Um conselho para qualquer empresa é que não olhe só para Portugal, cá consegue-se fazer validação clínica, mas grande valor do negócio tem de ser, obrigatoriamente, fora de Portugal. As pessoas têm de sair da zona de conforto.

[Entrevistador 2]: Em 2014 publicaram na revista “Nature Scientific Reports” e em 2015 foram reconhecidos pela Comissão Europeia como uma das 140 empresas mais inovadoras da Europa. Isso foi algo que sempre ambicionaram ou foi um incentivo para fazer mais e melhor?

[Entrevistado]: Nós sempre nos consideramos uma empresa que gosta de arriscar para atingir mais resultados. Concorremos ao SME Instrument Phase II da Comissão Europeia porque precisávamos de dar o salto em valor. Nesse programa, todos nos aconselharam a candidatarmo-nos à fase 1 (onde teríamos um investimento mais baixo), mas contra essas opiniões fomos à fase 2 e conseguimos! Com esse investimento foi possível atrair talento e fazer crescer a equipa, passando de 5 para 15 pessoas; o que se refletiu, em apenas dois anos, na certificação do nosso produto na Europa e Estados Unidos da América, validação clínica e comercialização. Contudo, não é apenas o dinheiro que nos faz atrair talento, é todo o significado da empresa, a sua missão, é poder dizermos aos nossos amigos num bar que trabalhamos num sítio que está a mudar realmente a vida das pessoas, porque lhes damos acesso a reabilitação de qualidade. Todas as pessoas que contratamos estão realmente dentro do projeto, alinhados com a visão e missão e compreendem todas os benefícios será partilhado com eles. ,A Nature Scientific Reports, era um objetivo, e queríamos realmente publicar numa revista científica de renome, “Go Big or Go Home”

[Entrevistador 1]: Qual a perspetiva que, “lá fora” têm, não só de Portugal, mas dos engenheiros biomédicos portugueses?

[Entrevistado]: A maior diferença que vimos foi que conseguimos crescer muito mais do que qualquer empresa lá. Apesar de um engenheiro em Portugal custar ⅕ de um na América, não temos ⅕ do talento, pelo contrário muitas vezes temos 5x mais. Portugal tem uma capacidade para I&D íncrivel. Algo que contribuiu para que tivéssemos mais credibilidade, e que foi muito bem visto lá fora, foi classificação da CE como um das mais  inovadoras empresas da Europa. Cada vez temos mais presente a engenharia biomédica, tanto em Portugal como lá fora. Na SWORD somos 8 engenheiros biomédicos, em 27 pessoas no total.

[Entrevistador 2]: Quais as maiores vantagens que estão associadas ao vosso produto?

[Entrevistado]: Os doentes fazem terapia no conforto das suas casas, às horas que quiserem, vestidos como quiserem, sempre que quiserem e com uma melhor recuperação.

A ANEEB agradece à SWORD Health pelo tempo que nos concedeu para esta entrevista e deseja à empresa os maiores sucessos.

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